
A realização da campanha pedagógica nas salas de aula da capital traz um alento necessário, mas também provoca uma reflexão profunda sobre as condições reais que os pedestres enfrentam diariamente nas vias públicas.
Nesta quarta-feira (17/6), a Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), levou o projeto Trânsito na Escola para os estudantes da Escola Municipal Pintor Leonardo Da Vinci, no bairro Alvorada, zona Oeste da cidade.
Embora a iniciativa de moldar a consciência de crianças entre 6 e 12 anos seja louvável, a eficácia desse aprendizado esbarra em uma malha viária urbana historicamente hostil e perigosa para os moradores.
O foco da atividade alcançou mais de cem alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Utilizando jogos pedagógicos e dinâmicas interativas, os educadores demonstraram a importância do uso do cinto de segurança, os equipamentos de proteção essenciais para motociclistas e o respeito à sinalização horizontal.
No entanto, o contraste entre o ambiente controlado da quadra escolar e o caos do tráfego manauara exige que essas ações governamentais deixem de ser eventos isolados e passem a integrar uma política de Estado contínua, combinada com engenharia de tráfego eficiente.
Formação de cidadãos conscientes
O corpo docente da instituição de ensino avalia que o contato com as regras de circulação ajuda a diminuir os riscos de acidentes na periferia, onde a sinalização costuma ser mais escassa. A proposta é fazer com que os jovens atuem como fiscais dos próprios pais, cobrando posturas corretas dentro dos veículos familiares.
“A educação para o trânsito é muito importante para nós formarmos cidadãos conscientes. Para eles entenderem que, no trânsito, não é só a nossa vida que está circulando, mas sim a vida de outras pessoas também, e tenho certeza de que essas informações vão ajudar os alunos nas travessias, nos passeios, durante as ações deles perante o trânsito”, frisou o professor de Educação Física, Gerson Fábio Rodrigues de Araújo.
Uma das principais mensagens reforçadas no encontro foi o sinal da vida, o gesto estendido com a mão que o pedestre deve fazer para indicar a intenção de atravessar a rua. Ensinar o procedimento às crianças é um passo preventivo importante, mas a segurança desse ato depende integralmente da contrapartida dos motoristas, que muitas vezes ignoram a preferência garantida por lei ao cidadão que caminha a pé.
Desafios da mobilidade urbana
A equipe de formação do município comemorou a aceitação do formato lúdico pelas escolas da rede municipal, apontando que a conscientização ajuda a salvar vidas no tráfego. A intenção do órgão de trânsito é expandir os agendamentos para outras zonas administrativas da capital nos próximos meses.
“Muitas escolas demonstraram interesse e comprometimento com a temática do trânsito, aderindo à iniciativa do projeto e promovendo a educação dessas crianças. Hoje atendemos as crianças do primeiro ao quinto ano com informações das principais regras de trânsito, além de nossos jogos educativos, com a intenção de conscientizar alunos, professores e a comunidade do bairro sobre as principais regras para salvar vidas”, destacou a educadora de trânsito do IMMU, Rineida Liege.
As principais diretrizes trabalhadas com o público infantil abordaram temas sensíveis da rotina urbana:
- Travessia segura: Simulação prática do uso correto da faixa de pedestres em vias movimentadas.
- Equipamentos obrigatórios: Explicação sobre a necessidade do capacete afivelado e do cinto de segurança para todos os ocupantes.
- Multiplicação do saber: Estímulo para que os estudantes compartilhem os ensinamentos com os vizinhos e familiares no bairro Alvorada.
Atualmente, a Divisão de Educação do IMMU atende a pedidos de comunidades, empresas privadas e órgãos públicos para a realização de palestras. O investimento na formação das novas gerações é um caminho inteligente para reduzir o número de vítimas no futuro, mas o poder público municipal não pode esquecer que a proteção no trânsito atual depende de fiscalização rigorosa nas ruas e de calçadas adequadas para quem anda a pé.
Fonte: ASCOM | Álisson Castro/IMMU










