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Aviões da FAB usam tecnologia especial para despejar milhares de litros de água sobre queimadas no Amazonas

Fotos: Divulgação/ ASCOM

Respirar ar puro virou um privilégio raro para quem mora no Amazonas nas últimas semanas. A fumaça densa das queimadas que encobre Manaus e diversas cidades do interior escancara a urgência de respostas rápidas para combater o fogo que consome a vegetação. Ativado pelo Ministério da Defesa (MD) no último domingo, 18 de outubro, o “Comando Operacional Conjunto AMAZONAS” reforçou as ações de combate aos incêndios florestais no Estado.

Até a última terça-feira, 20 de outubro, a Força Aérea Componente (FAC) já tinha lançado 460 mil litros de água sobre as chamas, em uma corrida contra o tempo para aliviar o sofrimento da população e proteger a biodiversidade.

Operação e tecnologia aérea

A atuação da Força Aérea Brasileira (FAB) concentrou forças nas áreas onde o fogo avança com mais intensidade no leste amazonense, atingindo especialmente os municípios de Parintins, Itacoatiara e Caapiranga. Para conter as labaredas, os militares utilizam o sistema MAFFS, sigla em inglês para sistema modular de combate a incêndios aéreos.

O equipamento fica instalado na aeronave KC-390 Millennium e consegue pressurizar até 12 mil litros de água por viagem. O sucesso do lançamento exige precisão extrema do piloto, que precisa voar em baixa altitude e velocidade reduzida sobre as áreas queimadas.

Chuva artificial biodegradável

Na segunda-feira, 19 de outubro, um segundo avião KC-390 Millennium entrou em operação na região utilizando a tecnologia CAFFS, sistema de recipientes de papelão reforçado com interior impermeável. Cada caixa armazena até mil litros de água e se desmancha no ar assim que é lançada pela rampa traseira da aeronave.

O processo cria uma espécie de chuva artificial capaz de apagar focos de difícil acesso em solo. A operação lança até 19 recipientes de uma só vez, despejando 19 mil litros de água em uma única investida. Todo o material descartado é biodegradável e vira adubo natural ao entrar em contato com o solo da floresta amazônica.

Fumaça e remanejamento urgente

Enquanto os cargueiros pesados atuam no leste do Estado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ataca os incêndios na Região Metropolitana de Manaus.

Com o apoio de aviões do modelo Air Tractor, capazes de transportar três mil litros de água por voo, o combate foca em municípios com focos críticos:

    • Autazes
    • Cacau Pirêra
    • Iranduba
    • Careiro Castanho
    • Careiro da Várzea

Devido à grave crise respiratória gerada pela fumaça que paira sobre a capital há dias, quatro das seis aeronaves que sobrevoavam a Região Metropolitana foram redirecionadas para reforçar os trabalhos em Parintins e Itacoatiara, ponto de origem de grande parte do ar poluído que sopra em direção a Manaus.

Ações integradas em solo

Com o reforço das Forças Armadas em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas (CBMAM), a estrutura de combate conta com 18 aeronaves. Aviões e helicópteros da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro garantem apoio logístico para o deslocamento das equipes em solo do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PREVFogo). Um dos helicópteros da Marinha do Brasil também faz lançamentos diretos de água usando o equipamento conhecido como Bambi Bucket.

No apoio fluvial, a Marinha do Brasil mobilizou os navios patrulha fluviais NPa FLu Raposo Tavares e NPa FLu Rondônia, atracados na Estação Naval em Manaus. As embarcações devem transportar 50 brigadistas do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas (1º Bl Op Rib) para áreas estratégicas. As missões de combate aos incêndios continuam ao longo da semana, com mapeamento diário de alvos feito pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) em parceria com o Ibama.

Fonte: ASCOM | Tenente Sá Dias

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