
A divulgação do resultado do processo seletivo para o programa de residência jurídica do projeto “Nosso Coração Também é Azul” estabelece um ponto de virada importante no debate sobre neurodiversidade no serviço público do Norte do país.
A iniciativa promovida pela Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), por meio da Escola Superior da Defensoria Pública do Amazonas (Esudpam), confirmou nesta terça-feira (21/7) a lista de aprovados voltada à inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O certame atraiu participantes dos estados do Amazonas, Rondônia e Roraima, sinalizando a busca crescente por oportunidades afirmativas na região.
Resultado do certame
Dos profissionais que disputaram o processo seletivo, um candidato conquistou a aprovação para vaga imediata, enquanto outros nove participantes passaram a compor o cadastro de reserva institucional.
O primeiro colocado atuará na 1ª Defensoria Pública de 1ª Instância de Família, setor reconhecido pelo elevado volume de atendimentos diários aos cidadãos.
A relação completa dos aprovados foi disponibilizada no Diário Oficial do órgão.
Avanço na prática
A implantação do projeto reflete o desdobramento natural de experiências bem-sucedidas registradas anteriormente no órgão.
Segundo a diretora da Esudpam, Karoline Santos, a política afirmativa teve início com o programa de estágio e, após apresentar resultados práticos na rotina forense, expandiu-se para a pós-graduação prática.
“Essa experiência do estágio permitiu ver o quão bem eles se adaptaram à rotina de trabalho, ao atendimento dos assistidos e aos diferentes setores em que tiveram a oportunidade de atuar”, destacou.
A gestora avalia que o modelo adotado no Amazonas estabelece um parâmetro capaz de orientar outros órgãos públicos do país.
“O Nosso Coração Também é Azul pode servir de modelo para outras instituições, que podem perceber a importância de promover políticas de inclusão verdadeiramente exitosas”, disse Karoline Santos.
Adequação e regras
A recepção e a atuação do novo residente serão orientadas pela Resolução nº 02/2025, norma que instituiu a Política de Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência na instituição.
O texto prevê adaptações estruturais e suporte individualizado no ambiente de trabalho.
“A expectativa é que essa experiência seja tão positiva quanto foi com os estagiários. Estamos plenamente dispostos a realizar todas as adequações necessárias para garantir esse resultado”, completou Karoline Santos.
Detalhes da bolsa
O programa de residência jurídica combina formação acadêmica continuada e prática profissional supervisionada, contando com as seguintes condições de atuação:
- Bolsa de incentivo mensal no valor de R$ 2.550.
- Jornada de 30 horas semanais distribuídas em seis horas diárias no período da manhã.
- Seleção estruturada com análise documental, avaliação curricular e entrevista com os candidatos.
Ao abrir espaço qualificado para residentes neurodivergentes em uma área de grande demanda social como o Direito de Família, a instituição demonstra que a inclusão profissional exige planejamento técnico e normas claras.
O desafio para a gestão pública passa a ser a manutenção contínua das adaptações necessárias, garantindo que o ingresso se converta em desenvolvimento profissional efetivo e permanente para os participantes.
Fonte: ASCOM | Thamires Clair/DPE-AM











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