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Crime organizado ameaça comerciantes e obriga moradores do Ceará a comprar água sob escolta policial

Moradores voltam a receber água sob escolta da polícia após ameaça de facção – Foto: TV Verdes Mares

Ter acesso a uma garrafa de água potável para beber ou cozinhar é um direito básico que deveria estar garantido a qualquer família. No município de Banabuiú, localizado no interior do Ceará, a população precisou enfrentar filas na Praça da Matriz nesta terça-feira, 3/11, para conseguir comprar garrafões de água mineral escoltados por forças policiais. O abastecimento emergencial ocorre em meio ao clima de tensão gerado por intimidações diretas do crime organizado contra os comerciantes locais.

A crise na cidade começou a se desenhar no dia 19 de outubro, quando distribuidores locais de água mineral passaram a receber mensagens contendo ameaças atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho. O grupo exigia o cumprimento de regras arbitrárias e o pagamento de taxas extorsivas para autorizar o funcionamento dos pontos de venda.

Relatos reunidos por moradores revelam a cobrança de R$ 200 para manter as portas dos estabelecimentos abertas, além da exigência de R$ 750 por semana para permitir a comercialização do produto. Em outros casos, os criminosos cobravam o valor de R$ 1,50 por cada garrafão vendido.

Diante da investida, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará efetuou a prisão de três homens no dia 22 de outubro, apontados como recolhedores dos valores extorquidos, os quais permanecem detidos. Desde essa data, nenhuma outra prisão relacionada ao caso foi registrada pelas autoridades.

Filas sob escolta policial

A ação emergencial montada para socorrer a população começou no sábado, 31/10, mas enfrentou interrupções no domingo e na segunda-feira, 1º 2 de novembro, em razão do feriado. A operação foi retomada na manhã desta terça-feira com a chegada do comboio policial.

A entrega estava prevista para começar às 7h, mas a distribuição teve início por volta das 11h, gerando longas filas de moradores, conforme acompanhou no local a equipe de reportagem da TV Verdes Mares.

Com a paralisação das entregas em domicílio por medo de ataques aos entregadores, o cidadão precisa caminhar até o centro da cidade ou usar motocicletas para carregar os galões pesados de volta para casa.

Preço e regras locais

A estrutura montada conta com o apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para garantir o fluxo básico de suprimentos.

  • Distribuição diária de cerca de mil garrafões de 20 litros na Praça da Matriz, segundo informações prestadas ao portal g1 pelo prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho.
  • Limite de compra fixado em até dois garrafões por morador, diferente do primeiro dia de operação em que eram permitidas três unidades por pessoa.
  • Preço cobrado de R$ 6 por garrafão, mantendo o valor tradicional do mercado local.
  • Prazo de atendimento indeterminado, com a promessa de continuidade enquanto durar a crise de segurança.

O combate ao crime

A necessidade de colocar viaturas policiais ao lado de caminhões de água mineral explicita a gravidade da segurança pública na região. O cidadão de Banabuiú não pode ficar refém da incerteza e do cansaço de carregar garrafões sob o sol forte. Garantir o livre comércio e a proteção física de trabalhadores e moradores é o dever primordial do Estado para restaurar a rotina da comunidade.

Fonte: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/11/03/populacao-volta-a-formar-fila-para-comprar-agua-sob-escolta-policial-apos-ameaca-de-faccao-em-banabuiu-no-ceara.ghtml

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