
Ao contratar um empréstimo, olhar primeiro para o percentual de juros é um hábito muito comum. Porém, em operações de longo prazo, existe outra pergunta que pode ser tão importante quanto essa: o que acontece com essa taxa depois que o contrato é assinado?
A resposta depende do indexador da operação. Segundo Ugo Roveda, Head Comercial do Banco Bari, em um empréstimo atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, a inflação influencia diretamente a evolução do crédito. Já em uma operação com taxa pré-fixada, o percentual de juros é definido no momento da contratação e não acompanha as oscilações futuras da inflação.
Essa diferença ganha importância em períodos de incerteza econômica. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto e acumula alta de 4,22% em 12 meses. Para 2026, o relatório “Boletim Focus”, divulgado pelo Banco Central (BC), projeta inflação de 4,99%, valor que fica acima do teto da meta de 4,5%.
“Em um crédito de longo prazo, o cliente não deveria olhar apenas para a taxa anunciada. É preciso entender como ela é composta e quais fatores podem fazer o custo da operação variar ao longo do tempo. A taxa pré-fixada é uma alternativa para quem valoriza maior previsibilidade e quer retirar o IPCA dessa equação”, explica Roveda.
Entenda a taxa
Para demonstrar o que significa, na prática, contratar uma taxa pré-fixada, o profissional destaca dois exemplos. Na primeira operação, os juros são compostos por uma taxa somada ao IPCA. Se a inflação variar, ela terá impacto sobre a operação, fazendo com que o custo do crédito acompanhe as condições econômicas ao longo do contrato.
Na segunda modalidade, a taxa de juros é pré-fixada. O percentual é estabelecido na contratação e não muda em função da inflação.
“Não significa que uma modalidade seja necessariamente melhor que a outra. A questão é a previsibilidade. Para quem tem um orçamento mais sensível a oscilações ou precisa planejar um compromisso financeiro de vários anos, saber como o custo do crédito pode se comportar é parte importante da decisão”, afirma o porta-voz.
Armadilha da taxa
A questão sobre se a taxa mais baixa é sempre a melhor escolha exige uma avaliação detalhada. Para o especialista, uma taxa nominal menor não conta toda a história de um empréstimo.
“Uma taxa nominal menor não conta toda a história de um empréstimo. Em uma operação de longo prazo, o consumidor precisa considerar indexador, prazo, custo efetivo total, valor das parcelas e sua própria capacidade de pagamento. Uma diferença aparentemente pequena na taxa pode ter efeitos relevantes ao longo dos anos, e o comportamento do indexador também precisa entrar nessa conta”, reforça Roveda.
O porta-voz ressalta que é justamente por isso que a modalidade de empréstimo com garantia de imóvel, conhecida como home equity, exige uma análise diferente de linhas de crédito de curto prazo. Como o prazo pode chegar a 20 anos, a previsibilidade passa a ter um peso maior na organização financeira.
A modalidade vem ganhando espaço no país. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), as concessões de home equity chegaram a R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,9% sobre o mesmo período de 2025. A carteira atingiu R$ 34,1 bilhões, um crescimento de 27% em 12 meses.
Escolha do indexador
A escolha entre IPCA e uma estrutura pré-fixada não deve ser feita olhando apenas para o cenário econômico de hoje. O consumidor precisa considerar também quanto tempo pretende permanecer com a dívida e quão confortável está em assumir uma parcela cujo comportamento pode sofrer influência da inflação.
O ponto é especialmente relevante em um cenário de endividamento elevado. Em agosto, a Serasa contabilizou 83,9 milhões de inadimplentes, maior número da série histórica. Ao mesmo tempo, modalidades de crédito sem garantia permanecem caras. O rotativo do cartão chegou a 444,9% ao ano, segundo o BC, enquanto o empréstimo pessoal registrou taxa média de 8,23% ao mês, de acordo com o Procon-SP.
Nesse contexto, o home equity pode ser utilizado para diferentes finalidades:
- Reorganizar dívidas acumuladas com taxas mais altas;
- Financiar uma reforma no imóvel;
- Obter recursos para investir em um negócio.
Independentemente do objetivo, entender como a dívida vai se comportar ao longo do tempo é tão importante quanto conseguir o dinheiro.
“Crédito não deveria ser uma decisão baseada apenas no número que aparece na propaganda. O consumidor precisa entender o que está por trás daquela taxa e escolher a estrutura que conversa com sua realidade financeira. Quanto maior o prazo, mais importante fica essa análise”, conclui Roveda.
Sobre o Banco Bari
Com mais de 31 anos de atuação e sede em Curitiba, o Bari é um conglomerado pioneiro em empréstimo com garantia de imóvel no Brasil. A companhia reúne nove empresas com competências complementares, permitindo que toda a cadeia de concessão, gestão e securitização de crédito seja realizada internamente. Integram o ecossistema do grupo o Banco Bari, Bari Hipotecária, Bari Promotora, Cebraco, Bari Securitizadora, Bari Asset, Bari Seg, Bari Service e Bari Tecnologia. Além de sua expertise em empréstimo com garantia de imóvel, o Bari oferece soluções como crédito consignado, investimentos e securitização imobiliária.
ASCOM: Thaiza Ribeiro










