
Mesmo após mais de uma década da exibição de “Avenida Brasil” na TV Globo, a repercussão da novela demonstra que produções de grande alcance deixam rastros duradouros na vida dos intérpretes. Na trama de 2012, o personagem Jorginho viveu momentos dramáticos de rejeição e abandono ao descobrir que era filho biológico da vilã Carminha, interpretada por Adriana Esteves. No entanto, a carga dramática das cenas de confronto extrapolou as telas e resgatou dores reais da infância e juventude do ator Cauã Reymond.
Gatilhos na ficção
Durante participação no programa “POD_i com Andréia Sadi”, exibido pela GloboNews, Cauã Reymond reviu trechos de embates entre os dois personagens e refletiu sobre a pressão sentida durante o trabalho no folhetim, que se tornou um fenômeno de audiência e terá uma continuação.
“Foram muitos embates, muita canalização!”, relembrou o ator Cauã Reymond bem-humorado ao pontuar que o ritmo das gravações desencadeava reações emocionais ligadas à sua própria história familiar.
O impacto materno
A figura antagônica de Carminha trazia características que remetiam o artista à dinâmica vivida com a própria mãe. Apesar de demonstrar carinho ao falar do passado, Cauã Reymond explicou que a presença materna era tão intensa que gerava reações físicas ainda na juventude.
“Tinha uma época na adolescência, por exemplo, que se eu estivesse na casa dos meus avós e minha mãe ligasse, eu ia ficar com amigdalite. Ela tinha esse tamanho em cima de mim”, relatou o ator Cauã Reymond.
Essa carga prévia ampliou o efeito das gravações ao lado de Adriana Esteves, cuja interpretação levava o conflito a níveis elevados.
“A Adriana ia em lugares que dava até tremelique”, revelou o ator Cauã Reymond ao descrever a convivência profissional no estúdio.
Maturidade e perdão
A experiência exigiu um trabalho contínuo de elaboração psicológica após o encerramento da novela para separar a ficção dos sentimentos pessoais.
Pontos marcantes da reflexão do artista sobre o processo:
- Busca por análise durante anos para diferenciar o personagem Jorginho de suas memórias de infância.
- Manutenção do acompanhamento terapêutico até os dias atuais para tratar de lembranças familiares.
- Desenvolvimento da maturidade para perdoar os erros alheios e lidar com a própria trajetória.
“A maturidade foi me trazendo esse lugar de olhar para o outro de um jeito que você perdoa o outro e se perdoa. Isso é muito legal, muito gostoso e traz uma paz”, afirmou o ator Cauã Reymond.
O relato lança luz sobre os custos emocionais enfrentados por artistas ao lidarem com temas densos na televisão. A busca pelo suporte terapêutico e o exercício do perdão surgem como etapas fundamentais para digerir lembranças dolorosas e manter a estabilidade pessoal frente ao ritmo da profissão.










