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Líderes do PT querem reduzir pena de Bolsonaro ou tirar Alexandre de Moraes da linha de fogo?

Por Estagiário De Lara

A política em Brasília sempre encontra atalhos inusitados. Nomes de peso do PT, que formam o círculo íntimo do presidente Lula, avaliam uma manobra que soa improvável para muita gente: encontrar uma brecha legal para diminuir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL.

A informação, foi apurada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, revela que o Planalto discute três alternativas reais para o caso. A concessão de graça, o indulto presidencial ou a comutação da pena.

O motivo por trás dessa movimentação passa longe de qualquer simpatia pelo adversário político. A cúpula governista entende que conceder algum desses benefícios resolveria de vez o problema da anistia no Congresso Nacional.

Hoje, esse debate domina os corredores e atrapalha a votação de projetos que o governo considera essenciais para o ano que vem.

A pressa e a preocupação dos petistas têm data marcada. A partir de fevereiro de 2027, o Senado Federal passa a contar com uma maioria formada por parlamentares conservadores.

Para complicar o cenário do governo, o PL terá a maior bancada da Casa, ganhando força para travar pautas e impor suas próprias vontades.

Apesar da vontade de limpar o terreno, Lula esbarra em regras claras.

O presidente da República não tem o poder de assinar uma anistia, pois a Constituição determina que isso é uma tarefa exclusiva do Congresso Nacional.

O STF também já avisou que autores de crimes contra a democracia não têm direito a esse perdão amplo.

Vale lembrar que o próprio tribunal condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por supostamente tentar articular um golpe de Estado.

O que sobra para Lula são três ferramentas específicas e permitidas por lei. A graça, que atende a casos individuais, e o indulto, que é voltado para o coletivo. As duas opções tiram a pessoa da cadeia, mas o condenado não volta a ter a ficha limpa como réu primário. A terceira alternativa é a comutação, que serve basicamente para dar um desconto no tempo da punição imposta pela Justiça.

Pressão contra Alexandre de Moraes

A estratégia petista resolve outro problema enorme. O partido calcula que aliviar a pena de Bolsonaro tiraria força dos sucessivos pedidos de impeachment contra os ministros do STF.

Hoje, a oposição atira com força total em Alexandre de Moraes, o relator dos inquéritos sobre a tentativa de golpe de Estado. Sem a pressão pela prisão do ex-presidente, a base do governo acredita que a tensão e a briga entre o Congresso e o STF cairiam drasticamente no ano que vem.

Mas para colocar isso em prática sem sustos, Lula precisa conversar muito bem com o Supremo para garantir que os próprios ministros não derrubem a sua decisão depois.

O plano B da Dosimetria

Se o indulto ou a graça não vingarem, o PT tem outra carta na mesa.

A ideia é apresentar no STF uma Ação Declaratória de Constitucionalidade para defender a chamada Lei da Dosimetria.

Aprovada recentemente pelo Congresso, essa norma prevê a diminuição das penas tanto para Bolsonaro quanto para os manifestantes condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Se a Justiça liberar e aplicar essa lei, a previsão nos bastidores é de que o ex-presidente ficaria no regime fechado por apenas mais um ano. O obstáculo atual tem nome e sobrenome: Alexandre de Moraes.

O ministro suspendeu os efeitos dessa lei e agora relata o processo que julga se ela respeita ou não a Constituição.

Alguns ministros da Corte pressionam Moraes para marcar logo esse julgamento, mas ele ainda não colocou o assunto na pauta do tribunal.

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