
Quem olha de fora muitas vezes imagina que os grandes talentos da ciência e da tecnologia surgem apenas nos grandes centros urbanos. No entanto, a realidade das águas amazonenses acaba de provar o contrário. A conquista alcançada por jovens da zona rural traz uma reflexão profunda sobre o potencial transformador da educação pública quando existem incentivo e oportunidade de verdade.
Conquista histórica no Rio
A cerimônia de encerramento da 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog) 2026, realizada nesta quinta-feira, 22/10, em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro (RJ), marcou um feito memorável para o Amazonas. Estudantes da Escola Municipal São João, localizada na comunidade ribeirinha de São João do Tupé, na zona rural de Manaus, garantiram o 2º e o 3º lugar na competição nacional.
Esse resultado expressivo reflete o trabalho conjunto realizado pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Estudantes que brilharam
As equipes levaram o nome da comunidade amazonense ao topo do pódio após enfrentarem desafios práticos e teóricos. Os estudantes do 9º ano Isaac Nilson, Aliny Fragatas e Esther Bastos garantiram o 2º lugar na competição. A equipe formada por Renan Oliveira, Luna Blankenhorn e Camila Silva conquistou o 3º lugar.
Para os jovens, a jornada significou muito mais do que medalhas ou troféus.
“A Jornada de Foguetes foi muito mais do que uma competição. Aprendemos com a equipe da OBA e com estudantes de outras escolas, conhecemos novos modelos de foguetes e queremos usar essa experiência para evoluir o nosso projeto. Como foi nossa primeira participação, voltamos com muito aprendizado e queremos compartilhar esse conhecimento com os alunos da nossa escola, desde a construção de foguetes até outras atividades ligadas à ciência”, destacou a aluna Luna Blankenhorn, integrante da equipe do 3º lugar, referindo-se aos aprendizados obtidos com a equipe da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
“Participei de várias oficinas durante a Olimpíada e aprendi muitas coisas. Foi muito gratificante participar desse evento e, para mim, conquistar o segundo lugar foi muito importante. Só tenho a agradecer por tudo o que vivi aqui”, afirmou o estudante Isaac Nilson, premiado com o 2º lugar.
Vozes do incentivo
A preparação dos alunos contou com a orientação pedagógica que transformou curiosidade em resultados práticos por meio do projeto “Decolando Saberes”.
“Conquistar o 2º e o 3º lugar na 20ª Olimpíada Brasileira de Foguetes 2026 é motivo de muita alegria e orgulho para a nossa escola e toda a comunidade ribeirinha. Essa conquista é resultado de dedicação, criatividade, trabalho em equipe e aprendizagem. Nossos estudantes mostraram que, com incentivo e oportunidades, podem superar desafios e alcançar grandes resultados. O projeto ‘Decolando Saberes’ demonstra o potencial dos nossos alunos e a força da educação na zona rural de Manaus”, ressaltou a professora Andrezza Barbosa, que acompanhou a delegação no evento.
Os gestores públicos também reforçaram o impacto da conquista para a rede de ensino municipal.
“Parabenizamos os estudantes da escola municipal São João por essa conquista tão importante para Manaus. Alcançar o segundo e o terceiro lugar em uma competição nacional demonstra o talento, a dedicação e o potencial dos nossos alunos, inclusive daqueles que vivem nas comunidades ribeirinhas”, ressaltou Arone Bentes, secretário municipal de Educação.
“Nossos estudantes são motivo de orgulho para a educação de Manaus, e essa conquista mostra que, com apoio e dedicação, eles podem ir cada vez mais longe”, acrescentou o secretário Arone Bentes.
Reflexão sobre oportunidades
O feito dos alunos do São João do Tupé deixa uma lição clara sobre o papel da ciência nas comunidades ribeirinhas. Quando a educação pública ultrapassa as barreiras geográficas e oferece estrutura, o talento dos estudantes da Amazônia se destaca em nível nacional. Garantir que projetos como esses continuem recebendo recursos e apoio é o caminho para formar novos cientistas e transformar realidades no interior do estado.
Fonte: ASCOM | Jorgiane Castinares/ Semed










