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Rio Negro baixa e deixa à mostra o lixo acumulado nas margens de Manaus

Foto: João Viana/Semcom

A seca nos rios amazônicos volta a escancarar uma realidade incômoda na capital do Amazonas. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), realizou neste domingo (27/9) a 8ª operação de transbordo de resíduos do ano.

A ação transportou para o aterro sanitário mais de 400 toneladas de lixo recolhidas ao longo de 54 dias, entre 2 de agosto e 26 de setembro. O volume supera a média mensal do serviço, fixada em aproximadamente 300 toneladas, evidenciando o impacto do descarte irregular nas margens do rio Negro e nos leitos de igarapés.

O nível baixo das águas facilitou o acesso de equipes e máquinas a trechos antes submersos, permitindo uma limpeza mais abrangente na faixa de terra exposta. No entanto, a quantidade expressiva de dejetos recolhidos escancara a urgência de avançar no combate ao descarte inadequado de resíduos na cidade.

“Neste período de seca, nosso foco principal é a limpeza, pois é o momento em que conseguimos evidenciar o acúmulo causado pelo descarte irregular. Muitos resíduos que parecem inofensivos tornam-se visíveis nas margens à medida que o nível do rio baixa”, explicou o coordenador da Limpeza da Orla de Manaus, Marlon Chagas de Lima.

Mobilização de grande porte

A força-tarefa exigiu uma operação logística complexa para retirar o material acumulado na orla da cidade, em trechos de igarapés que ainda não contam com ecobarreiras e nos coletores flutuantes instalados em comunidades rurais e indígenas. A estrutura envolveu mais de 500 profissionais e equipamentos de grande porte.

  • Uso de aproximadamente 20 caçambas e duas máquinas de grande porte;
  • Emprego de unidades fixas da secretaria e três balsas de transporte;
  • Uso de embarcação menor para atendimento de coletores em comunidades fluviais.

“Aproveitamos os locais onde o acesso de máquinas é viável para realizar a raspagem e a coleta. Contamos com mais de 500 profissionais atuando ao longo da orla de Manaus, direcionando todo esse material para balsas, que posteriormente fazem o transporte para o destino correto, que é o aterro sanitário”, afirmou Marlon Chagas de Lima.

Parcerias e conscientização

Além da rotina institucional, ações conjuntas buscaram ampliar o alcance da limpeza. No sábado (26), equipes da Semulsp atuaram na área da marina do Davi em parceria com o grupo “Remada Ambiental”, que promove atividades periódicas de preservação e conscientização na região.

“Faço um apelo aos moradores para que se conscientizem sobre a importância de descartar o lixo nos horários corretos de coleta. Isso evita que os resíduos sejam espalhados e, principalmente, que sejam levados pelas chuvas para dentro do Rio Negro”, destacou Marlon Chagas de Lima.

Análise do cenário

A remoção de mais de 400 toneladas de lixo durante o período de estiagem demonstra a eficiência operacional das equipes municipais, mas também expõe os limites das ações remediativas. O recolhimento intensivo na seca ameniza o impacto ambiental visível, contudo a solução definitiva para os mananciais de Manaus depende de maior rigor na fiscalização, expansão da infraestrutura de contenção nos igarapés e uma transformação profunda no comportamento de descarte da própria população.

Fonte: ASCOM | Dora Tupinambá/Semulsp

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