
Em um cenário político onde as relações entre o poder público e o setor financeiro muitas vezes caminham sobre linhas tênues, o recente escândalo envolvendo o “Banco Master” expôs as entranhas de Brasília. Segundo informações reveladas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, uma rede de contatos capturou figuras do alto escalão da República, mas um nome de peso conseguiu se manter seco, Fernando Haddad.
A blindagem do atual ministro da Fazenda chama a atenção, conforme destaca a apuração do jornal, não apenas pelo cargo estratégico que ocupa, mas pela pressão interna que sofreu para ceder. Enquanto a teia de influência de Daniel Vorcaro, o banqueiro no centro da controvérsia, se alastrava por diversos gabinetes, Haddad manteve as portas fechadas.
A teia que envolveu a cúpula do poder
A influência do “Banco Master” não escolheu ideologia partidária. De acordo com a publicação de Lauro Jardim, ela operou de forma transversal, atingindo tanto o núcleo duro do governo Lula quanto os caciques do chamado “Centrão”.
Nomes históricos do Partido dos Trabalhadores (PT), como Ricardo Lewandowski e Jaques Wagner, apareceram ligados à trama. No Legislativo, a situação é ainda mais ampla, alcançando as presidências das duas casas. Hugo Motta, na Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, no Senado Federal, figuram entre os que mantiveram relações estreitas com o banqueiro.
Até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) não passou ileso. A coluna aponta que ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli viram suas imagens chamuscadas por contratos de advocacia e estadias em resorts de luxo.
Detalhes da operação em brasília
Para entender a dimensão do isolamento de Haddad relatado por “O Globo”, é preciso olhar para quem estava do outro lado. A lista de conexões revela como o sistema político foi permeável:
- Executivo: ministros e ex-ministros com histórico de influência foram citados na malha fina das investigações.
- Legislativo: as lideranças do “Centrão”, responsáveis por ditar o ritmo das votações, aparecem como interlocutores frequentes.
- Judiciário: a alta corte viu seus integrantes expostos em situações que misturam o público e o privado.
O “não” solitário da fazenda
O ponto alto da apuração de Lauro Jardim é a resistência ativa do ministro da Fazenda. Não se tratou apenas de falta de oportunidade, mas de uma recusa deliberada. Haddad nunca aceitou se encontrar com Daniel Vorcaro, mesmo diante de forte insistência de aliados.
A pressão relatada veio de dentro do próprio partido. Guido Mantega, ex-ministro e figura histórica do petismo, atuou diretamente tentando abrir as portas do ministério para o banqueiro. Mantega, que segundo a coluna atuava como um assessor regiamente remunerado pelo “Master”, tentou usar seu prestígio para promover o encontro. A negativa de Haddad, portanto, é vista hoje como um ato político que lhe confere um capital de credibilidade raro em meio à crise.
Enquanto a poeira do escândalo continua a sujar biografias em Brasília, a Fazenda permanece, segundo os fatos apresentados por “O Globo”, como um território inalcançável para o lobby agressivo que dominou a capital.
Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/01/haddad-e-o-escandalo-master.ghtml










