
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, iniciou uma rodada de conversas com os integrantes do tribunal para tentar gerir a grave crise institucional instaurada na Corte. A informação, divulgada pela jornalista Andreza Matais no portal Metrópoles, aponta que as reuniões individuais ou em grupo devem ocorrer nos próximos dias para avaliar os caminhos de pacificação do tribunal.
Fachin estuda medidas sobre a situação do ministro Alexandre de Moraes, mas interlocutores alertam que nenhuma decisão avançará sem o respaldo unânime dos magistrados.
A construção de uma saída enfrenta resistências internas. Caso surja uma proposta para o afastamento temporário de Moraes até a conclusão das análises, o grupo aliado ao ministro exige reciprocidade em relação ao ministro André Mendonça.
Moraes acusa Mendonça, relator do “Caso Master”, de atuar de forma parcial e de direcionar investigações ilegais para atingi-lo.
Tensão no plenário
A possibilidade de convocar uma reunião presencial do plenário do STF gera apreensão entre os magistrados. O nível de atrito interpessoal entre os ministros indica riscos para a condução dos trabalhos.
Os pontos de tensão na rotina da Corte incluem:
- Um integrante do tribunal resumiu o clima tenso ao afirmar que “se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”.
- Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ocupam cadeiras lado a lado no plenário devido à ordem de antiguidade.
- Ambos já protagonizaram um embate severo que esteve próximo do confronto físico.
- O uso do plenário virtual surge como alternativa para julgamentos eletrônicos sem a necessidade de encontro presencial.
Atos de setembro
As manifestações do 7 de Setembro eram monitoradas pelos magistrados como um potencial fator de pressão externa. A avaliação interna indicava que o impacto sobre o tribunal seria significativo se os atos reunissem uma massa expressiva de cidadãos sem vínculos partidários.
Como a pauta contra a Corte foi predominantemente absorvida por grupos de direita, a pressão política sobre os ministros perdeu a abrangência esperada.
No entendimento dos magistrados, a reação institucional seria diferente se a insatisfação popular demonstrasse um caráter suprapartidário no eleitorado.
Origem do conflito
O desgaste institucional se intensificou após a revelação feita pela coluna de Andreza Matais sobre o andamento das apurações. O ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal (PF) identificasse com quem o banqueiro Daniel Vorcaro trocava mensagens.
O relatório da PF apontou que o interlocutor era o ministro Alexandre de Moraes, desencadeando questionamentos sobre a legalidade das diligências.
Os registros da apuração detalham os seguintes elementos:
- O banqueiro Daniel Vorcaro solicitou a Moraes intermediação e “proteção” junto ao procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
- O empresário também pediu apoio em relação ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
- As respostas enviadas por Moraes não constam no relatório policial por terem sido transmitidas na modalidade de visualização única.










