
O escritor e jornalista amazonense Mário Bentes, de 41 anos, prepara-se para um marco em sua trajetória literária. Ele apresenta seu primeiro romance de horror rural e fantasia sombria histórica, intitulado “Algo estava matando os cavalos”.
O lançamento oficial ocorre no dia 5 de setembro (sábado), das 14h30 às 15h30, no estande da Lendari® Entertainment, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Embora o público paulista receba a obra primeiro, a expectativa em Manaus é grande, apesar de ainda não haver uma data confirmada para o lançamento na capital amazonense.
Ambientado no Sul do Brasil e fundamentado em uma lenda icônica daquela região, o romance mergulha em uma narrativa densa que atravessa mais de duzentos anos de uma maldição familiar. A trama acompanha a decadência do clã Alvarenga, uma família de origem portuguesa cujas raízes estão profundamente entrelaçadas à história da colonização e às estruturas de poder herdadas da Coroa.
Misteriosa Fazenda do Ventre Seco
A história ganha fôlego em 1874, em um cenário de isolamento absoluto. Na Fazenda do Ventre Seco, animais adoecem e morrem sem qualquer explicação lógica, enquanto entidades sobrenaturais parecem vigiar cada movimento da propriedade. O retorno da última herdeira, após anos de reclusão em um convento na Europa, atua como o gatilho para uma sucessão de eventos perturbadores. O que surge a partir daí são verdades enterradas que podem selar o destino trágico da família.
Realismo mágico e crítica social
Com forte influência do realismo mágico latino-americano, a obra estabelece um diálogo direto com clássicos como “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez. Mário Bentes constrói uma saga marcada por ciclos de violência, poder e fatalidades históricas, mas imprime uma identidade brasileira única ao revisitar o passado do país sob uma ótica crítica e simbólica.
- A obra aborda os traumas da escravidão de forma perturbadora e profunda.
- O autor utiliza elementos do horror para questionar a herança colonial brasileira.
- A narrativa foge dos clichês de salvação e foca na resistência dos oprimidos.
Subversão de lendas populares
Um dos pontos mais intelectuais e polêmicos do livro é a reinterpretação da lenda do “Negrinho do pastoreio”. Inspirado pela versão ouvida na infância, Bentes subverte a narrativa original, frequentemente marcada pela dor e passividade. O autor questiona a injustiça histórica e aponta para uma verdade desconfortável: a libertação não virá de fontes externas, ela precisa ser conquistada por aqueles que decidem resistir.
“Algo estava matando os cavalos” (Lendari® Entertainment, 2026) funciona como uma fábula sombria e uma crítica contundente às heranças que ainda ecoam no presente. É uma leitura provocadora, essencial para quem busca literatura brasileira de alta qualidade e que não teme confrontar os mitos que moldaram a nossa sociedade.
Serviço do lançamento
- Evento: Lançamento de “Algo estava matando os cavalos”
- Autor: Mário Bentes
- Data: 5 de setembro (sábado)
- Horário: 14h30 às 15h30
- Local: Estande da Lendari® Entertainment (Rua H/87)
- Localização: Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Pavilhão do Distrito Anhembi, São Paulo (SP)










