Presidente Figueiredo Com apenas duas celas, presídio de Presidente Figueiredo entra no radar da...

Com apenas duas celas, presídio de Presidente Figueiredo entra no radar da Defensoria

Foto: Divulgação/ DPE-AM

A fiscalização frequente do sistema prisional por órgãos de controle é um pilar indispensável para prevenir abusos e garantir o cumprimento das leis de execução penal. No Amazonas, onde as distâncias geográficas e as limitações de infraestrutura costumam isolar o interior, a atuação de campo ganha relevância estratégica.

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, na última sexta-feira (31/7), mais uma inspeção carcerária na unidade prisional do município de Presidente Figueiredo, localizado a 107 quilômetros de Manaus, com o objetivo de acompanhar as condições estruturais do espaço e a situação jurídica dos detentos.

Superlotação e reformas

A avaliação presencial trouxe dados concretos sobre a ocupação do estabelecimento. Atualmente, o local abriga 22 custodiados em uma estrutura com capacidade máxima fixada para 24 vagas. Embora o número de internos ainda esteja formalmente dentro do limite legal, a margem de operação próxima da lotação máxima exige vigilância constante para evitar o colapso e a sobrecarga do espaço.

A estrutura física atual é composta por apenas duas celas. O local passa por obras de reforma com a finalidade de expandir as instalações e assegurar adequações físicas mínimas para a população carcerária.

Defesa e vulnerabilidade

A rotina de vistorias mensais executada pelo órgão busca evitar o represamento de demandas jurídicas e monitorar a garantia de direitos fundamentais previstos na legislação. A defensora pública Mariana Paixão enfatizou a importância do acompanhamento direto para os internos e suas famílias.

“A nossa presença frequente é muito importante porque essas pessoas já estão em uma situação de hipervulnerabilidade, com grande parte dos seus direitos restringidos. Quando elas veem a Defensoria presente, sabem que têm com quem contar para regularizar documentos, solicitar benefícios previstos em lei e acompanhar seus processos. Esse acompanhamento também aproxima a Defensoria da população mais vulnerável, que é justamente o nosso papel”, afirma a defensora pública Mariana Paixão.

Procura e credibilidade

Para além da assistência direta aos detentos, a fiscalização rotineira gera impactos positivos na relação da instituição com a comunidade local.

  • Aumento expressivo na busca por atendimento jurídico criminal no município.
  • Acompanhamento de demandas por parte de familiares dos apenados.
  • Ampliação do acesso à Justiça para os demais moradores de Presidente Figueiredo.
  • Fortalecimento do reconhecimento institucional e da credibilidade do órgão perante a sociedade.

A defensora ressaltou como essa constância transforma a percepção pública sobre a instituição.

“Com essa atuação mensal, percebemos um aumento na procura pelos atendimentos criminais, tanto por familiares das pessoas privadas de liberdade quanto pelos próprios moradores do município, que passaram a reconhecer a presença constante da Defensoria. Isso amplia a credibilidade da instituição e facilita o acesso da população aos nossos serviços”, destaca a defensora pública Mariana Paixão.

Desafios no interior

A atuação contínua da Defensoria Pública em unidades prisionais do interior do Amazonas cumpre papel decisivo para impedir que a privação de liberdade se transforme em degradação das condições humanas. A ampliação do espaço físico da unidade de Presidente Figueiredo e a manutenção do fluxo de atendimentos mostram-se medidas necessárias.

Contudo, o grande desafio permanece em garantir que as reformas estruturais sejam concluídas com rapidez e que a presença institucional seja permanente em todas as calhas dos rios do estado.

Fonte: ASCOM | Aline Ferreira/DPE-AM

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