Mundo Mesmo doente e isolada, ativista vira alvo de punição extrema no Irã

Mesmo doente e isolada, ativista vira alvo de punição extrema no Irã

Narges Mohammadi – Foto: Fundação Narges Mohammadi/AFP

A resistência em solo iraniano ganhou mais um capítulo dramático neste domingo, 8/2. Narges Mohammadi, a ativista que se tornou um símbolo global da luta pelos direitos das mulheres e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, foi novamente condenada pelo tribunal revolucionário. A sentença de sete anos e meio de prisão é um lembrete amargo de que o regime de Teerã não está disposto a recuar, mesmo diante de uma saúde debilitada e de apelos internacionais que cruzam fronteiras.

Mais do que um número em um processo jurídico, essa décima condenação contra Mohammadi reflete o medo de um sistema que vê em uma mulher encarcerada sua maior ameaça. Desde sua detenção violenta em dezembro de 2025, durante o funeral de um colega advogado, a ativista tem enfrentado o isolamento absoluto, mas sua voz continua a ecoar através de advogados e apoiadores que se recusam a aceitar o silêncio imposto pelas grades.

O peso de uma condenação baseada na resistência

A nova pena imposta à ativista detalha o rigor com que o estado trata a dissidência interna. Narges Mohammadi foi sentenciada por crimes que, na prática, nada mais são do que o exercício da liberdade de expressão e de reunião. O veredito proferido em Mashhad, no nordeste do país, inclui não apenas o cárcere, mas também o exílio interno, uma tática comum para desarticular redes de apoio.

Os detalhes da sentença revelam a profundidade da punição imposta:

  • Conspiração e conluio: Recebeu seis anos de reclusão sob a acusação de reunir pessoas para atividades contra o sistema.
  • Propaganda contra o governo: Foi condenada a mais um ano e meio de prisão por divulgar informações críticas ao regime.
  • Exílio em Khosf: Deverá cumprir dois anos de exílio interno em uma cidade localizada a centenas de quilômetros da capital.
  • Proibição de viagem: Recebeu o impedimento oficial de deixar o país por dois anos após o cumprimento das penas.

O sacrifício da saúde e a força da greve de fome

A situação física de Mohammadi é alarmante e exige atenção urgente da comunidade internacional. Aos 53 anos e com um histórico de problemas cardíacos e cirurgias recentes para remoção de tumores, ela iniciou uma greve de fome em 2 de fevereiro de 2026. O ato é um protesto desesperado contra a detenção ilegal e o isolamento que a impediu de se comunicar com o mundo por quase dois meses.

“Em vista de suas doenças, espera-se que seja ordenada sua libertação temporária sob fiança para que possa receber tratamento médico”, afirmou o advogado Mostafa Nili.

A interrupção súbita de sua última chamada telefônica, logo após ela começar a relatar os abusos sofridos na prisão, é um indicativo claro de que o regime tenta apagar os rastros de sua própria brutalidade.

O contexto de uma repressão que ignora fronteiras

Essa nova condenação não acontece no vácuo. O Irã atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história recente, com protestos que pedem o fim da república islâmica (RI). A repressão estatal tem sido implacável, com números de mortes que variam entre três mil e sete mil pessoas, dependendo da fonte, além de dezenas de milhares de prisões políticas.

O cenário é agravado por tensões geopolíticas, especialmente com as ameaças de ação militar por parte do governo dos Estados Unidos (EUA) e as negociações nucleares em curso. Ao condenar uma figura do peso de Narges Mohammadi, Teerã envia um recado de que não cederá a pressões externas, mesmo que o custo seja a vida de uma mulher que o Comitê Nobel norueguês reconheceu como uma defensora da “liberdade para todos”.

Narges não vê seus filhos há 11 anos e agora enfrenta o risco real de uma “eliminação física”, como já alertaram organizações de direitos humanos. O mundo não pode apenas observar enquanto uma das mentes mais brilhantes e corajosas da nossa geração é consumida pelo sistema que ela jurou combater.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/ira-condena-nobel-da-paz-narges-mohammadi-a-mais-7-anos-e-meio-de-prisao.html

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.