
Os Estados Unidos começaram a deslocar para a Colômbia e para o Equador os drones MQ-9 Reaper, aeronaves militares de grande porte capazes de permanecer por longos períodos no ar, acompanhar alvos no solo e realizar ataques com mísseis e bombas guiadas.
A informação foi divulgada na terça-feira (6/10) pelo jornal americano The New York Times, revelando que os equipamentos estavam anteriormente na África e agora passam a integrar a ofensiva americana contra o narcotráfico e organizações criminosas na América do Sul.
Ainda não se sabe ao certo quantos drones serão enviados no total para a região. No entanto, na sexta-feira (2/10), o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, afirmou à emissora Ecuador TV que dois modelos MQ-9 já haviam sido entregues ao país e encontravam-se em operação. Paralelamente, a Colômbia acertou o recebimento de outros três aparelhos e avalia a aquisição de uma quarta unidade.
O Reaper é utilizado pela Força Aérea americana em missões estratégicas de vigilância, reconhecimento e ataque. Desenvolvido para encontrar alvos, determinar a localização exata e destruí-los quando necessário, o equipamento ficou conhecido mundialmente como drone caçador-assassino.
Especificações técnicas impressionantes
O modelo MQ-9 possui dimensões expressivas, muito superiores às dos drones comuns de filmagem. A aeronave mede 11 metros de comprimento e apresenta 20,1 metros de uma ponta da asa à outra, envergadura comparável à de aviões comerciais de pequeno porte. Vazio, o equipamento pesa pouco mais de 2,2 toneladas, podendo atingir até 4,7 toneladas na decolagem quando carregado com combustível, sistemas e armamentos.
Equipado com um motor Honeywell de 900 cavalos de potência, o drone alcança velocidade de cruzeiro de aproximadamente 370 quilômetros por hora. De acordo com a Força Aérea dos EUA, a plataforma atinge cerca de 15,2 quilômetros de altitude e possui alcance operacional de 1.850 quilômetros. Toda a operação é realizada totalmente à distância, sem tripulantes a bordo.
Enquanto o piloto permanece em uma estação de controle em terra, outro militar acompanha as imagens e opera os sensores remotamente.
As câmeras e os sensores infravermelhos integrados permitem ao Reaper sobrevoar uma mesma área durante horas, monitorando a movimentação de pessoas, veículos e embarcações inclusive durante o período noturno.
Os sistemas identificam a posição do alvo, transmitem dados às equipes terrestres e utilizam designadores para orientar armamentos de precisão. Na luta contra o crime organizado, o aparelho ajuda a localizar embarcações clandestinas, rastrear veículos suspeitos e mapear instalações ocultas, compartilhando coordenadas em tempo real com militares e policiais.
Poder bélico e missões
Além dos recursos de vigilância, o MQ-9 transporta aproximadamente 1,7 tonelada de carga útil em armamentos. Entre os equipamentos instalados estão os mísseis AGM-114 Hellfire e as bombas guiadas GBU-12 Paveway II e GBU-38 JDAM, o que permite disparar contra um alvo sem a necessidade de deslocar outras aeronaves. O governo americano já utilizou a tecnologia em operações contra grupos terroristas no Oriente Médio e na África, a exemplo das ações na Somália contra o Al-Shabaab, grupo ligado à Al-Qaeda.
A missão prioritária das aeronaves na América do Sul foca na vigilância de áreas estratégicas do tráfico de drogas, fornecendo relatórios detalhados para as forças de segurança colombianas e equatorianas. Embora não exista confirmação oficial de autorização para ataques armados nesses países, o chefe do Comando Sul dos EUA, general Francis Donovan, afirmou em setembro que Washington estuda a realização de ataques terrestres contra esconderijos e instalações de facções criminosas na região.
Ações recentes na região
Essa movimentação responde a uma mudança de prioridade do governo de Donald Trump, que colocou a proteção do Hemisfério Ocidental e o combate ao narcotráfico no topo das atenções do Pentágono. A presença militar na América do Sul segue em expansão desde o ano passado, quando os americanos enviaram drones MQ-9, caças F-35 e o avião de ataque AC-130 para o Caribe contra rotas de entorpecentes, ofensiva que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro.
Ao mesmo tempo, Colômbia e Equador aprofundaram parcerias militares com Washington. No Equador, tropas americanas participaram este ano de ações conjuntas contra o crime organizado. Na Colômbia, um drone Vector cedido pelos EUA ajudou a localizar e libertar oito pessoas sequestradas pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) na região de Catatumbo em setembro. No mesmo mês, aeronaves fornecidas pelos americanos permitiram capturar Norbey Goez Sepúlveda, integrante do Clan del Golfo, na zona rural de Turbo, no departamento de Antioquia.
Reflexos na soberania continental
O emprego de uma tecnologia de vigilância e ataque tão avançada representa um alívio para populações que sofrem com o avanço do narcotráfico, ao mesmo tempo em que desperta debates profundos sobre os limites da intervenção internacional. O sucesso do resgate de reféns e da captura de lideranças criminosas demonstra a utilidade prática da cooperação tática na preservação de vidas. No entanto, o eventual uso de ataques remotos exige cautela e alinhamento transparente entre os países envolvidos. Fortalecer a segurança continental é indispensável, desde que as ações garantam a paz e respeitem rigorosamente a autonomia das nações sul-americanas.











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