
Manaus amanheceu novamente encoberta por uma densa fumaça vinda das queimadas, registrando a pior qualidade do ar entre todas as capitais do país. A névoa tóxica, que infelizmente já se tornou rotina na vida dos moradores, traz sérios riscos não apenas para idosos e crianças, mas para toda a população, independentemente da idade.
O alerta foi emitido pelo médico clínico e infectologista Antônio Magela Tavares, professor da disciplina de Doenças de Relevância Epidemiológica na Amazônia da Universidade Nilton Lins (UNL). Segundo o especialista, a poluição que paira sobre a cidade tem grande dificuldade de se dissipar e acaba se concentrando diretamente na área urbana.
“Essa fumaça pode realmente trazer problemas para pessoas saudáveis e para pessoas que já tenham alguma comorbidade, como doenças prévias de comprometimento do sistema respiratório”, explica o médico infectologista Antônio Magela Tavares.
Limites do corpo
De acordo com o profissional, as vias aéreas humanas estão em contato direto e constante com o ambiente, mas o sistema natural de filtragem do organismo possui limites claros.
“Essa exposição à fumaça, fuligem e gases tóxicos ultrapassa esse limite de contenção e acabam adentrando partículas e gases para as vias aéreas inferiores como brônquios e pulmões, que podem provocar alergias, broncoespasmos e a impregnação de material ao longo do tempo, levando até a doenças pulmonares crônicas a longo prazo”, alerta o professor Antônio Magela Tavares.
Orientações e prevenção
Neste cenário, dois grupos de enfermidades exigem maior atenção, que são as doenças respiratórias e as alérgicas. Enquanto a fuligem persistir sobre a capital amazonense, o especialista orienta a adoção de medidas simples no cotidiano para evitar o agravamento da saúde.
- Mantenha a casa fechada evitando ao máximo deixar portas e janelas abertas para impedir a entrada de fuligem nas residências.
- Evite a prática de atividades físicas principalmente ao ar livre, pois a demanda de oxigênio é maior e o corpo acaba respirando um volume mais elevado de material tóxico.
- Hidrate o corpo sem parar consumindo no mínimo 2 litros de água por dia de forma fracionada ao longo do tempo.
- Preste atenção constante aos sintomas como tosse persistente, espirros frequentes, coriza, reações alérgicas e dores torácicas, pois são sinais claros de afetação das vias aéreas.
- Cuidado com o calor extremo que somado à fumaça pode provocar inchaço, cãibras e astenia, caracterizada por fraqueza e cansaço constante, devendo a população evitar a exposição prolongada ao sol.
Atendimento médico urgente
O infectologista destaca que qualquer pessoa que apresente dificuldades para respirar não deve adiar a busca por socorro especializado.
“Procure imediatamente atendimento de saúde na unidade mais próxima de sua casa. Será feita uma avaliação inicial e, dependendo do estado clínico do paciente, ele será encaminhado para uma unidade de saúde que tenha atendimento para casos mais complexos”, finaliza o médico Antônio Magela Tavares.
Press Comunicação Estratégica










