
A pesquisa da Action revelou um fenômeno curioso da política amazonense. O ex-prefeito David Almeida (Avante) lidera a rejeição com 31%, mas continua competitivo.
Maria do Carmo (PL) aparece logo atrás com 24%, Omar Aziz (PSD) soma 18% e Roberto Cidade (União Brasil) registra 15%.
Ninguém é unanimidade e boa parte do eleitorado parece escolher candidato do mesmo jeito que escolhe fila de banco, tentando encontrar a menos pior.
O dado mais irônico é que, mesmo tão rejeitado, David ainda aparece vivo na disputa, provando que a política amazonense entrou oficialmente na era da resistência por teimosia.
Eleitores indecisos
Outro detalhe da pesquisa Action chama atenção. Setenta por cento dos entrevistados disseram não saber em quem votar para governador em 2026.
É praticamente um campeonato estadual de indecisão coletiva. Omar Aziz lidera com 31% na estimulada, Maria do Carmo tem 21%, Roberto Cidade aparece com 20% e David Almeida soma 17%, todos embolados na disputa pelo segundo turno.
Disse um internauta à coluna: “O eleitor amazonense parece olhar para o cenário como quem entra em restaurante caro sem conseguir decidir o prato. O problema é que, na política, às vezes o cardápio escolhe o freguês antes”.
Braga na frente

De acordo com a Action, na corrida pelo Senado, Eduardo Braga (MDB) segue liderando com 25,2%, enquanto Alberto Neto (PL) aparece com 15% e Wilson Lima (União Brasil) encosta logo atrás com 12,1%, praticamente no retrovisor da disputa.
O cenário mostra um Amazonas dividido entre o peso tradicional do interior, que ainda sustenta Braga, e uma direita fragmentada que se divide entre bolsonarismo raiz, centrão pragmático e sobrevivência política.
O mais interessante é que a eleição para o Senado começa a ganhar cara de briga de trânsito em Manaus. Todo mundo tenta entrar na mesma faixa ao mesmo tempo e ninguém quer dar seta primeiro.
Super El Niño vem aí

O possível super El Niño já começou a entrar no radar político do Amazonas antes mesmo de chegar com força total. E não é exagero. Num estado onde rio funciona como estrada, seca significa isolamento, inflação, fumaça, dificuldade de abastecimento e pressão social.
O problema é que tudo isso pode acontecer em ano eleitoral. Enquanto Brasília discute prevenção climática e o Supremo Tribunal Federal (STF) cobra planos emergenciais dos estados amazônicos, prefeitos e candidatos sabem que qualquer colapso logístico ou crise humanitária vai cair diretamente no colo da política.
No Amazonas, desastre ambiental nunca é apenas ambiental. Vira crise econômica, social e eleitoral ao mesmo tempo.
Caneta, pirulito e corrida a Brasília

No PL do Amazonas já tem gente cantarolando aquela velha marchinha de carnaval pelos corredores partidários. “Maêêê, sabe o que me aconteceu…” Depois de críticas e movimentos independentes de Maria do Carmo, o ex-ministro Alfredo Nascimento aparentemente resolveu embarcar num voo quase terapêutico até Brasília para reclamar diretamente com o “paiê” Valdemar Costa Neto.
O caso ganhou vídeo oficial, cafuné partidário e certificado nacional de posse da caneta. Nos bastidores do PL, teve gente jurando que faltou apenas Valdemar completar a gravação dizendo: “Calma, Alfredinho, ninguém vai tomar teu pirulito, meu bebê”.
O brinquedo do Valdemar

A crise no PL amazonense já começa a parecer briga de condomínio de luxo com fundo eleitoral. Maria do Carmo articula agenda, conversa com Brasília e tenta construir voo próprio. Alfredo reage atravessando o país para ouvir pessoalmente do presidente nacional aquilo que provavelmente queria emoldurar na parede da sala: “quem tem a caneta é ele”.
O detalhe divertido é imaginar o custo emocional e aéreo da operação. Porque no fim das contas, a política amazonense entrou oficialmente na fase infantil do recreio partidário. Um corre para Brasília chorando “paiêêê, ela não brinca comigo”, enquanto o outro responde segurando a caneta como se fosse cetro imperial do PL.










