
A mobilidade urbana em Manaus deu um salto tecnológico significativo com a implementação de um sistema piloto de Inteligência Artificial (IA) no Terminal de Integração 1 (T1). A iniciativa da Prefeitura de Manaus, coordenada pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) em parceria com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), busca enfrentar um dos maiores gargalos da capital, a insegurança nos terminais.
Operando desde março, a tecnologia utiliza câmeras de alta resolução para ir além do simples registro de imagens, transformando a vigilância em uma ferramenta ativa de repressão ao crime e gestão de fluxo.
Tecnologia de monitoramento ativo
O sistema instalado no T1 conta com 28 câmeras que cobrem integralmente as plataformas alta e baixa. O diferencial desta tecnologia está na capacidade analítica de identificar comportamentos fora da normalidade de forma automatizada. Através do monitoramento constante, o Centro de Controle Operacional (CCO) consegue detectar diversas irregularidades em tempo real.
- Identificação de indivíduos armados e reconhecimento facial de foragidos da justiça.
- Detecção de furtos, agressões físicas e atos de vandalismo no patrimônio público.
- Monitoramento de evasão de tarifa e controle exato do fluxo de passageiros por linha.
- Sensores acústicos e olfativos em banheiros para detectar pedidos de socorro ou uso de substâncias ilícitas.
Integração com as forças de segurança
A eficiência do novo sistema já apresentou resultados concretos com o auxílio do Núcleo de Repressão a Roubos no Transporte Coletivo e Rotas (Nurrc). Recentemente, um homem com mandado de prisão em aberto foi identificado pela IA ao entrar no terminal.
O alerta imediato permitiu que a Ronda Ostensiva Municipal (Romu) realizasse a prisão do suspeito ainda dentro do ônibus.
Essa integração entre tecnologia e pronta-resposta das equipes de segurança é fundamental para elevar a sensação de proteção dos usuários que transitam diariamente pela avenida Constantino Nery.
Gestão estratégica da frota
Além do aspecto policial, a Inteligência Artificial (IA) atua diretamente na engenharia de tráfego. Ao calcular em tempo real o número de passageiros que utilizam cada ponto e linha, o sistema fornece dados precisos para o planejamento das frotas.
“Essa tecnologia nos permite aliar controle de segurança e eficiência de gestão”, afirmou o vice-presidente de trânsito, Uarodi Guedes.
Com esses números em mãos, o IMMU consegue adequar a oferta de ônibus à demanda exata da população, evitando lotações desnecessárias e otimizando o tempo de espera.
Inovação nos ambientes fechados
Um dos pontos mais inovadores do projeto piloto é o monitoramento de áreas críticas, como os banheiros. Nesses locais, onde a privacidade impede o uso de câmeras, foram instalados sensores acústicos e olfativos.
Os equipamentos são configurados para identificar sons de disparos, quebra de materiais e pedidos de ajuda. Além disso, a detecção de odores específicos aciona automaticamente as equipes de segurança ou de limpeza, garantindo que o ambiente seja mantido em condições adequadas de uso e livre de ilegalidades.
Expansão para toda a capital
O sucesso da operação no T1 pavimenta o caminho para a expansão do projeto. A previsão da prefeitura é que o sistema de câmeras inteligentes seja estendido a todos os Terminais de Integração (T2, T3, T4 e T5) e às Estações de Transferência em todas as zonas da cidade.
Para o passageiro, a tecnologia representa uma camada extra de proteção em um sistema historicamente vulnerável.
A integração entre o poder público e o setor privado através do Sinetram sinaliza que a segurança no transporte coletivo de Manaus entrou em uma fase de modernização sem volta, priorizando a integridade do cidadão e a inteligência nos dados.
ASCOM: Álisson Castro/IMMU










