
Em um bate-papo descontraído e cheio de emoção às margens do Rio Tarumã-Açu, em Manaus, o apresentador Dudu Monteiro recebeu uma convidada muito especial em seu programa “DuduCast“.
A entrevistada foi a empresária Ana Maria Scognamiglio, responsável pelo tradicional Bar e Restaurante Peixe-Boi, um flutuante histórico que acolhe moradores e turistas com a verdadeira hospitalidade cabocla.
A história de Ana na floresta amazônica começou por um feliz acaso do destino. Nascida na capital de São Paulo e filha de pais imigrantes apaixonados pela natureza, ela cresceu acostumada a plantar árvores pelas ruas e a cuidar de animais.
No entanto, a conexão definitiva com a Região Norte aconteceu por causa de um imprevisto em suas férias.
Ana planejava viajar para Miami, nos Estados Unidos, mas não encontrou passagens aéreas disponíveis no período.
Foi quando sua irmã deu a ideia de mudar a rota e embarcar para a capital amazonense para relaxar na beira da piscina do Hotel Tropical, tomar uma caipirinha e passear de barco.
O que seria apenas uma semana de descanso transformou a vida da paulistana para sempre.
Um encontro marcante
Durante os passeios pelas comunidades ribeirinhas, um momento marcante selou a decisão de Ana. Em um local isolado e sem energia elétrica, ela precisou agir rapidamente para prestar socorro a uma mulher ribeirinha que enfrentava uma grave hemorragia.
Usando bolsas de gelo e o conhecimento prático que adquiriu quando trabalhou em hospital, Ana conseguiu ajudar a salvar a moradora.
“Estar naquele lugar na escuridão total e perceber que eu podia ser útil para alguém me marcou muito”, revelou a empresária Ana ao relembrar o momento em que decidiu morar na Amazônia.
Vida sobre as águas

O estabelecimento de Ana funciona sobre o Flutuante Peixe-Boi, uma estrutura sólida montada há cerca de 50 anos sobre toras de assacu, uma madeira regional conhecida por flutuar por décadas sem apodrecer.
Para a empresária, morar no rio exige um aprendizado diário e a humildade de se adequar ao ritmo dos rios e das secas.
Durante a gravação do “Duducast”, Dudu Monteiro destacou a sensação de paz que o ambiente transmite aos visitantes.
De forma descontraída, o apresentador lembrou que a água é o elemento central da vida humana.
“O resto é resto, nosso corpo é 75% água e um pouco de carne e cartilagem“, comentou Dudu Monteiro enquanto contemplava o cenário natural.
“A água é o meu ponto de equilíbrio. É um lugar onde não criei raízes porque a água não tem raiz, mas é exatamente onde quero continuar vivendo”, afirmou a entrevistada.

Luta pela preservação
Mesmo cercada por uma imensidão hídrica, a manutenção do flutuante exige responsabilidade ecológica.
Manaus vivencia o contraste de ser uma das capitais com menor índice de área verde urbana no país, apesar de estar no coração da maior floresta tropical do mundo.
Na região do Tarumã-Açu, o acúmulo de garrafas plásticas jogadas na água representa o maior desafio ambiental da comunidade.
Ao longo de sua trajetória, Ana esteve na linha de frente de diversas ações de conservação na região:
- Educação ambiental nas escolas com a criação do projeto “SOS Rio Tarumã”, unindo professores e moradores para ensinar crianças ribeirinhas e indígenas que hoje, já adultas, ajudam no recolhimento do lixo.
- Gestão comunitária de bacias por meio da criação do Comitê de Bacia Hidrográfica, a primeira iniciativa desse tipo no Norte do Brasil, onde Ana atuou como primeira presidente.
- Saneamento e tratamento de resíduos com a instalação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com reator de dejetos doado pela Secretaria do Meio Ambiente na década de 1990 e constantemente modernizado.
- Destinação responsável do lixo com a separação dos materiais recicláveis para o outro lado da margem e a doação dos resíduos orgânicos para alimentar os animais da vizinhança.
Sabor da Amazônia
Após abordarem as lutas ambientais e o cotidiano no rio, a entrevista foi encerrada com uma homenagem à gastronomia regional. Quando o apresentador Dudu Monteiro perguntou sobre qual peixe melhor representa o sabor da região para quem quer matar a saudade da terra, a resposta de Ana foi imediata.
“O peixe que eu mais adoro é o tucunaré, feito em uma saborosa caldeirada de tucunaré. Sempre que chego de viagem, minha cozinheira prepara essa refeição especial para mim”, contou Ana.
A gravação foi finalizada com o apresentador e toda a equipe do programa reunidos à mesa para saborear o prato regional preparado no próprio restaurante flutuante, reafirmando o espaço como um verdadeiro patrimônio de cultura, sabor e preservação na Amazônia.
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