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Capital para manter floresta em pé ainda enfrenta barreiras de acesso para produtores locais

Foto: Divulgação

Um estudo recente intitulado “Financiando a Bioeconomia da Pan-Amazônia”, conduzido pela Impact Finance, revela um cenário desafiador para a economia sustentável na região. O levantamento aponta que apenas 8,5% dos mecanismos financeiros mapeados possuem foco exclusivo na sociobioeconomia. Isso significa que a maior parte dos recursos não chega integralmente às cadeias comunitárias, tradicionais e extrativistas que garantem a segurança alimentar e a preservação da floresta.

Embora o ecossistema financeiro conte com 141 instrumentos ativos nos oito países da Pan-Amazônia, o acesso para empreendedores locais ainda é fragmentado. O principal entrave identificado não é a falta de dinheiro, mas a inadequação dos modelos de investimento às realidades dos territórios amazônicos.

Barreiras no território

Os resultados mostram que os recursos disponíveis estão pouco adaptados para quem vive e produz na região. De acordo com o CEO da Impact Finance, Gabriel Ribenboim, o capital precisa de novos caminhos para ser efetivo.

“Os resultados do estudo mostram que há recursos disponíveis, mas ainda pouco adaptados à realidade de quem conserva, vive e produz na Amazônia. Precisamos de mecanismos que partam do território, com governança transparente, critérios mais compatíveis e instrumentos de de-risking adequados, para que o capital chegue de fato às cadeias produtivas da sociobioeconomia”, afirma Gabriel Ribenboim.

Financiamento combinado

Uma das saídas estratégicas apontadas pelo levantamento é o uso do financiamento híbrido. Atualmente, 57,5% dos instrumentos operam integrando capital público, privado e filantrópico para reduzir riscos e ampliar o fluxo de investimentos.

  • Ecossistema diverso: O estudo mapeou desde subsídios e fundos de capital até créditos de biodiversidade.
  • Foco amplo: Cerca de 34% dos mecanismos apoiam cadeias da bioeconomia de forma generalista.
  • Modelo estratégico: O financiamento combinado é essencial para sustentar cadeias inclusivas.
  • Acesso à informação: O estudo completo pode ser consultado no site naturefinance.net.

Soluções integradas

A Impact Finance, organização que integra o portfólio da AMAZ (aceleradora coordenada pelo Idesam), atua como uma plataforma de finanças sociais e ambientais. Diferente de instituições tradicionais, ela funciona no conceito de “one-stop-shop“, centralizando soluções de crédito e gestão em um só lugar.

Entre os mecanismos operados pela plataforma destaca-se o “Amazon Food&Forest“. Este projeto combina crédito com assistência técnica e critérios de gestão rigorosos para apoiar quem mantém a floresta conservada. A empresa utiliza ainda o “Impact Map“, uma infraestrutura digital que utiliza inteligência artificial para facilitar o monitoramento de resultados socioambientais.

Fortalecimento indígena

Um dos exemplos práticos dessa nova arquitetura financeira é o “Fundo Tucum“. O mecanismo é voltado exclusivamente para o financiamento da sociobioeconomia indígena, valorizando conhecimentos tradicionais e gerando renda sustentável com risco controlado.

  • Alcance social: O projeto pretende beneficiar mais de 2.400 artesãs em 31 territórios diferentes.
  • Diversidade étnica: A iniciativa envolve 54 etnias distribuídas na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
  • Preservação cultural: O fundo abrange cerca de 32 milhões de hectares de Terras Indígenas e Áreas Protegidas.
  • Conexão estratégica: A parceria entre a Tucum e a Impact Finance facilita a ponte com investidores anjos.

“Essa parceria entre a Tucum e a Impact Finance, ambos negócios do portfólio da AMAZ, trouxe apenas benefícios para as duas empresas. Estamos sempre nessa escuta ativa com os negócios, promovendo conexões entre eles”, explica Gabriela Souza, gestora da AMAZ e líder de novos negócios do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

Maxi Mídia Comunicação

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