
O presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky afirmou que seria muito perigoso para o país organizar eleições enquanto luta contra a invasão russa. A posição rebate diretamente o que defendeu nesta semana o popular ex ministro da Defesa Mykhailo Fedorov.
Atualmente a Ucrânia mantém as eleições suspensas devido à lei marcial. Essa é uma medida que conta com amplo apoio da população para que o país se concentre exclusivamente na luta contra as tropas russas.
O debate no entanto voltou à pauta com a polêmica proposta do ex ministro. A demissão de Fedorov em julho provocou grandes protestos populares que não haviam sido registrados desde o início da invasão russa no ano de 2022.
“Acredito que em uma guerra como esta eleições como tais representam um enorme risco. Eleições neste momento são um tsunami para o país que vai dividir a Ucrânia”, afirmou o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky.
“Se quisermos destruir o país então podemos seguir na direção de eleições em tempos de guerra”, acrescentou o presidente de 48 anos.
Crise nos bastidores
Zelensky fez as declarações no sábado dia 22 durante um encontro com um grupo de jornalistas incluindo repórteres da agência AFP. Esse foi o primeiro encontro do tipo após meses marcados por diversas crises políticas.
A maior delas foi justamente a destituição de Fedorov o que levou milhares de pessoas às ruas para pedir o retorno dele ao cargo de ministro da Defesa. Ele é reconhecido como um ferrenho defensor da inovação tecnológica e promoveu reformas profundas no Exército.
Durante a semana Fedorov fez um apelo surpresa para que o país organizasse uma eleição mas não apresentou um plano sobre como isso deveria acontecer. Essa atitude provocou o distanciamento de alguns de seus próprios apoiadores.
Analistas apontaram uma série de obstáculos logísticos. Entre os principais problemas estão como votariam os soldados nas trincheiras os milhões de refugiados ucranianos e os moradores dos territórios ocupados. Soma se a isso a constante ameaça de desinformação por parte da Rússia.
Voz das pesquisas
Os números refletem a cautela da sociedade diante do cenário. Apenas 15% dos ucranianos acreditam que as eleições deveriam ser organizadas antes do fim da guerra segundo uma pesquisa oficial do Instituto de Sociologia de Kiev.
Durante o encontro com a imprensa Zelensky lançou inúmeras farpas contra seu oponente político.
“Acredito que ele está seguindo por conta própria ou está sendo empurrado para coisas erradas”, declarou o mandatário sobre Fedorov.
O ex ministro promoveu reformas importantes nas Forças Armadas e reforçou a estratégia de guerra com drones o que infligiu golpes duros às tropas e aos interesses russos. Mas ele acabou entrando em conflito direto com o comando militar e sua abordagem tradicionalmente rígida.
Em um primeiro momento a opinião pública ficou do lado dele e exigiu a demissão do comandante em chefe Oleksandr Sirski. O comandante acabou sendo destituído numa tentativa de abafar as manifestações.
Risco de ruptura
Zelensky afirmou que as pessoas têm o direito de protestar mas advertiu seriamente contra atitudes desrespeitosas em relação aos militares.
“Desde quando o marketing passou a ter mais peso do que as pessoas que estão dando suas vidas?”, questionou o líder ucraniano.
Após uma crise política que enfraqueceu sua posição Zelensky tentou se apresentar como um baluarte contra a divisão nacional.
“Acredito que a sociedade e os soldados não devem se dividir. Precisamos reconhecer que o risco existe que possa haver um movimento nessa direção de situações perigosas”, concluiu Volodymyr Zelensky.
Fonte: https://jovempan.com.br/mundo/zelensky-diz-que-eleicoes-na-ucrania-dividiriam-o-pais-enorme-risco/










