Arquitetura Mercado de arquitetura cresce no Amazonas e exige profissionais versáteis

Mercado de arquitetura cresce no Amazonas e exige profissionais versáteis

Foto: Magnific

Para muitos estudantes, a arquitetura ainda parece nascer apenas da criatividade, dos desenhos e da elaboração de projetos. No entanto, por trás de cada traço, existe um profissional encarregado de articular tecnologia, sustentabilidade, normas técnicas e uma leitura atenta do espaço urbano. Mais do que imaginação, o arquiteto enfrenta o desafio diário de criar soluções concretas para demandas estruturais e sociais que impactam a vida das pessoas.

Panorama do setor

Dados de levantamentos do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e do sistema de Informações Geográficas do CAU (IGEO) referentes a 2023 mostram a distribuição da categoria no país e no Estado. O cenário econômico recente também aponta expansão local, nacional e global da área.

  • O Brasil conta com 244.399 arquitetos e urbanistas em atividade.
  • O Amazonas soma 2.527 profissionais ativos, representando apenas 1% do total nacional.
  • A distribuição estadual revela grande concentração, sendo 95,8% em Manaus e apenas 4,2% no interior.
  • O mercado imobiliário da capital amazonense cresceu 24,2% em 2025, movimentando mais de R$ 3 bilhões.
  • Em 2026, Manaus mantém ritmo aquecido com aumento de 5% na emissão de alvarás de construção, segundo dados da Prefeitura de Manaus e do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
  • As contratações formais no Brasil avançaram 24,16% entre 2024 e 2025, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).
  • O mercado global da arquitetura deve saltar de US$ 351,69 bilhões em 2024 para US$ 485,24 bilhões até 2029, segundo a Mordor Intelligence.

Embora os números indiquem um ambiente favorável, especialistas alertam que as contratações priorizam profissionais versáteis, capacitados para aliar técnica, inovação e sustentabilidade.

Atuação e clima

O cotidiano da profissão abrange áreas que muitos estudantes desconhecem antes da graduação. Além de planejar prédios e edificações, o arquiteto atua em planejamento urbano, aprovação de projetos, reformas, consultorias, arquitetura de interiores, obras de infraestrutura e requalificação de espaços públicos.

Para o conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM) e coordenador da Comissão de Ensino, Formação e Exercício Profissional (CEFEP), Ulli Toledo, a construção civil em Manaus tem capacidade para absorver novos formandos, desde que atendam às exigências atuais da cidade.

“O CAU/AM avalia que a absorção plena depende da versatilidade desses novos profissionais. Nossa cidade está em expansão e carece de soluções urgentes em mobilidade urbana, requalificação de espaços públicos e infraestrutura. O mercado vai abraçar os arquitetos que estiverem preparados para resolver os problemas reais de Manaus, atuando em frentes variadas que vão desde o planejamento urbano e aprovação de projetos até reformas e consultorias especializadas”, afirmou Ulli Toledo.

Outro desafio no Amazonas é desenvolver projetos adaptados às características climáticas da região. Historicamente, Manaus reproduziu modelos construtivos de grandes centros urbanos, o que gerou problemas como impermeabilização do solo, ilhas de calor e alagamentos.

“No programa ‘CAU nas Universidades’, existe o incentivo e foco para a nossa realidade climática e ambiental. A qualificação técnica para a verdadeira ‘identidade da floresta’ não é apenas estética; ela é infraestrutural. Significa projetar pensando na ventilação cruzada, no sombreamento natural e no manejo correto das águas urbanas, adotando soluções de drenagem sustentável, como os jardins de chuva e pisos drenantes”, explicou Ulli Toledo.

Inovação tecnológica

As ferramentas digitais transformaram a rotina de trabalho. Recursos como o Building Information Modeling (BIM) e o software Revit permitem integrar dados, antecipar falhas e aperfeiçoar o planejamento dos projetos. A arquiteta amazonense Marcely Stefany, especialista no método “MasterBIM”, orienta que os futuros profissionais busquem atualização permanente.

“Meu principal conselho em relação à arquitetura para os estudantes é que eles se desenvolvam na área, se atualizando de acordo com as demandas do mercado. O BIM está se tornando algo comum, por isso devemos continuar investindo em BIM, Revit e na compatibilização com outros softwares. Além disso, é importante investir em inteligência artificial”, disse Marcely Stefany.

A especialista aponta que o Distrito Industrial de Manaus concentra expressiva demanda por projetos. Paralelamente, Marcely atua na elaboração de projetos residenciais, comerciais e de interiores.

“É uma área excelente para quem gosta de ser criativo e de resolver problemas. Afinal, a arquitetura não envolve apenas criação e muitas vezes somos chamados para realizar reformas ou para adaptar um projeto a um espaço muito pequeno. É gratificante ver nossos clientes satisfeitos com o trabalho que entregamos, quando conseguimos atender às expectativas deles”, declarou Marcely Stefany.

Orientação profissional

Compreender a rotina da carreira antes do vestibular ajuda o estudante a avaliar se suas aptidões correspondem às exigências da profissão. Ulli Toledo lembra que a evasão no primeiro ano de faculdade muitas vezes decorre do choque entre uma visão romantizada e as exigências técnicas da área.

“É exatamente aí que eventos como a ‘Feira Norte do Estudante’ desempenham um papel fundamental: eles apresentam a realidade da profissão de forma clara, ajudando o jovem a tomar uma decisão mais consciente e fundamentada antes mesmo de ingressar na academia”, destacou Ulli Toledo.

Em 2026, a Feira Norte do Estudante (FNE) ocorre nos dias 23, 24 e 25 de setembro, no Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping, das 9h às 21h. A programação reservará espaço para a arquitetura com palestras e oficinas focadas em inovação tecnológica, qualificação profissional, áreas de atuação e impacto social.

A idealizadora e coordenadora do evento, Inês Daou, enfatizou o papel da feira em trazer transparência sobre o mercado de trabalho.

“No caso da arquitetura, isso significa aproximar os jovens da realidade técnica e social da profissão, mostrando as demandas do mercado amazonense e as possibilidades de atuação em setores como construção civil, planejamento urbano e sustentabilidade”, afirmou Inês Daou.

Ao apresentar os bastidores e os desafios das carreiras, a iniciativa busca funcionar como uma ponte entre o ensino e o mercado, auxiliando a juventude a escolher o futuro profissional com maior clareza e segurança.

ASCOM: Jonathan Ferreira | LUHEN MÍDIA

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