
A confirmação de que as dragagens dos trechos críticos da hidrovia amazonense começarão apenas em agosto acende um alerta vermelho para o Amazonas.
Com a oficialização do fenômeno El Niño e previsões apontando uma estiagem tão severa quanto a de 2023 ou até maior, Governo Federal e DNIT correm contra o tempo.
Especialistas do setor de navegação afirmam que os gargalos da Enseada do Madeira e da passagem do Tabocal precisam estar desobstruídos antes do pico da seca, previsto para outubro.
Caso contrário, o Estado poderá reviver o pesadelo dos navios operando com carga reduzida, aumento dos custos logísticos, atraso no abastecimento e impacto direto sobre a economia da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Lição de 2023: quem aprendeu?

A seca histórica de 2023 deixou uma lição que o Amazonas não pode ignorar. Naquele ano, empresas foram obrigadas a improvisar estruturas em Itacoatiara, contratar balsas adicionais e absorver milhões em custos extras para garantir o abastecimento de Manaus.
Agora, diante de um novo ciclo do El Niño, as previsões climáticas indicam cenário semelhante ou até mais grave. A dragagem deixou de ser uma obra de infraestrutura para se tornar uma medida de sobrevivência econômica.
Se o cronograma atrasar, o preço será pago pela indústria, pelo comércio e, principalmente, pelo consumidor amazonense.
Corrida contra o tempo

O governador Roberto Cidade já classificou os sinais atuais como muito parecidos com os observados antes da grande seca de 2023. Os rios Madeira, Purus, Juruá e Amazonas já apresentam redução de nível, enquanto os especialistas monitoram a evolução do El Niño.
Por isso, a dragagem precisa ser tratada como prioridade absoluta. Cada semana perdida aumenta o risco de restrições à navegação justamente quando o Estado mais depende dos rios para transportar combustíveis, alimentos, medicamentos e insumos industriais.
O Amazonas não pode esperar outubro para descobrir que agosto chegou tarde demais.
Braga vende experiência na RDA

Pré-candidato a reeleição, o senador Eduardo Braga (MDB) resolveu apostar em um ativo que considera decisivo: a experiência.
Sem citar adversários, o senador deixou claro à Rádio Difusora do Amazonas (RDA) que vê boa parte dos concorrentes como novatos sem trânsito em Brasília e sem capacidade de defender os interesses do Amazonas nos momentos mais delicados.
A estratégia não é por acaso. Braga sabe que a eleição para o Senado costuma valorizar currículo, articulação política e capacidade de abrir portas no governo federal.
Ao destacar sua atuação na Reforma Tributária e na defesa da Zona Franca de Manaus, o emedebista procura transformar a experiência em argumento eleitoral.
No centro da narrativa
Falando à RDA, Eduardo Braga voltou a associar a manutenção da competitividade da Zona Franca de Manaus ao presidente Lula.
Ao afirmar que o petista foi fundamental para as garantias obtidas durante a Reforma Tributária, o senador reforça um discurso que pode marcar sua campanha ao Senado.
Enquanto setores da oposição tentam minimizar a participação do Governo Federal nas conquistas da ZFM, Braga procura consolidar a narrativa de que a interlocução entre Amazonas e Palácio do Planalto foi decisiva para preservar o modelo econômico do estado.
Lula e Omar na frente

A mais recente pesquisa Iveritas confirma um cenário que vem se consolidando no Amazonas: o presidente Lula mantém liderança na disputa presidencial e o senador Omar Aziz (PSD) segue à frente na corrida pelo Governo do Estado.
Mais do que números, o levantamento revela a força de duas lideranças que possuem forte identificação com o eleitorado amazonense. Lula aparece à frente dos adversários na corrida nacional, enquanto Omar lidera um cenário competitivo para o governo estadual.
A fotografia do momento mostra que ambos largam em posição privilegiada para a disputa de 2026.
No PL é cada um por si
O discurso de unidade do Partido Liberal (PL) no Amazonas parece cada vez mais distante da realidade. Enquanto Maria do Carmo Seffair tenta consolidar sua pré-candidatura ao Governo do Estado e Capitão Alberto Neto busca espaço na disputa ao Senado, deputados do partido seguem em direção oposta.
Delegado Péricles protagonizou embates públicos com o grupo político da empresária. Já Cabo Maciel foi além e declarou apoio à candidatura de Wilson Lima ao Senado, ignorando o nome que o partido pretende fortalecer.
O resultado é um PL mais que dividido, onde cada liderança rema para o lado que mais lhe interessa.










