
A valorização das narrativas produzidas por realizadoras originárias ganha um novo impulso no Amazonas. Idealizado pela pesquisadora e produtora cultural Fabienne Priscila, o projeto “Kunhã_Eté” promove o lançamento da Mentoria para Mulheres Indígenas Produtoras de Cinema. O evento ocorre no dia 22 de junho, às 18h30, no Palácio da Justiça, em Manaus, reunindo profissionais do setor audiovisual e pesquisadoras para debater os desafios e as oportunidades da presença feminina indígena na produção cinematográfica.
A noite de estreia vai contar com a palestra intitulada Mulheres Amazônicas na Produção Audiovisual, que terá a participação das convidadas Bitta Catão e Jocê Mendes. O encontro marca o começo de uma atividade formativa totalmente gratuita, direcionada especialmente para jovens, produtoras em início de carreira e mulheres pertencentes a povos e comunidades tradicionais.
Pesquisa acadêmica
A iniciativa foi estruturada a partir das reflexões científicas desenvolvidas por Fabienne Priscila durante a sua pesquisa de doutorado realizada na Universidade de Aveiro, localizada em Portugal. O estudo investiga as representações das mulheres indígenas desde os mitos de origem e ritos de passagem até alcançar as formas atuais de empoderamento e liderança nas telas. O objetivo central consiste em ampliar a visibilidade dessas realizadoras e construir caminhos mais plurais no mercado cinematográfico.
“Historicamente, as representações das mulheres indígenas foram construídas a partir de olhares externos. Nossa pesquisa procura compreender como essas mulheres estão ressignificando suas identidades e ocupando espaços de protagonismo por meio da produção audiovisual. O cinema tem se mostrado uma ferramenta importante de visibilidade, resistência e afirmação cultural”, afirmou a pesquisadora Fabienne Priscila.
Formato das oficinas
Além do embasamento teórico, o “Kunhã_Eté” foca na capacitação prática para consolidar a presença feminina no mercado de filmes. As oficinas serão realizadas por meio de transmissão da internet, acumulando uma carga horária total de 12 horas divididas em quatro reuniões ao longo do mês de julho. As atividades serão coordenadas por Fabienne Priscila junto com as profissionais Ana Lígia Pimentel e Flávia Abtibol, nomes experientes no cenário cultural amazônico.
A grade de aprendizado foi dividida em temas fundamentais para o desenvolvimento de novas cineastas.
- Produção independente: o aprendizado abordará as etapas de criação de projetos sem dependência de grandes estúdios.
- Estratégias de circulação: as alunas vão debater a distribuição e a inserção das obras em festivais nacionais.
- Captação de recursos: as aulas vão ensinar o preenchimento de editais públicos de incentivo à cultura.
- Cinema indígena: o módulo oferece um panorama histórico sobre estética e representatividade feminina.
Mapeamento inédito
O planejamento do projeto também prevê a elaboração de um levantamento inédito a respeito dos filmes dirigidos por cineastas originárias na região da Amazônia brasileira. Esse diagnóstico vai gerar a publicação de um catálogo impresso e em formato digital detalhando os trabalhos, trajetórias e as contribuições deixadas por essas realizadoras na história da arte contemporânea.
A expectativa da coordenação indica que as conclusões do projeto sirvam tanto para fortalecer a atuação artística das mulheres no campo profissional quanto para amparar a criação de novas políticas públicas de igualdade de gênero e incentivo à diversidade cultural.
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