
A crise ambiental provocada pelo avanço das queimadas e pela severidade da estiagem expõe feridas profundas na estrutura social, econômica e de saúde pública em todo o território amazonense. O momento exige reflexão crítica sobre a capacidade de resposta das instituições diante de um cenário em que a população sofre com a fumaça constante e a escassez de recursos básicos. Todos os 62 municípios do estado enfrentam impactos em diferentes níveis, e a gravidade dos fatos reuniu as principais lideranças políticas e de controle para buscar saídas integradas.
A dimensão da emergência fica evidente nos registros do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Entre os dias 1º de junho e 12 de outubro, a corporação contabilizou 3.575 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, cerca de mil profissionais, somando bombeiros militares e brigadistas, atuaram no combate a mais de 21 mil focos de incêndio espalhados pelo estado.
Paralelamente ao fogo, a estiagem isola comunidades e castiga rios cruciais para a sobrevivência local. Dados atualizados no dia 13 de outubro indicam que 32 municípios estão oficialmente em situação de emergência. A gravidade desse quadro reforça que ações isoladas não conseguem conter os danos acumulados ao longo do tempo.
Números da crise ambiental
- Registro de 3.575 ocorrências de incêndios urbanos e florestais no período recente.
- Mobilização de aproximadamente mil bombeiros militares e brigadistas.
- Combate efetuado a mais de 21 mil focos de queimadas no território estadual.
- Total de 32 municípios em situação de emergência devido à seca.
- Impactos registrados em graus variados em todas as 62 cidades do estado.
Atuação preventiva do órgão
Nesse contexto de vulnerabilidade, o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) busca reforçar um papel focado na orientação preventiva aos gestores públicos para estruturar políticas de enfrentamento de longo prazo. Uma das iniciativas é o Curso de Gestão do Patrimônio Florestal, ação pedagógica que já capacitou gestores de mais de 40 municípios em planejamento, prevenção e identificação de riscos ambientais.
O Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) mantém ainda o Comitê de Enfrentamento às Queimadas, estrutura criada para acompanhar o tema e dar suporte técnico às prefeituras. O órgão emite alertas constantes aos prefeitos para que fortaleçam as estruturas da Defesa Civil local, ampliem as brigadas de combate e garantam integração operacional com os bombeiros.
Durante reunião promovida para alinhar estratégias institucionais na quarta-feira, dia 14, a conselheira-presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Yara Amazônia Lins, destacou o compromisso do órgão.
“O Tribunal de Contas do Amazonas, além de fiscalizar, orienta os gestores e atua na prevenção, contribuindo para a proteção do meio ambiente e da população. É fundamental que as instituições estejam unidas diante de um problema que afeta diretamente a vida dos amazonenses”, afirmou Yara Amazônia Lins.
Articulação entre os poderes
A busca por soluções integradas mobilizou os principais Poderes estaduais em um encontro presencial. A mesa de diálogo contou com a presença do governador Roberto Cidade, acompanhado de representantes do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).
O alinhamento visa dar agilidade às respostas governamentais e desburocratizar o suporte humanitário e ambiental aos municípios afetados. Na ocasião, o governador Roberto Cidade apresentou o balanço das ações estaduais de combate ao fogo e mitigação da seca.
“É dessa forma que vamos continuar conduzindo, com união, diálogo e respeito à população do Amazonas”, afirmou o governador Roberto Cidade ao defender o trabalho conjunto.
O desafio permanente para a sociedade amazonense é garantir que reuniões institucionais se traduzam em medidas práticas e imediatas no interior do estado. A união entre fiscalização, prevenção e ação efetiva é o caminho para conter os impactos ambientais no cotidiano das famílias.
Fonte: ASCOM | TCE-AM











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