
A confirmação do senador Eduardo Girão (CE) como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo) selou a consolidação de uma candidatura puro-sangue do Partido Novo (Novo) para a Presidência da República. Anunciada na tarde desta terça-feira (04/08), a decisão reflete o isolamento político da sigla, que não conseguiu fechar alianças com outros partidos para o pleito nacional.
“Após tratativas internas, Zema e o presidente do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, concluíram que Girão é a melhor opção para caminhar em busca de um Brasil melhor”, afirmou o Novo em nota oficial.
A composição da chapa encerra um longo período de articulações e especulações de bastidor. Ao longo da pré-campanha, Zema chegou a ser cotado para ocupar o posto de vice do também presidenciável Flávio Bolsonaro, integrante do Partido Liberal (PL).
No entanto, o governador mineiro se distanciou do parlamentar após fazer críticas públicas à relação mantida entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. Zema sempre rechaçou publicamente a possibilidade de recuar para a vaga de vice, assegurando que levaria sua candidatura presidencial até o fim.
Nas últimas semanas, a cúpula do Novo tentou atrair nomes de outras legendas para compor a vaga de vice. Entre as opções avaliadas esteve o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, filiado ao Democracia Cristã (DC), mas as conversas não avançaram.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), também foi citada nos bastidores, porém rechaçou publicamente a hipótese, levando Zema a admitir posteriormente que não chegou a fazer um convite direto a ela.
“Sempre disse que gostaria de um parceiro de chapa que fosse uma pessoa decente e ficha limpa. Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília. Não poderia ser outra pessoa”, disse Romeu Zema sobre o seu candidato a vice.
Perfil do vice
Eduardo Girão está concluindo o seu mandato de oito anos no Senado Federal pelo Ceará. Durante a sua atuação em Brasília, o parlamentar alinhou-se ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ganhou notoriedade na defesa da pauta conservadora, com destaque para a oposição ao aborto. Em 2021, atuou como membro titular na “CPMI da Covid-19”, oportunidade em que liderou a tropa de choque em defesa do governo federal.
Antes da escolha para a disputa nacional, Girão figurava como pré-candidato ao governo do Ceará pelo seu estado natal.
“Decidi aceitar esse convite desafiador como uma missão existencial”, disse o senador Eduardo Girão. “Pelos brasileiros sedentos por justiça, quero levar o que nós acreditamos e já defendemos em nossos mandatos aos quatro cantos do país: mais segurança, mais prosperidade, mais defesa da Vida e Família, e menos abusos dos intocáveis que tomaram conta do poder público”, declarou Eduardo Girão.
Desafio nas pesquisas
A definição da chapa puro-sangue ocorre em um momento delicado para o projeto presidencial do Novo, uma vez que o nome de Romeu Zema encontra dificuldades para engrenar nas pesquisas de intenção de voto. Em levantamento realizado pelo instituto AtlasIntel e divulgado em 29 de julho, o governador de Minas Gerais aparece na quinta colocação no cenário de primeiro turno, somando 2,8% da preferência do eleitorado.
A amostragem de primeiro turno aponta o seguinte quadro eleitoral:
- Lula surge com 44,9% das intenções de voto
- Flávio Bolsonaro registra 35,8%
- Renan Santos marca 7,8%
- Ronaldo Caiado aparece com 3,1%
- Romeu Zema soma 2,8%
Em uma simulação de segundo turno projetada pelo mesmo instituto, Zema seria derrotado pelo presidente Lula pelo placar de 48,6% a 38,9%. A aposta em uma chapa isolada reforça a identidade ideológica do partido, mas impõe ao candidato o desafio de furar a bolha e crescer junto ao eleitorado sem o tempo de rádio e TV nem o palanque de grandes coligações partidárias.
Fonte: https://www.metropoles.com/minas-gerais/eduardo-girao-tambem-do-novo-sera-vice-de-zema










