
A corrida pelos votos no interior do Amazonas ganhou traços definitivos nesta quinta-feira (2) com a extensa agenda da bancada federal na Calha do Madeira. O senador Omar Aziz (PSD), na condição de pré-candidato ao Governo do Amazonas, liderou uma comitiva que percorreu os municípios de Apuí, Humaitá e Manicoré. O ato político foi respaldado pela entrega simultânea de infraestruturas hidroviárias e pela vistoria de frentes de trabalho rodoviárias, elementos centrais no discurso de desenvolvimento regional para as eleições de 2026.
A movimentação ocorre em um momento estratégico, unindo lideranças de peso como o senador Eduardo Braga (MDB) e a deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos), além de prefeitos e vereadores locais. A estratégia visa consolidar o apoio do eleitorado sul-amazonense, historicamente isolado geograficamente da capital e dependente de investimentos pesados em transporte e logística para o escoamento da produção rural.
Inauguração tripla de portos
O principal argumento de eficiência administrativa apresentado pela comitiva foi a entrega de três novos portos públicos na mesma data, um feito técnico incomum para a logística do estado. As obras foram financiadas com recursos federais e executadas sob a coordenação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Os novos terminais de pequeno porte prometem reordenar o fluxo de pessoas e mercadorias em calhas de rios fundamentais para a economia do interior.
- Terminal de Humaitá: Recuperação estrutural da plataforma localizada na calha do Rio Madeira, ampliando a segurança do embarque regional.
- Terminal de Canutama: Nova estrutura voltada para o suporte aos produtores agropecuários e pescadores da calha do Rio Purus.
- Terminal de Fonte Boa: Ponto de apoio logístico para o transporte de passageiros e abastecimento de insumos no Alto Solimões.
Protagonismo e articulação orçamentária
A união política entre ex-adversários locais na atual bancada do Senado foi apontada pela equipe técnica federal como o motor para a liberação das verbas ministeriais. O avanço dessas estruturas nos municípios do interior serve de vitrine eleitoral para demonstrar capacidade de articulação em Brasília.
“Três portos sendo inaugururados no mesmo dia. É a primeira vez na história do Amazonas que a gente consegue”, afirmou Omar Aziz.
A gerência técnica do setor de portos da autarquia federal chancelou o peso político da bancada durante o ato oficial. Conforme Edme Tavares, diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT, o volume de entregas no estado posicionou a divisão aquaviária em patamares de destaque dentro do Ministério dos Transportes, reflexo direto das emendas e cobranças dos parlamentares amazonenses.
Avanço no trecho do meio
Além da agenda fluvial, a comitiva realizou um ato de forte apelo popular ao fiscalizar o andamento da pavimentação na rodovia BR-319. A inspeção ocorreu nas proximidades do Distrito de Realidade, em Humaitá, trecho historicamente conhecido pelos atoleiros que isolavam o estado por via terrestre durante o período de chuvas na floresta.
O início da aplicação de asfalto no chamado trecho do meio foi recebido com entusiasmo pelas lideranças do sul do estado, que aguardavam a retomada das obras após décadas de impasses jurídicos e licenças ambientais complexas. Para gestores municipais como Dedei Lobo, prefeito de Humaitá, a consolidação da estrada representa a quebra definitiva do isolamento econômico que prejudicava tanto o interior quanto o comércio da capital, Manaus.
Desafios do discurso de campanha
O uso de entregas de grande porte como plataforma política exige um olhar atento e equilibrado. Se por um lado a bancada demonstra força ao destravar obras federais aguardadas há quase 50 anos pela população local, por outro o eleitorado passa a cobrar a manutenção contínua e a segurança jurídica dessas estruturas após o período eleitoral.
O grande desafio para Omar Aziz e seus aliados será convencer o eleitor de que o ritmo acelerado observado nos canteiros de obras da rodovia e dos portos se manterá de forma permanente nos próximos anos. O avanço do sul do Amazonas depende da sustentabilidade desses projetos, transformando as inaugurações festivas desta quinta-feira em uma política de estado que sobreviva às disputas partidárias que se avizinham.
Fonte: ASCOM










