
Na onda da visita do presidente Lula ao Amazonas, a emissão da licença ambiental que permite o avanço das obras no chamado “trecho do meio” da BR-319 virou mais um ativo político nas mãos do governador Roberto Cidade (União Brasil).
Ao liberar a extração de material usado na recuperação da rodovia, o Governo do Amazonas tenta mostrar protagonismo em uma pauta histórica e extremamente sensível para o estado: a ligação terrestre com o restante do país.
A movimentação também reforça o discurso de Cidade de que sua gestão está alinhada à defesa da BR-319, tema que mobiliza prefeitos, empresários e moradores do interior.
Aliados avaliam que o governador busca consolidar a imagem de liderança capaz de destravar obras consideradas estratégicas para a economia amazonense.
Pavimentação definitiva já

A licença emitida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para viabilizar obras na BR-319 teve efeito além da infraestrutura: fortaleceu politicamente Roberto Cidade.
O governador aproveitou a medida para reafirmar o discurso de integração do Amazonas e voltou a cobrar do Governo Federal a pavimentação definitiva da rodovia. A BR virou vitrine política e eleitoral.
Cada vez mais presente
Dentro da Federação União Progressista, a leitura é de que Cidade tenta ocupar cada vez mais espaço como principal voz institucional do Amazonas em temas estratégicos.
A recuperação da BR-319, símbolo antigo das promessas políticas no estado, passou a ser usada também como ferramenta de fortalecimento de imagem do governador para 2026.
Clima para a Câmara Federal

A primeira pesquisa do ano eleitoral para deputado federal no Amazonas já começa a desenhar uma possível nova bancada em Brasília, e a renovação deve acontecer, mas sem demolir completamente as velhas estruturas políticas.
O levantamento do Ipen/G6 aponta que nomes tradicionais ainda seguem fortes, enquanto novas lideranças começam a consolidar espaço no eleitorado.
No cenário atual, Republicanos, PL, MDB e PSD seriam os únicos partidos capazes de garantir vagas diretas na Câmara Federal.
O Republicanos aparece impulsionado pela força eleitoral de Amom Mandel, enquanto o PL aposta no desempenho de Sargento Salazar e no retorno de Alfredo Nascimento ao Congresso. Já o MDB demonstra musculatura de chapa, conseguindo equilibrar votação entre seus candidatos e garantindo competitividade coletiva.
Quem são os eleitos hoje?

Se a eleição fosse hoje, alguns medalhões da política amazonense ficariam em situação delicada.
O levantamento do Ipen/G6 mostra que partidos tradicionais podem perder espaço por falta de quociente eleitoral, mesmo com candidatos competitivos individualmente. É o caso da federação União Progressista, ligada ao grupo político que atualmente controla o Governo do Amazonas e a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
A pesquisa também acende sinal de alerta para parlamentares com mandato. Sidney Leite aparece ameaçado dentro do PSD, enquanto Fausto Júnior corre risco de não retornar à Câmara Federal.
Em contrapartida, Átila Lins segue demonstrando força eleitoral e pode chegar ao décimo mandato consecutivo, consolidando posição histórica no Congresso Nacional.
A eleição de 2026 deve ser menos uma disputa de nomes isolados e mais uma guerra de chapas partidárias.
Constrangimento de Omar

A passagem de Lula pelo Amazonas deixou um rastro de desconforto nos bastidores do evento.
O protagonismo do governador Roberto Cidade ao lado do presidente incomodou setores da velha guarda política estadual, especialmente aliados do senador Omar Aziz.
O episódio da disputa por espaço na foto oficial acabou virando símbolo da ciumeira instalada dentro do grupo político que não abre mão de seu namoro com o Palácio do Planalto.
Conforme fontes, Omar não esperava ver Cidade tão à vontade na agenda presidencial. O constrangimento durante o registro fotográfico apenas escancarou a disputa por protagonismo na corrida de 2026.
PCC e CV terroristas?
A ofensiva de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos para pressionar Donald Trump a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas mira a eleição brasileira de 2026.
A estratégia bolsonarista é transformar segurança pública em um dos principais campos de desgaste contra Lula, forçando o governo petista a se posicionar contra uma medida que pode ganhar forte apelo popular.
Aliados de Lula enxergam a movimentação como uma tentativa de criar um ambiente político de confronto ideológico envolvendo soberania nacional e combate ao crime organizado.
Já os bolsonaristas avaliam que o tema pode emparedar o Partido dos Trabalhadores (PT) diante de um eleitorado sensível à pauta da violência urbana.










