
Por João Pedro Brasileiro (*)
Toda empresa quer implementar Inteligência Artificial. Mas poucas têm alguém responsável por ela.
Esse é um dos principais obstáculos para que organizações transformem investimentos em IA em resultados concretos. Enquanto novas ferramentas chegam ao mercado e os aportes na tecnologia aumentam, muitas empresas ainda tratam a IA como uma sucessão de iniciativas isoladas, e não como uma prioridade estratégica de negócio.
Por isso, a pergunta mais importante para um CEO neste momento não é qual será a próxima ferramenta adotada pela empresa, mas quem está conduzindo sua estratégia de Inteligência Artificial.
É justamente por isso que o Chief AI Officer, o CAIO, vem se consolidando como uma liderança estratégica nas organizações. Não como mais um cargo no organograma corporativo, mas como uma função diretamente associada à capacidade das empresas de transformar Inteligência Artificial em resultado.
Retorno sobre investimento
Segundo o relatório The State of AI Leadership 2025, publicado pelo IBM Institute for Business Value em parceria com a Oxford Economics, organizações com Chief AI Officers (CAIOs) registram um retorno sobre investimento (ROI) 10% superior em iniciativas de IA e têm 24% mais chances de afirmar que superam seus concorrentes em inovação.
Esses resultados não acontecem por acaso. À medida que a Inteligência Artificial passa a influenciar decisões cada vez mais estratégicas dentro das empresas, cresce também a necessidade de alguém capaz de conectar tecnologia, negócio e execução. Mais do que acompanhar tendências ou liderar projetos específicos, o CAIO garante que os investimentos em IA estejam alinhados aos objetivos da companhia, que existam critérios claros para priorização de iniciativas e que os resultados sejam efetivamente mensurados.
Sem esse alinhamento, o risco é conhecido: projetos desconectados, investimentos dispersos e dificuldade para transformar potencial tecnológico em impacto real.
Governança e segurança
Essa responsabilidade se torna ainda mais importante porque a adoção da IA traz desafios que vão muito além da implementação tecnológica. Quanto maior a presença da Inteligência Artificial nas operações e nos processos de decisão, maior também a necessidade de critérios claros para uso de dados, segurança, conformidade regulatória e supervisão humana.
Não por acaso, governança se tornou uma das palavras mais importantes da agenda de Inteligência Artificial. Em um ambiente cada vez mais regulado, ela deixou de ser uma preocupação exclusiva das áreas técnicas para se tornar uma prioridade de negócio.
Nesse cenário, o Chief AI Officer deixa de ser apenas uma função em ascensão para se consolidar como um elo entre estratégia, governança e geração de valor. A evolução da IA dentro das empresas mostra que a vantagem competitiva não está necessariamente nas ferramentas disponíveis, mas na capacidade de utilizá-las com direção, propósito e responsabilidade. Por isso, a discussão para os próximos anos não será quem adotou mais ferramentas, mas quem conseguiu transformar Inteligência Artificial em resultado. E isso começa com uma decisão simples: definir quem será responsável por liderar essa transformação.
(*) é professor de IA da Fundação Dom Cabral e CEO da Innovation Latam










