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Governo Lula corre para evitar novo choque comercial após pressão direta de Trump sobre o Brasil

Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer - Foto: Christophe Petit Tesson/EFE/EPA

A aproximação recente entre Brasília e Washington ganhou um novo desdobramento prático nos bastidores diplomáticos.

Pouco depois do encontro presencial entre os presidentes Lula e Donald Trump na Casa Branca, as equipes técnicas dos dois países deram início às negociações diretas para tentar resolver os impasses comerciais que se arrastam desde o ano passado.

A rodada de conversas envolve temas sensíveis que vão desde a taxação de produtos até o funcionamento de sistemas financeiros em solo nacional.

Diálogo virtual

A primeira reunião oficial após o encontro de líderes ocorreu de forma remota. O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, utilizou as redes digitais para confirmar que se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa.

O contato serviu para dar andamento aos pontos combinados no início do mês na sede do governo americano, quando as lideranças prometeram criar canais de debate sobre tarifas aduaneiras.

“Saúdo o engajamento construtivo do Brasil para avançar nas questões comerciais e aguardo com expectativa a continuidade das discussões”, afirmou Jamieson Greer, sinalizando uma postura de abertura por parte de Washington.

Alinhamento internacional

Quase ao mesmo tempo, a articulação brasileira se estendeu para a Europa. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, aproveitou a reunião de ministros das Finanças do Grupo dos Sete (G7) em Paris para alinhar estratégias com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Além de tratar do comércio entre as duas nações, as autoridades debateram os impactos financeiros globais causados pela crise no Estreito de Ormuz.

“Demos seguimento à agenda estabelecida pelos presidentes Lula e Trump, discutimos os impactos econômicos do conflito no Estreito de Ormuz e as medidas adotadas pelos dois países, além de avançarmos nas tratativas sobre o comércio bilateral”, detalhou Dario Durigan ao relatar o teor do encontro em solo francês.

Tensões econômicas

A grande meta do corpo diplomático brasileiro é desarmar as barreiras impostas pela gestão de Donald Trump. A Casa Branca mantém aberta uma investigação que incomoda profundamente o Palácio do Planalto, focada no combate à pirataria em centros comerciais populares de São Paulo, como a Rua dezenove de Março, e na análise do programa “Pix”.

O governo americano alega que a ferramenta de pagamentos instantâneos criada pelo Banco Central pode prejudicar as empresas de tecnologia financeira daquele país que operam no mercado nacional.

Apesar do tom amistoso das conversas atuais, o histórico recente exige cautela das lideranças econômicas brasileiras. O país tenta se blindar do imposto de cinquenta por cento aplicado pelos americanos às importações no ano passado.

Essa sobretaxa só acabou suspensa devido ao avanço da inflação interna de alimentos nos próprios canais americanos e por uma decisão jurídica da Suprema Corte que identificou erros formais na política alfandegária global de Washington.

O andamento desses comitês bilaterais definirá se o Brasil conseguirá manter suas vantagens competitivas ou se enfrentará novas sanções nos próximos meses.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/brasil-eua-fazem-primeira-reuniao-comercio-apos-encontro-lula-trump/

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