Política Investigação sobre Banco Master pressiona Amazonas a reforçar controle previdenciário

Investigação sobre Banco Master pressiona Amazonas a reforçar controle previdenciário

Deputado estadual Comandante Dan – Foto: Divulgação

A deflagração da 5ª fase da “Operação Compliance Zero” pela Polícia Federal, nesta quinta-feira, 7 de maio, traz à tona um alerta incômodo que muitos preferiam ignorar. Quando o bloqueio de R$ 18,8 milhões e investigações sobre crimes financeiros atingem o Banco Master e figuras do alto escalão em Brasília, o impacto atravessa fronteiras e faz tremer a estrutura da Amazonas Previdência (Amazonprev). O que está em jogo não é apenas uma cifra em uma planilha, mas o futuro de milhares de famílias que dependem da segurança técnica do Estado.

O debate reacendido pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) toca na ferida da gestão do patrimônio previdenciário. Trata-se do dinheiro de policiais, professores e profissionais da saúde que, segundo denúncias, teria sido aplicado em instituições de alto risco sem o devido crivo do conselho fiscal.

No Amazonas, movimentações que somam cerca de R$ 390 milhões estão sob a lupa após suspeitas de ausência de aprovação formal, uma falha de governança que nenhum discurso político consegue camuflar.

O silêncio da Aleam

Enquanto a Polícia Federal cumpre mandados e bloqueia bens de políticos e empresários ligados ao Banco Master, os mecanismos de proteção local parecem caminhar em câmera lenta. O Projeto de Lei Complementar nº 7/2025 e outras propostas enviadas pelo Comandante Dan para alterar a Lei Complementar nº 30/2001 aguardam um parecer na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) há quase um ano.

Essa paralisia legislativa é injustificável diante da gravidade dos fatos. A proposta de criar a Comissão Interinstitucional de Análise e Aprovação de Investimentos (Ciaai) serviria como uma blindagem técnica necessária para impedir que decisões unilaterais coloquem em risco o fundo previdenciário. O servidor amazonense exige mais do que notas de esclarecimento; ele exige transparência absoluta e controle externo efetivo.

Pontos críticos da investigação

As investigações da Polícia Federal apontam um cenário nebuloso que justifica a preocupação com os recursos da Amazonprev. Confira os detalhes que acenderam o sinal vermelho.

  • Esquema de corrupção e lavagem: suspeitas de venda de títulos de crédito falsos e uso de influência política para beneficiar o Banco Master.
  • Falta de aval interno: indícios de que aplicações milionárias no Amazonas ocorreram sem a aprovação do Conselho Fiscal da autarquia.
  • Investigados de peso: o envolvimento de nomes como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e empresários ligados ao setor financeiro eleva a pressão sobre quem autorizou as parcerias no estado.

Aventura financeira

A previdência pública deve ser o porto seguro do trabalhador, e não um espaço para apostas de alto rendimento com instituições sob investigação. O encontro do parlamentar com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) reforça que o caso ultrapassou a discussão de plenário e entrou na esfera da responsabilidade jurídica e administrativa.

É urgente que a diretoria da Amazonprev venha a público, preferencialmente convocada pela Aleam, para prestar esclarecimentos detalhados. O modelo de governança atual precisa ser revisto para que o fundo previdenciário deixe de ser visto como um “baú” disponível para investimentos em cenários de incerteza nacional. A segurança do servidor deve estar acima de qualquer alinhamento político ou conveniência de mercado.

Transparência como única saída

O que acontece hoje em estados como Piauí, São Paulo e Minas Gerais, por meio da “Operação Compliance Zero”, serve de lição preventiva para o Amazonas. Se o governo estadual e os deputados não agirem agora para aprovar critérios mais rígidos de fiscalização, o prejuízo pode se tornar irreversível.

“Não é mais possível tratar esse assunto como algo secundário”, afirma Comandante Dan, e ele tem razão.

O momento exige uma postura firme e responsável de todas as instituições envolvidas. Afinal, a aposentadoria não é uma concessão do Estado, é um direito adquirido com décadas de serviço que não pode ser jogado em uma roleta russa financeira.

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.