
Fazer compras no supermercado e manter as contas domésticas em dia tornou-se um desafio diário para as famílias brasileiras. Entre 2022 e 2026, período que compreende a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os preços de alimentos essenciais e produtos de higiene pessoal acumularam aumentos expressivos que chegaram a superar 60% em determinados itens. Um levantamento do Instituto Mises, elaborado com base em dados do Procon de São Paulo e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, aponta a dimensão do encarecimento de itens básicos no orçamento popular.
A análise compara os valores médios registrados em 2022, ano anterior ao início do atual mandato presidencial, com as cotações verificadas em 2026. Embora os dados não representem a medição da inflação geral de toda a economia, eles refletem a pressão direta sofrida pelos consumidores nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais.
Aumentos nos itens essenciais
Entre os produtos monitorados pelo estudo, o café em pó liderou o ranking de reajustes, acompanhado por altas expressivas em itens de higiene pessoal, combustíveis e itens de primeira necessidade.
A variação detalhada dos seis produtos analisados apresenta os seguintes dados
- O café em pó tradicional na embalagem de 500 gramas saltou de R$ 15,48 em 2022 para R$ 24,86 em 2026, acumulando uma alta de 61%
- O desodorante spray subiu de R$ 7,32 para R$ 11,21 por unidade, registrando um avanço de 53%
- A gasolina teve o preço do litro elevado de R$ 4,93 para R$ 6,53, o que representa um crescimento de 32%
- O tubo de creme dental de 90 gramas passou de R$ 4,05 para R$ 5,23, com aumento de 29%
- O litro de leite longa vida subiu de R$ 4,61 para R$ 5,72, resultando em uma variação positiva de 24%
- A carne de primeira encareceu de R$ 42,01 para R$ 50,49 o quilo, apresentando uma elevação de 20%
Esses aumentos afetam diretamente o poder de compra da população, exigindo reorganização financeira das famílias para manter o consumo diário de itens fundamentais.
O indicador do IBGE
Para compreender o contexto econômico amplo desse período, cabe analisar a trajetória do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O indicador oficial da inflação no país registrou altas de 5,79% em 2022, 4,62% em 2023, 4,83% em 2024 e 4,26% em 2025. Em setembro de 2026, o índice subiu 0,82% no mês e acumulou uma alta de 4,58% em 12 meses, teto acima do limite de 4,5% estabelecido para a meta inflacionária.
Existe uma distinção metodológica importante entre os dois levantamentos. O IPCA mede a variação de preços de uma cesta ampla e diversificada de bens e serviços consumidos pelas famílias. Já o levantamento do Instituto Mises isola os preços médios de apenas seis produtos específicos de consumo recorrente. Por medirem recortes diferentes da economia, as variações apuradas não precisam necessariamente coincidir.
A taxa de juros
Diante do cenário de pressão sobre os preços, a taxa básica de juros permanece em níveis elevados como instrumento de contenção. A Selic estava fixada em 13,75% ao ano no encerramento de 2022, subiu para 15% em janeiro de 2026 e recuou para 13,75% em setembro do mesmo ano.
O Banco Central utiliza a taxa Selic para controlar a inflação, influenciando diretamente o custo do crédito, o acesso ao financiamento e o ritmo de consumo no país. Apesar do recuo observado em relação ao pico atingido no início de 2026, a taxa básica de juros permanece no mesmo patamar nominal registrado no fim de 2022, evidenciando o esforço contínuo da autoridade monetária para equilibrar os preços e assegurar a estabilidade econômica nacional.










