
Os desafios e as oportunidades geradas pela inteligência artificial para a educação básica ganharam as atenções nesta sexta-feira (6). O debate ocorreu no “Seminário Internacional de Educação”, que integra a programação do “8º Festival SESI de Educação” no pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O encontro reuniu cerca de 2,5 mil jovens e especialistas para refletir sobre como preparar estudantes e professores para as rápidas transformações da era digital.
O superintendente do SESI Departamento Nacional, Paulo Mol, destacou a importância de discutir o futuro em um cenário de mudanças velozes. Para ele, o ambiente do festival é o espaço ideal para buscar caminhos que integrem tecnologia e ensino de forma equilibrada.
Tecnologia e humanismo
O diretor de Educação e Competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher, trouxe uma visão clara sobre o papel das novas ferramentas. Segundo ele, o potencial da inteligência artificial para personalizar a aprendizagem é enorme, mas existe um limite ético e funcional.
“O centro do processo educacional precisa continuar sendo humano”, afirmou o especialista da OCDE, reforçando que as tecnologias não devem substituir o papel dos professores, mas servir como um braço direito pedagógico.
A presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães, seguiu a mesma linha. Ela ressaltou que a inteligência artificial contribui diretamente para aprimorar os processos de avaliação e o acompanhamento do aprendizado.
Com as ferramentas certas, os professores recebem retornos mais rápidos e conseguem tomar decisões melhores em sala de aula.
Abismo digital
Um ponto crítico do debate foi o acesso desigual às ferramentas. A deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, Tábata Amaral, expôs a realidade dura da infraestrutura brasileira. Segundo dados citados por ela, 41% das escolas no país ainda não possuem computadores.
Essa desigualdade digital reforça a necessidade urgente de ampliar investimentos em infraestrutura e na formação de professores, para que a inteligência artificial não se torne apenas mais um privilégio de poucos, mas uma ferramenta de inclusão.
Saúde mental
Além da infraestrutura, o impacto emocional no ambiente digital entrou no radar. Maria Helena Guimarães citou que 27% dos estudantes brasileiros relatam sentir solidão, um índice superior à média dos países da OCDE.
Tábata Amaral reforçou que o Congresso Nacional discute medidas para responsabilizar empresas de tecnologia e garantir maior proteção aos jovens.
“Criança não pode receber conteúdo que faça ela odiar sua aparência”, afirmou a parlamentar, ao defender regras mais claras para o funcionamento das redes sociais e o cumprimento da legislação brasileira em ambientes digitais.
Protagonismo docente
A formação dos educadores foi o tema central da mesa mediada por João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho. O consenso é de que a tecnologia exige uma transformação contínua na carreira. Para a presidente do Instituto Salto, Cláudia Costin, o professor deve assumir o protagonismo e usar as ferramentas a seu favor, sem medo de ser substituído pela máquina.
“Eu preciso ter um professor que se sinta um profissional, e não um coitadinho, e que consiga usar as tecnologias a seu favor”, destacou Cláudia Costin.
Ela ressaltou que as escolas precisam fortalecer competências humanas como criatividade, pensamento crítico e resolução colaborativa de problemas.
Fique por dentro
O “8º Festival SESI de Educação” segue focado em inovação pedagógica e no papel das políticas públicas. O uso da inteligência artificial na educação básica brasileira ainda esbarra na falta de equipamentos básicos em quase metade das unidades de ensino. O desafio agora é garantir que a tecnologia atue como apoio ao trabalho humano, liberando o educador de tarefas repetitivas para que ele possa focar em atividades mais estratégicas e criativas.
ASCOM










