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Fogo já atinge mais de mil hectares em Itacoatiara e professor cobra uso de aeronaves KC-390

Foto: Reprodução

O incêndio que atinge a região do Lago do Canaçari, na zona rural de Itacoatiara, mostra como a combinação entre estiagem, vegetação seca, dificuldade de acesso e demora na resposta pode transformar um foco de fogo em uma ameaça para comunidades inteiras.

O incêndio começou em 19 de setembro e chegou ao 18º dia nesta semana. Segundo dados do “Painel do Fogo” citados por veículos que acompanham a ocorrência, a área atingida já ultrapassa 1,1 mil hectares, o que equivale a cerca de 1,5 mil campos de futebol.

As chamas avançaram de uma área de várzea para a terra firme, atravessando o Canal do Jacaré e alcançando regiões de mata fechada, propriedades rurais e áreas de produção.

O problema não é isolado no estado. Dados divulgados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) apontaram 6.257 focos de calor no Amazonas até 30 de setembro de 2026, número 91% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O município de Itacoatiara apareceu entre os locais com maior concentração de focos na Região Metropolitana de Manaus.

Tecnologia na floresta

Aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira – Foto: Divulgação/ FAB

É justamente nesse ponto que o debate proposto pelo professor Marcos Maurício ganha importância.

Para o especialista, o combate precisa contar com recursos capazes de atuar em áreas onde equipes terrestres encontram extremas dificuldades.

Marcos Maurício defende que representantes do Amazonas busquem junto ao Governo Federal o emprego de aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) equipadas com o “Sistema MAFFS”, utilizado para lançamento de água em incêndios florestais.

A experiência brasileira mostra que esse tipo de recurso não é apenas uma hipótese teórica.

Em 2024, durante a “Operação Pantanal”, um KC-390 equipado com o “MAFFS” foi empregado no combate aos incêndios. A aeronave tinha capacidade para lançar até 12 mil litros de água por passagem. Na avaliação do professor, os lançamentos poderiam ajudar a resfriar o dossel da floresta e abrir condições para que bombeiros e brigadistas avancem pelo solo.

Desafio do monitoramento

O Amazonas também já dispõe de ferramentas de monitoramento por satélite, que permitem identificar focos de calor e acompanhar a evolução das áreas atingidas. O desafio central está em transformar rapidamente a informação em ação concreta.

Um ponto detectado por satélite pode representar uma oportunidade de resposta antes que o fogo ganhe grandes proporções. No caso de Itacoatiara, entretanto, o incêndio avançou durante mais de duas semanas e alcançou uma extensão superior a mil hectares.

O próprio Ibama publicou recentemente medidas específicas para propriedades rurais de municípios considerados críticos, entre eles Itacoatiara.

As orientações incluem as seguintes ações essenciais:

  • Ações diretas de prevenção e combate imediato;
  • Monitoramento contínuo da vegetação e áreas produtivas;
  • Comunicação imediata às autoridades em caso de focos de incêndio;
  • Integração total aos sistemas oficiais de alerta.

Impacto na população

A dimensão ambiental não pode esconder o grave problema humano. Moradores de comunidades próximas passaram a participar das ações diante da aproximação assustadora das chamas. As equipes trabalham em áreas de difícil acesso, enquanto a fumaça já é percebida com clareza na área urbana de Itacoatiara.

A Prefeitura de Itacoatiara já havia mobilizado equipes da Defesa Civil, do setor de Meio Ambiente e do Corpo de Bombeiros Militar em outros incêndios registrados na zona rural.

No mês de setembro, moradores locais também ajudaram no combate na região do Rio Arari.

Integração de forças

A discussão, portanto, vai além de definir quem deve apagar o fogo. O episódio registrado no Lago do Canaçari recoloca uma questão que o Estado do Amazonas não pode adiar, que é entender como usar monitoramento, aeronaves, brigadas e planejamento antes que uma pequena ocorrência se transforme em uma emergência de grandes proporções.

Marcos Maurício – Foto: Divulgação

O professor Marcos Maurício defende que a resposta precisa envolver o Governo do Estado, os municípios e a União.

A experiência bem-sucedida no Pantanal mostra que tecnologia e integração podem ampliar a capacidade de combate.

No Amazonas, o desafio agora é fazer com que esses recursos cheguem exatamente onde a floresta está queimando.

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