
Por Estagiário De Lara
Eu acompanho as notícias e essa denúncia que a revista Veja soltou sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro é de cair o queixo. O cara teria entregado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para bancar um documentário sobre o presidente Lula do PT.
Na minha visão, isso precisa ser investigado com muito rigor e urgência.
Se a história for confirmada, estamos diante de um esquema pesado. O dinheiro teria rolado em espécie, por fora, sem nenhum registro formal, tudo para abrir portas e fazer negócios dentro do governo federal.
O mais curioso é que a Polícia Federal e a PGR bateram o pé e disseram que esse material da revista não está nas investigações oficiais.
A suspeita é que a gravação do ex-banqueiro foi feita logo depois que a Justiça rejeitou a segunda proposta de delação premiada dele.
O próprio presidente e a turma do Palácio do Planalto negam qualquer envolvimento nisso.
As autoridades acharam a história toda muito mal contada e incompatível com o que ele tinha prometido falar.
Para completar o rolo, a AGU já foi para cima e cobrou direito de resposta da revista sobre esse repasse milionário.
Diferença nos repasses
Analisando friamente, a gente percebe que a coisa é feia. Os juristas dizem que, se tudo for provado, os crimes são gravíssimos. Isso é bem diferente daquele rolo do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que também está na mira da polícia.
No documentário do Bolsonaro, a grana do Banco Master entrou como patrocínio oficial. Já no caso do petista, a acusação é que o dinheiro seguiu um caminho totalmente ilegal para garantir vantagens indevidas.
A situação exige uma apuração pesada. O advogado criminalista Márcio Nunes deixou isso bem claro ao avaliar o caso.
“Se de fato houve esse aporte, é mais grave que o do filme Dark Horse, porque ali foram recursos como patrocínio, enquanto na produção de Lula teriam sido, supostamente, recursos em dinheiro, ou seja, por fora”, afirmou o especialista.
A doutora em direito público Clarisse Andrade pensa igualzinho. Para ela, se esses R$ 30 milhões se confirmarem desse jeito, a situação fica muito pior que a do filme concorrente.
Ela lembra bem que o atual governo vive criticando a liberação de dinheiro para a outra produção. O próprio Vorcaro entregou a diferença em um dos áudios.
“O do Lula foi por fora, foi errado”, disse o investigado, afirmando que o outro caso era um patrocínio normal.
Articulações e fundos
O buraco parece ser mais embaixo. A reportagem conta que o empresário negociou com o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. A troca seria dinheiro por acesso livre aos fundos de pensão de servidores federais, como a Previ, Caixa Asset e Petros. Quem teria feito essa ponte inicial foi o ex-sócio e diretor executivo do banco, Augusto Lima, com uma ajudinha do senador Jaques Wagner.
A defesa de Augusto Lima soltou uma nota negando tudo, chamando a história de falsa e delirante.
Segundo os advogados, esses papos surgiram em uma proposta de delação que foi jogada no lixo.
O jornal Gazeta do Povo confirmou que o ex-banqueiro queria mesmo falar sobre essas amizades perante os procuradores. Ele até citou na papelada que o patrocínio do outro documentário seguiu os moldes de outras produções, mas sem dar nomes.
A bomba é que teriam exigido grana viva para cobrir os custos de filmagem e ainda sobrar um troco para o Instituto Lula, comandado por Paulo Okamotto. Vaccari também teria cobrado 10% de tudo que o banco conseguisse arrancar dos fundos.
A conta era de cair para trás, projetando R$ 1 bilhão para o partido e R$ 9 bilhões para a instituição financeira.
Mas, como os investimentos não foram fechados, a bolada milionária não virou realidade.
Mensagens e lobistas
O celular do investigado virou uma verdadeira caixa de surpresas. As mensagens mostram que ele andava muito próximo da turma do Planalto, embora não fale diretamente do filme.
O portal Metrópoles também descobriu conversas atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, que já é investigada junto com Fábio Lula da Silva (o Lulinha) por tráfico de influência.
Apareceu até um operador chamado Júlio, que teria passe livre no gabinete do ministro Alexandre Padilha e com Olavo Noleto, que era secretário executivo na época.
Em abril deste ano, quando a produção já estava pronta, o banco entrou numa lista seleta para receber recursos dos fundos do governo.
E olha a coincidência, mensagens apontam um pagamento de R$ 500 mil no mesmo dia para um desses contatos.
Mas os negócios travaram.
O empresário chegou a reclamar que passou mais de doze meses tentando fechar os acordos sem sucesso. O ministro Padilha negou qualquer amizade e garantiu que só teve um encontro sem maiores consequências.
A galera citada preferiu ficar calada e não respondeu aos jornalistas.
Áudio sob suspeita
Na minha opinião, esse áudio vazado é no mínimo estranho. Ele não está no inquérito oficial e tudo indica que foi gravado por puro desespero depois que a Justiça negou o acordo de delação.
Ninguém sabe com quem o empresário estava conversando nem quando isso foi gravado.
Quem acompanhou o caso de perto garante que essa gravação nunca chegou às mãos da procuradoria.
Os advogados falavam sempre em terceira pessoa e várias palavras usadas no vazamento não combinam com o papo das negociações formais.
A polícia e os promotores acharam várias falhas na proposta dele.
A defesa nega que soubesse da intenção de falar sobre o filme e jurou de pés juntos que desconhece esse áudio.
As autoridades foram claras ao dizer que não houve nenhuma menção ao presidente nas conversas oficiais.
Tudo foi feito através de advogados, sem bate-papo direto.
Existem sim mensagens sobre tentativas de investimento no banco em troca de favores e propina, mas isso ainda vai precisar de muita investigação, quebra de sigilo e depoimentos para virar uma prova concreta.
Defesa do governo
O lado do governo não deixou barato e rebateu tudo. O presidente garantiu que nunca pediu dinheiro e nem mandou ninguém agir no nome dele.
A Secretaria de Comunicação (Secom) disse que o governo não pediu grana para bancar documentário nenhum. A própria produtora do filme já tinha avisado em maio que não recebeu nem um centavo do ex-banqueiro.
O pessoal da campanha chamou a história toda de invenção para bagunçar o jogo político e prometeu acionar a Justiça contra as calúnias.
O presidente do partido, Edinho Silva, mandou um áudio para a militância avisando que a delação foi rejeitada e que a história tem um lado político forte.
Para ele, tudo isso é uma manobra para proteger o Partido Liberal (PL) e o senador Flávio Bolsonaro, já que o rolo do outro filme teria provas reais.
Agora é aguardar para ver onde essa história vai parar.










