
A busca por melhorias na atenção à saúde materna e infantil no Brasil representa um compromisso urgente que exige articulação constante entre gestores e profissionais da ponta. Na Maternidade Dr. Moura Tapajóz (MMT), instituição mantida pela Prefeitura de Manaus, esse esforço ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (14/10), às 9 horas, com a realização da “Oficina de Acolhimento em Saúde para Gestores”.
O evento integra o projeto de “Gestão de Maternidades” dentro do programa “Rede Alyne”, uma política pública voltada à reorganização da assistência prestada a gestantes, parturientes, puérperas e crianças.
Lançada em 2024 pelo governo federal como uma reestruturação da antiga “Rede Cegonha”, a “Rede Alyne” traz a meta de reduzir em 25% a mortalidade materna no país. A proposta busca ampliar e qualificar as ações de saúde, promovendo um acompanhamento mais humanizado, seguro e integral.
Na capital amazonense, a aplicação dessas diretrizes pela Maternidade Dr. Moura Tapajóz coloca em pauta a necessidade de transformar diretrizes teóricas em avanços concretos no atendimento prestado às mulheres que buscam o serviço público.
Alinhamento e compromisso institucional
A enfermeira obstetra Núbia Cruz, diretora da Maternidade Dr. Moura Tapajóz, enfatizou que o encontro fortalece a determinação da unidade em estimular o diálogo e a reflexão sobre as rotinas diárias, identificando entraves e buscando soluções para aprimorar os serviços.
“Buscamos alinhar nosso direcionamento para entregarmos um atendimento sempre mais acolhedor, ágil, seguro e resolutivo em nossa unidade”, afirmou a diretora Núbia Cruz.
A declaração reforça que a evolução da gestão hospitalar exige olhar crítico e capacidade de adaptação frente aos gargalos operacionais da saúde pública.
Estratégias de gestão hospitalar
A atividade foi organizada pela assistente social Loiana Melo, apoiadora do projeto de “Gestão de Maternidades” da “Rede Alyne”, com o objetivo de debater novas formas de operar e reorganizar os fluxos de trabalho a partir do planejamento estratégico.
Durante as discussões, foi reshaltado o papel do gestor enquanto agente promotor de melhorias e a relevância de assegurar práticas de sucesso que garantam a assistência integral. O debate também evidenciou o protagonismo dos gestores municipais e a atuação necessária nas instâncias de pactuação do sistema de saúde.
Pautas para acolhimento humano
Durante a oficina, as equipes abordaram temas essenciais para redefinir o contato entre o sistema de saúde e os cidadãos. As discussões priorizaram pontos centrais para a qualificação da assistência pública.
- Escuta ampliada e qualificada das reais necessidades dos usuários;
- Abertura à diversidade cultural, racial e étnica da população;
- Compartilhamento de saberes com a participação ativa do paciente;
- Respostas mais adequadas aos usuários e à sua rede sociofamiliar;
- Qualificação contínua e garantia do acesso aos serviços;
- Encaminhamento responsável em todas as etapas do atendimento.
Dinâmica para medir excelência
Como parte do diagnóstico interno, a enfermeira obstetra Larissa de Almeida, responsável pelo Núcleo de Educação Continuada e Permanente da Maternidade Dr. Moura Tapajóz, aplicou a dinâmica “Alvo da Gestão que Acolhe”.
Conforme explicou a profissional, a ferramenta buscou obter um panorama do trabalho realizado e refletir sobre o que precisa ser aprimorado para aproximar a unidade de um padrão de excelência.
A dinâmica envolveu uma avaliação individual sobre aspectos fundamentais representados por Capacidade de Comunicação, Motivação e Valorização do Trabalhador, Gestão de Recursos, Adesão a Protocolos e Liderança.
Em seguida, foi construído um mapa coletivo das gerências para identificar se o acolhimento se encontra em nível crítico, intermediário ou excelente.
Desafios da aplicação prática
A realização da oficina na Maternidade Dr. Moura Tapajóz demonstra um movimento positivo da gestão municipal para alinhar a saúde de Manaus aos objetivos nacionais da “Rede Alyne”.
No entanto, uma análise crítica da realidade hospitalar indica que a efetividade de encontros e diagnósticos depende diretamente da capacidade de transformar avaliações em mudanças práticas no cotidiano das enfermarias e salas de parto.
Reduzir a mortalidade materna exige mais do que aperfeiçoar fluxos teóricos e lideranças; requer investimento contínuo na estrutura física, valorização real dos profissionais de enfermagem e garantia de insumos.
Acompanhar a execução dessas melhorias será o verdadeiro medidor do impacto dessa iniciativa na vida das mães e recém-nascidos da capital.
Fonte: ASCOM | Marcella Normando/ Semsa










