
A relação entre território, ancestralidade e preservação ambiental ganha voz nos palcos escolares de Manaus. Entre os dias 18 e 31 de julho, a intervenção performática “MANGARÁ” realiza uma temporada de apresentações gratuitas e oficinas criativas em escolas públicas e espaços de educação indígena na capital amazonense.
O projeto foi contemplado pelo Edital nº 09/2025/FEC Fomento Cultural Multilinguagens, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC/AM) e do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A iniciativa foi idealizada pela artista Tainá Andes, egressa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e mestranda em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A nova fase do espetáculo ocorre logo após a participação do grupo no Congresso UFBA 80 Anos, em Salvador, onde o trabalho integrou a programação oficial sob curadoria da Escola de Dança da instituição baiana.
Roteiro das apresentações
A circulação foi planejada para descentralizar o acesso à arte e provocar reflexões sobre a memória e a natureza. Os encontros com a comunidade estudantil seguem o cronograma detalhado abaixo
- No dia 18 de julho, às 8 horas, a primeira ação ocorre na Casa de Conhecimento Ancestral Jofo Nimairama, um projeto educacional do Instituto Witoto localizado no Parque das Tribos, na zona Oeste. O espaço é coordenado pelas lideranças Vanda Witoto e Erika Witoto e atende cerca de 75 crianças e adolescentes de diversas etnias, como Kanamari, Mura, Tikuna, Baré, Kokama, Witoto, Tukano e Tariano.
- No dia 25 de julho, também às 8 horas, o grupo se apresenta no Centro Cultural Uka Mbuesara Wakenai Anumarehit, sob coordenação da educadora Cláudia Baré, no Parque das Tribos. O evento reúne 30 estudantes das etnias Baré, Baniwa, Karapãna, Kokama, Miranha, Mura, Tukano, Tikuna e Apurinã.
- Nos dias 30 e 31 de julho, a partir das 8 horas, a intervenção chega à Escola Estadual Cacilda Braule Pinto, no bairro Coroado, voltada para alunos do 7º e 8º anos, com mediação dos professores de arte Robson Ney e Cláudia Cardoso.
Além das performances, a oficina “Confluência Criativa” propõe vivências práticas coletivas para aproximar crianças e jovens da expressão corporal e do fazer artístico.
Arte como protesto
A essência de “MANGARÁ” une elementos do teatro, da dança e da música para denunciar os crimes ambientais que devastam a região amazônica. A obra conceitua o território como um organismo vivo e pulsante. O próprio nome faz referência ao termo tupi que define o umbigo ou coração da bananeira, uma estrutura que protege a vida em seu interior.
A trajetória desta terceira edição do projeto começou ainda no primeiro semestre de 2025, com exibições pelos bairros Coroado I, Ramal do Brasileirinho e no Centro de Manaus. Posteriormente, a produção participou do encerramento do 4º Encontro dos Profissionais da Dança do Amazonas (ENPRODAM), que debateu o tema “Corpos-Floresta: Dança por Justiça Climática”.
Construção coletiva
Nenhum processo artístico se consolida de forma isolada. A montagem se desenvolve por meio do diálogo constante com criadores convidados que participam de todas as etapas do espetáculo.
A equipe técnica e artística reúne os seguintes profissionais:
- Concepção geral, direção, atuação e design gráfico por Tainá Andes
- Codireção de design gráfico por Cris Desrosiers
- Provocação cênica e produção executiva de Viviane Palandi
- Performance em cena por Jaú Tupinambá, que estuda dança na Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT) da UEA e assina a tipografia visual
- Performance, composição musical, sonoplastia e assistência de produção por Vívian di Oliveira
- Figurino de Cibele Bentes
- Assessoria de máscaras de Davi Martins
- Fotografia de Adriano Teixeira
- Produção de vídeo por Joel Michiles
- Interpretação em Libras de Osvaldo Baré
- Monitoria da oficina por Carla Wisu
- Assistência de produção por Elias Costa
Para viabilizar a circulação, o projeto conta com o apoio institucional da Escola Superior de Tecnologia (EST) da UEA, que ofereceu espaço para os ensaios do elenco, além de parcerias com o projeto de extensão Leitores de Espetáculos Teatrais (LET) e o Laboratório de Pesquisa das Pedagogias da Arte do Espectador (LAPAE).
SERVIÇO
- O que: Circulação MANGARÁ: Arte, Educação e Ativismo
- Quando: 18 (sábado), 25 (sábado), 30 e 31 (quinta e sexta) de julho de 2026
- Horário: Sempre a partir de 8h
- Onde: Casa de Conhecimento Ancestral Jofo Nimairama (Rua Apurinã, 13, 2 etapa, Parque das Tribos); Centro Cultural Uka Mbuesara Wakenai Anumarehit (Rua Baniwa, 66, Tarumã-Açu); Escola Estadual Cacilda Braule Pinto (Rua São Pedro, s/n, Coroado 2)
ASCOM: Vívian Oliveira










