
A meningite é considerada uma doença endêmica no Brasil porque circula de forma contínua e constante entre a população. A infecção exige atendimento médico imediato, com atenção dobrada para a versão bacteriana, que traz um quadro altamente grave. Nesse tipo da doença, as bactérias causam um processo inflamatório agudo e muito intenso nas meninges, membranas encarregadas de envolver e proteger o cérebro e a medula espinhal.
A evolução da meningite bacteriana acontece em velocidade impressionante, muitas vezes poucas horas após o aparecimento dos primeiros sintomas. O tratamento com antibióticos precisa ser iniciado assim que surge a suspeita clínica durante a avaliação, antes mesmo do resultado dos exames laboratoriais. Esses laudos podem levar 24 horas ou mais para ficarem prontos, período em que a doença se agrava rapidamente no organismo.
Sinais de alerta
Reconhecer os sintomas logo no início é fundamental para buscar ajuda médica a tempo. Os principais sinais apresentados pelos pacientes incluem:
- Febre alta que surge de repente acompanhada de forte dor de cabeça;
- Rigidez na nuca com dificuldade para encostar o queixo no peito;
- Enjoos e vômitos que podem ocorrer em jato;
- Confusão mental e sonolência excessiva;
- Sensibilidade intensa à luz, conhecida como fotofobia.
Sequelas no ouvido
Por estarem muito próximas das meninges, as bactérias conseguem alcançar as estruturas do ouvido interno. Elas podem chegar até a cóclea, cavidade responsável por captar os sons, provocando lesões nas células sensoriais. A médica Kátia Virgínia, otorrinolaringologista do HOPE, destaca o risco das complicações.
“A meningite bacteriana pode deixar sequelas neurológicas importantes, entre elas perda auditiva permanente em um ou nos dois lados, além de oferecer risco à vida do paciente”, afirma a especialista.
Risco de calcificação
A perda da audição é uma sequela de grande relevância, mas os sinais podem surgir somente depois que a fase aguda da infecção passa. A médica faz um alerta decisivo sobre a necessidade de investigar o ouvido quanto antes.
“Embora a perda auditiva seja uma complicação de grande relevância, os sinais podem ser percebidos somente após a fase aguda da doença. Por isso é fundamental que mesmo sem sintomas, ao melhorar da infecção o paciente faça exames auditivos, em caráter de urgência, antes que a cóclea se calcifique completamente, inviabilizando a colocação de um implante e a recuperação da audição”, orienta a doutora.
O consenso científico e epidemiológico internacional indica que entre 5% e 30% das pessoas que enfrentaram a meningite bacteriana desenvolvem algum grau de perda auditiva. A especialista esclarece ainda que o quadro é mais frequente na meningite pneumocócica, causada pelo meningococo, bactéria que apresenta maior associação com lesões na cóclea.
Formas de contágio
A transmissão da doença acontece principalmente pelo contato com gotículas respiratórias e secreções da garganta ou do nariz lançadas quando a pessoa infectada fala, espirra, tosse ou beija. Vale ressaltar que existem pacientes assintomáticos, pessoas que carregam a bactéria sem ficar doentes e acabam transmitindo o microorganismo para outros. O consumo de alimentos contaminados também pode provocar a infecção, embora essa forma de contágio seja menos comum.
Prevenção e urgência
Quem teve contato com alguém diagnosticado com meningite bacteriana deve procurar um posto de saúde sem demorar para avaliar a necessidade de tomar antibiótico preventivo. Caso apareçam sintomas, a orientação é buscar atendimento médico de urgência imediatamente para iniciar o tratamento. Também é essencial realizar os exames auditivos logo após alcançar a cura da infecção. Agir com rapidez salva vidas, pois a meningite bacteriana é uma doença grave, de evolução rápida e que pode ser fatal.
ASCOM: Sig Eikmeier










