Manacapuru Sem ônibus regular, famílias de Manacapuru pagam até R$ 100 para chegar...

Sem ônibus regular, famílias de Manacapuru pagam até R$ 100 para chegar ao médico

Fotos: Divulgação/ ASCOM

O transporte no interior do Amazonas atua como a fronteira invisível entre o acesso aos direitos fundamentais e o isolamento social. Na Comunidade Bom Jesus, localizada em um ramal da estrada do quilômetro 50, na zona rural de Manacapuru, o deslocamento até a sede do município ou cidades vizinhas deixou de ser um simples percurso para se transformar em um teste diário de resistência.

A ausência de frota regular e as condições precárias das vias afetam diretamente a chegada dos moradores aos postos de saúde, ao comércio e a serviços públicos essenciais.

Com 14 anos de vivência no local, a moradora Rosimar Medeiros relata que a falta de condução coletiva permanente encabeça as maiores preocupações da vizinhança.

Segundo ela, nem todos os moradores possuem veículo próprio, o que obriga as famílias a aceitarem valores elevados cobrados por transportadores particulares para conseguir ir ao médico ou comprar alimentos na cidade.

Rosimar destaca que a comunidade convive com quadros severos de vulnerabilidade social, dependendo de auxílio constante para suprir necessidades básicas do cotidiano.

Drama no atendimento médico

O descompasso nos horários das poucas linhas de ônibus agrava ainda mais a busca por cuidados com a saúde. O morador Silvio Ribeiro conta que a falta de transporte interno prejudica o acesso às consultas que frequentemente são agendadas no município vizinho de Novo Airão.

Na maioria das vezes, quando as pessoas conseguem chegar ao local, o expediente médico já encerrou. Caso percam o ônibus de volta, a única alternativa restante é contratar carros particulares, o que pesa no orçamento.

Os valores cobrados pelo transporte privativo podem chegar a R$ 100 por passageiro, uma quantia inviável para o orçamento familiar da zona rural. Somam-se a esse custo financeiro o estado crítico das vias de terra, a demora prolongada para o agendamento de exames e a dificuldade em garantir atendimentos de emergência.

A escolha entre pagar um frete abusivo ou adiar o acompanhamento médico tornou-se uma constante entre as famílias.

Cobrança por direitos básicos

O cenário de abandono foi discutido em um encontro recente com o candidato a deputado estadual Manoel Cunha, que ouviu os relatos da população local. O postulante ressaltou que as queixas da Comunidade Bom Jesus refletem uma realidade comum a diversos ramais do interior de Manacapuru.

“Quando o morador precisa escolher entre pagar um transporte caro ou adiar uma consulta médica, fica claro que o problema vai além da mobilidade. Estamos falando de acesso à saúde, dignidade e qualidade de vida para quem vive nas comunidades rurais”, afirmou Manoel Cunha.

A situação vivenciada na Comunidade Bom Jesus expõe como as falhas de logística e a falta de investimentos na infraestrutura rodoviária rural ferem a dignidade humana.

A discussão em torno dessa pauta envolve o acesso a serviços essenciais e exige soluções definitivas por parte do poder público.

Dar visibilidade a esses relatos é fundamental para que as necessidades do interior sejam conhecidas e integradas na busca por melhorias reais.

Fonte: Agência Mani

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.