
Jovens talentos selecionados pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) se reúnem no dia 8 de maio na Universidade de São Paulo (USP). O encontro na capital paulista serve como um treinamento preparatório antes do embarque para Phoenix, no Arizona.
Os estudantes representarão o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, que é reconhecida como a maior feira internacional pré-universitária de ciência e engenharia do mundo.
Delegação nacional
A comitiva da FEBRACE conta com 14 jovens de diversas regiões do país. Os autores apresentam projetos que unem rigor científico e criatividade em temas urgentes, como agricultura sustentável e inteligência artificial. A presença brasileira na ISEF é reforçada por estudantes escolhidos pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (MOSTRATEC), de Novo Hamburgo (RS), totalizando 26 participantes brasileiros na competição.
O workshop na USP busca alinhar apresentações e promover a integração do grupo.
“A ISEF é muito mais do que uma competição. É uma experiência de formação científica e pessoal que coloca esses jovens em diálogo com o que há de mais avançado no mundo”, afirma Roseli de Deus Lopes, coordenadora geral da FEBRACE.
Ela ressalta que os alunos chegam com projetos consistentes e retornam com uma visão ampliada sobre o papel da ciência na sociedade.
Destaque de Manaus
Uma pesquisa do Amazonas explora o uso de ondas binaurais para modular genes associados ao Alzheimer. O trabalho apresenta evidências iniciais de redução na expressão de marcadores da doença. Intitulado “MeMO (Fase II): investigando ondas binaurais como alternativa terapêutica em enfermagem com validação in vitro”, o projeto foi desenvolvido pela estudante Ada Jamile Gomes de Oliveira. Ela faz parte do Colégio Militar de Manaus e contou com a orientação do professor Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho.
Inovações sustentáveis
Os trabalhos que representam o Brasil possuem forte potencial de impacto social e ambiental com soluções práticas.
- O projeto “Sustainpoly” reaproveita resíduos do maracujá para a produção de biocompósitos que aumentam a durabilidade de frutas e reduzem custos agrícolas em 85%.
- Na área da saúde, os estudantes investigam o uso de bacteriófagos no combate a biofilmes para enfrentar infecções hospitalares resistentes.
- Uma pesquisa feita no Paraná demonstrou que extratos vegetais podem acelerar o cultivo de orquídeas e reduzir custos em 90%.
- O “Amendoclean” utiliza biocarvão de casca de amendoim para remover corantes industriais da água com alta eficiência.
- No setor agrícola, o “AnisGuard” apresenta um fungicida natural de erva-doce capaz de reduzir em 83,8% a carga fúngica em grãos de café.
- Um estudo realizado em São Paulo analisa a percepção de jovens sobre aranhas para propor estratégias de educação ambiental urbana.
- No Ceará, um sistema utiliza inteligência artificial e análise cartográfica para mapear padrões de feminicídio e auxiliar em políticas públicas.
- Estudantes desenvolveram uma tecnologia baseada em visão computacional “YOLOv10” capaz de prever a trajetória de balões com 94% de precisão para evitar incêndios.
Tradição em prêmios
A ISEF recebe anualmente cerca de 1.600 estudantes de 60 países. As premiações somam milhões de $ em bolsas de estudo e oportunidades em instituições de referência global. A FEBRACE se consolidou como a principal porta de entrada do Brasil para essa disputa. Ao longo de sua trajetória, a feira já enviou 210 projetos brasileiros que resultaram na conquista de 82 prêmios internacionais.
Sobre a feira
Promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada pelo LSI-TEC, a FEBRACE estimula a cultura científica e o empreendedorismo na educação básica. O programa integra uma ampla promoção da educação em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) no Brasil. Desde sua criação, o evento já reuniu mais de 16.700 estudantes e apresentou cerca de 7.200 projetos finalistas.
Acadêmica Agência de Comunicação










