Cristão A única vila cristã da Cisjordânia enfrenta cerco e ameaça de extinção

A única vila cristã da Cisjordânia enfrenta cerco e ameaça de extinção

Foto: Pixabay / Steve Haselden

A permanência da presença cristã no Oriente Médio enfrenta um dos períodos mais críticos de sua história. A vila de Taybeh localizada na Cisjordânia sofre com severas restrições impostas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) e com a pressão contínua de colonos radicais. Em meio ao conflito o cardeal Pierbattista Pizzaballa visitou comunidades locais na Cisjordânia incluindo as regiões de Taybeh e Jenin.

Durante a agenda o líder religioso celebrou a missa na solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em 15 de agosto na Igreja Latina de Cristo Redentor e assegurou aos moradores que a Igreja não vai abandonar a população local.

Resistência cristã de milênios

A localidade possui um valor histórico singular para o patrimônio religioso do planeta. Em entrevista concedida em 24 de agosto ao programa “EWTN News Nightly” o presidente da Associação Católica para o Bem-Estar do Oriente Próximo (CNEWA) monsenhor Peter Vaccari explicou o significado geopolítico e espiritual do povoado. A agência papal fornece apoio humanitário e pastoral aos cristãos em todo o Oriente Médio.

Segundo Peter Vaccari o município de Taybeh representa um território habitado por seguidores de Jesus há dois mil anos. O local destaca a população cristã indígena e permanece até os dias atuais como a única vila verdadeiramente cristã que resta em toda a Cisjordânia.

Cerco militar e econômico

A rotina da comunidade foi profundamente alterada por uma ordem militar israelense emitida em julho. A resolução declarou a área de Taybeh e Rimon como zona militar fechada proibindo a entrada ou a permanência de israelenses e estrangeiros. O perímetro decretado pelas autoridades inclui parte da área construída do município terras agrícolas vitais além de locais religiosos e históricos.

O diretor de comunicações da CNEWA Michael J. L. LaCivita detalhou em entrevista ao programa “EWTN News Nightly” no dia 21 de agosto o impacto direto dessas restrições sobre os moradores que temem perder suas casas e fontes de subsistência. A presença do cardeal serviu para tranquilizar as famílias e garantir que o mundo não as esqueceu.

Historicamente caracterizada como uma vila agrícola movimentada e cercada por olivais e laranjais a localidade vive atualmente sob estado de cerco. As Forças de Defesa de Israel cercaram o povoado impedindo a circulação de pessoas enquanto os campos agrícolas sofrem com incêndios e atos de violência. A escalada atingiu inclusive a antiga igreja dedicada a São Jorge figura venerada por cristãos e muçulmanos na Palestina que acabou vandalizada e incendiada no ano passado.

Aumento da perseguição local

A hostilidade contra a população local intensificou a crise sanitária e econômica. Peter Vaccari relatou que colonos radicais assumem atitudes agressivas ao desfigurar símbolos religiosos interferir nos empreendimentos comerciais de Taybeh e ocupar espaços sem respaldo jurídico praticando uma clara violação do direito internacional.

Diante do cenário de isolamento a liderança católica buscou fortalecer a postura da comunidade. Na homilia do dia 15 de agosto o cardeal Pierbattista Pizzaballa definiu o povo de Taybeh como a voz cristã que fala em favor da justiça e do desejo de diálogo com todas as pessoas. O bispo exortou os fiéis a guardarem os corações contra o desespero e a contaminação moral mantendo a luta firme pelos princípios do direito.

A mensagem do cardeal

Durante a celebração o cardeal expressou a dimensão da fé diante da impossibilidade de soluções imediatas na esfera política. “Posso não ter respostas no nível humano e mundano, mas acredito em Deus. E tenho certeza de que, nele, podemos continuar a dar à luz a vida, mesmo aqui em Taybeh”, afirmou Pierbattista Pizzaballa.

O líder religioso reafirmou o compromisso institucional com a permanência dos fiéis na região. “Continuaremos a fazer tudo ao nosso alcance para preservar a presença eclesial aqui, em todos os níveis em toda a Terra Santa”, declarou Pierbattista Pizzaballa.

Ações de apoio humanitário

A manutenção da comunidade exige um esforço conjunto entre conscientização e ajuda prática. Michael J. L. LaCivita destacou que a oração constante e a busca ativa pela justiça são os únicos caminhos possíveis para alcançar a paz e a unidade sem as quais não existe estabilidade social.

Paralelamente às orações os fiéis podem colaborar com instituições como a CNEWA que trabalham no terreno para fornecer água comida e suprimentos essenciais para a sobrevivência das famílias isoladas pelas operações militares.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/cristaos-da-terra-santa-temem-perder-suas-casas-e-meios-de-vida/

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