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Monitoramento continua em Manaus após vazamento de estireno e autoridades mantêm alerta preventivo

Foto: Giancarlo Silva/ Semcom 

A dispersão de estireno ocorrida nesta quinta-feira, 16 de julho, no Distrito Industrial de Manaus joga luz sobre a real capacidade de resposta a acidentes químicos na capital. O monitoramento contínuo realizado pelo comitê emergencial tenta conter os danos de um evento que paralisou rotinas, suspendeu aulas e acendeu o sinal de alerta nas autoridades municipais.

A multa aplicada de R$ 4.554.300,00, correspondente a 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), expõe a gravidade do ocorrido e sinaliza que a condescendência com falhas operacionais não tem espaço.

A prefeitura estruturou uma resposta imediata por meio de uma força-tarefa que envolve diversas pastas integradas para acompanhar a ocorrência:

  • Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) atua diretamente na fiscalização ambiental da área e na aplicação das sanções administrativas.
  • Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) responde pela futura vistoria técnica na estrutura física da fábrica atingida.
  • Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) acompanha os impactos imediatos e tardios da fumaça na saúde de moradores e trabalhadores da região.
  • Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec) ligada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), coordena o monitoramento constante das variáveis químicas locais.

A punição financeira aplicada à empresa representa apenas o início de uma investigação detalhada que ainda exige respostas claras das autoridades.

As medições atmosféricas preliminares coletadas indicam que o índice de poluição ainda é prejudicial à saúde humana. O diretor jurídico da pasta de meio ambiente, Henrique Marinheiro, confirmou a persistência de riscos ao detalhar a situação das equipes de contenção.

“Os resultados preliminares apontam que o índice ainda está acima do limite em que o ser humano deve ser exposto a uma substância como essa em um sinistro desse porte. As equipes ainda estão realizando a contenção do vazamento, que já está bem reduzida, mas ainda não terminou. Contamos com o Corpo de Bombeiros e carros-pipa da Semmas para ajudar no resfriamento do depósito. A orientação para a população é manter os locais arejados e evitar proximidade com a área. Já notificamos a empresa para apresentar esclarecimentos e documentos técnicos para aferirmos se as ações de contenção estão de fato dentro da normalidade. Em razão desse vazamento por toda a capital, nós autuamos a empresa em 30 mil UFMs, e eles terão prazo para recurso e apresentação de defesa”, informou Henrique Marinheiro.

Multa e fiscalização

A possibilidade de punições mais severas ronda a planta fabril. O planejamento urbano municipal planeja vistoriar a estabilidade física da estrutura industrial assim que a área for totalmente estabilizada. A gerente da Divisão de Controle da Cidade do Implurb, Maria Aparecida Fróes, pontuou as condições necessárias para que os fiscais deem andamento aos procedimentos legais.

“Não podemos adentrar internamente onde aconteceu o sinistro em virtude do risco que o local oferece. Para proteger a segurança de todos os servidores, não podemos entrar ainda, mas a Defesa Civil e a Semmas farão um relatório. Se for entendido que cabe ao Implurb lavrar algum tipo de termo de acordo com a legislação do Plano Diretor de Manaus, nós o faremos após a autorização para entrar. Vamos aguardar as ocorrências da Defesa Civil e, se for constatado pelo diretor que é necessária a interdição, seja parcial ou total, nós vamos realizar, mesmo que a empresa possua a certidão de Habite-se”, explicou Maria Aparecida Fróes.

Risco de interdição

A empresa foi notificada para apresentar, no prazo de 20 dias, relatórios detalhados sobre segurança, contingência, drenagem, capacidade de tratamento e plano de atendimento emergencial, sob a pena de consolidação definitiva da multa milionária. O impacto direto no cotidiano da capital ganhou contornos preocupantes nas últimas horas. O estireno, composto altamente volátil e tóxico, afetou diretamente a rotina escolar e o sistema de atendimento de urgência.

Os reflexos práticos nas áreas vizinhas mostram o tamanho do transtorno

  • Dezesseis escolas da rede municipal de ensino localizadas nas zonas leste e sul suspenderam as aulas devido ao forte odor do gás
  • O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) precisou realizar a remoção de sete pessoas afetadas pela fumaça
  • Diversas empresas instaladas no polo industrial também interromperam suas atividades para preservar a integridade física dos trabalhadores

O gerente em Vigilância Sanitária da Semsa, Jorge Carneiro, detalhou os perigos da exposição e as recomendações que devem ser seguidas pela população.

“Entendemos que o risco maior neste caso está voltado principalmente à saúde dos trabalhadores que porventura tenham tido contato. Como as atividades estão suspensas, a análise é complementar no sentido da permanência da emissão de gases e do impacto para a população. O estireno é um gás que tem risco de contato e inalação, mas a preocupação maior é com a quantidade de partículas dispersas no ar que podem causar quadros mais graves. O contato normalmente envolve processos alérgicos e incômodos. Orientamos que a população permaneça afastada do local de maior imagem de emissão, mantenha a circulação de ar externo e, caso sinta sintomas alérgicos ou incômodos graves, procure imediatamente as unidades de saúde para pronto atendimento”, orientou Jorge Carneiro.

Impacto na saúde

A contenção definitiva do reservatório de estireno depende de um rígido controle térmico para evitar novas reações químicas perigosas. A força-tarefa mantém o resfriamento constante do tanque com apoio de caminhões-pipa municipais e militares, buscando manter a temperatura ideal entre 25°C e 27°C. O chefe da Divisão de Minimização e Prevenção de Desastres da Defesa Civil, Renato Martins, explicou as especificidades técnicas dessa operação de segurança.

“Inicialmente, nossa preocupação é com o risco à saúde dos trabalhadores e moradores do entorno. Algumas fábricas da área suspenderam suas atividades pela gravidade do gás emitido, embora a situação já esteja sob controle. Pedimos que a população não venha para essa área. Quem estiver em casa e sentir o odor deve vedar as aberturas ou, se o cheiro estiver muito forte, buscar abrigo na casa de parentes em outra localidade onde não haja essa sensação de resíduo”, esclareceu Renato Martins.

As ações coordenadas começaram logo após o incidente, ainda na tarde de quarta-feira, quando a cidade entrou em estado de alerta e o Gabinete de Crise foi instaurado. As equipes orientam que, em caso de emergência, a população acione a Defesa Civil pelo telefone 199, o Samu pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Motoristas que precisam transitar próximo à rua Javari devem manter os vidros fechados e desligar temporariamente a entrada de ar externo para evitar intoxicações.

Fonte: ASCOM | Geraldo Farias

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