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Bispos e grupos civis enfrentam novas restrições a protestos diante de clínicas nos EUA

Foto: ThalesAntonio/Shutterstock

A disputa sobre os limites da liberdade de expressão e o acesso a procedimentos médicos continua provocando embates nos tribunais dos Estados Unidos. Leis recentes tentam restringir manifestações perto de clínicas, enquanto grupos civis e religiosos intensificam campanhas para proteger garantias constitucionais. A onda de processos e referendos estaduais evidencia a polarização no país sobre o direito de protestar nas vias públicas.

Uma nova legislação criminaliza causar dano emocional a quem procura ou presta serviços de saúde reprodutiva ou de afirmação de gênero.

Os opositores apontam que a regra traz sérias implicações para o direito de manifestação. O texto proíbe filmar e compartilhar vídeos a menos de 30 metros de uma clínica de aborto.

A medida permite que um agente de segurança ordene a dispersão imediata de uma aglomeração que impeça substancialmente o acesso ou a saída de unidades de saúde durante o horário de funcionamento.

A regra cria o que chamam de “leis de bolha”, estabelecendo zonas de amortecimento ao redor das clínicas. As violações podem ser punidas com até 18 meses de prisão e multas de US$ 10.000.

“Disposições inerentemente subjetivas e um sério perigo para a liberdade de expressão”, criticou a legislação Marie Tasy, diretora executiva da organização New Jersey Right to Life.

“Aconselhamento pacífico na calçada, oração, segurar cartazes ou simplesmente oferecer ajuda e alternativas em frente a uma instituição podem ser facilmente rotulados como intimidação por alguém que alega se sentir ameaçado, deixando os defensores da vida vulneráveis a acusações criminais difíceis de refutar e inibindo a liberdade de expressão constitucionalmente protegida”, afirmou a diretora.

Campanha contra as emendas

A Diocese de Arlington, na Virgínia, lidera uma mobilização para se opor a um referendo sobre uma emenda constitucional que poderia criar o direito ao aborto na constituição do estado. A ação também combate outra medida que revogaria a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A iniciativa “Católicos Votam Não” se opõe publicamente à “Emenda da Virgínia pelo Direito à Liberdade Reprodutiva” e à “Emenda da Virgínia para Remover a Proibição Constitucional do Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo”.

“Ameaças legais muito sérias à vida humana e ao casamento”, descreveu o bispo de Arlington, Michael Burbidge, em uma declaração em vídeo.

Alerta sobre os riscos

“Se incluídas na Constituição da Virgínia, essas emendas injustas seriam extremamente difíceis de reverter”, alerta o portal oficial da campanha.

O site completa que a alteração tornaria a Virgínia efetivamente um santuário para o aborto e para clínicas comerciais de interrupção da gravidez.

“Normas básicas de saúde e segurança que protegem as mulheres de danos seriam eliminadas, os pais seriam afastados de decisões que alteram a vida de suas famílias e filhos, e abortos não regulamentados seriam possíveis, realizados até mesmo em bebês saudáveis, até o momento do nascimento, por qualquer motivo e sem limites”, destaca ainda o texto da mobilização.

Disputa por termos legais

A organização pró-vida Live Action afirmou que não deixará de chamar o aborto de assassinato depois de receber ameaças de ação judicial. A notificação extrajudicial foi enviada pela Amplify Legal, um grupo jurídico que apoia o procedimento. A disputa gira em torno de alegações feitas pela Live Action em diversos artigos sobre casos em que o feto apresentava um diagnóstico grave com risco de vida.

“Cada uma de nossas clientes descreveu a decisão de interromper a gravidez desejada como a escolha mais compassiva para sua própria saúde, fertilidade futura e bem-estar familiar”, argumenta a carta do grupo jurídico.

 O documento sustenta que o portal repetidamente escreveu sobre as clientes matando seus bebês intencionalmente.

“Não vamos excluir anos de reportagens e comentários sobre a questão moral e política mais controversa da vida pública americana”, afirmou a Live Action em resposta à notificação.

“Estamos lutando por uma cultura e um sistema jurídico que respeitem toda vida humana e se recusem a tratar os doentes, os deficientes ou os nascituros como descartáveis”, pontuou Lila Rose, fundadora e presidente da Live Action.

“Ameaças legais contra nosso direito à liberdade de expressão, garantido pela Primeira Emenda, não mudarão essa missão”, reforçou a presidente.

Novo rumo após prisão

O pai católico Mark Houck está se juntando à equipe de desenvolvimento da organização CatholicVote como responsável pela captação de recursos. O pai de família está se adaptando à vida após a casa deles na zona rural do leste da Pensilvânia ter sido invadida por 20 agentes federais armados na madrugada de 23 de setembro de 2022.

Houck foi preso na frente de sua esposa e filhos e interrogado por seis horas. O incidente resultou em quase quatro anos de batalhas judiciais que terminaram com a família recebendo uma indenização milionária por danos.

“Ainda estou assimilando espiritualmente o que nos aconteceu algo muito profundo, e certamente Deus está revelando seu plano final para nós através de tudo isso, sendo o CatholicVote a direção mais recente que Ele nos deu”, revelou ele em entrevista para a emissora EWTN News.

“Estamos muito felizes por estarmos em uma organização que compartilha nossa paixão pela nossa fé, pela causa pró-vida e, claro, pela defesa de direitos na esfera pública”, acrescentou.

Atuação no espaço público

O papel de Houck na organização irá além de um captador de recursos, de acordo com Laurie Olsen, porta-voz da CatholicVote.

“Terá voz em todos os nossos esforços pró-vida”, afirmou a representante para a EWTN News.

“Medimos o sucesso uma pessoa de cada vez”, complementou Houck na entrevista.

“Salvar uma alma é salvar a sua própria. É essa única alma que me motiva e me faz levantar cedo para ir a Filadélfia e servir ao bem comum com ações de conscientização nas calçadas”, finalizou explicando.

Decisão federal anula lei

O Tribunal de Apelações do Sétimo Circuito dos Estados Unidos decidiu em 18 de agosto contra uma lei de Indiana que impedia médicos de fornecerem assistência para aborto a menores de idade sem o consentimento dos pais.

A decisão judicial de 54 páginas anulou integralmente a legislação estadual que exigia a autorização parental para auxiliar ou ajudar uma menor a obter o procedimento. O colegiado de magistrados afirmou na sentença que a exigência violava frontalmente as garantias da Primeira Emenda da constituição norte-americana.

Fonte: https://www.ewtnnews.com/world/us/advocates-warn-new-jersey-law-could-criminalize-prayer-outside-abortion-clinics

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