
Ataques cibernéticos recentes mostram que fornecedores com conexão lógica aos sistemas corporativos se tornaram uma das principais portas de entrada para fraudes milionárias. Mais do que explorar vulnerabilidades na interdependência com parceiros menores e menos protegidos, o cibercrime atual opera com uso intensivo de inteligência artificial. Essa tecnologia permite a criação de ataques personalizados, preditivos e em escala, que já não podem mais ser combatidos por modelos tradicionais de defesa, principalmente em setores integrados como o financeiro.
Nesse novo contexto, o perigo real está na capacidade dos atacantes de construir caminhos de ameaças antes mesmo de uma falha se tornar evidente. Em muitos casos, o alvo final não é o fornecedor de serviços em si, mas o acesso indireto que ele possui aos bancos de dados de grandes corporações.
Riscos na cadeia
O cenário marca a transição definitiva de um modelo reativo para uma abordagem preditiva de segurança digital. Levantamentos da empresa de consultoria Gartner indicam que nos últimos dois anos aproximadamente 45% das organizações no mundo sofreram ataques relacionados à cadeia de suprimentos de software.
- Alvos indiretos Criminosos utilizam a estrutura de parceiros comerciais menos protegidos para atingir sistemas de grandes corporações.
- Ataques preditivos Ferramentas tecnológicas mapeiam fragilidades institucionais antes que as equipes de tecnologia percebam os riscos.
- Uso de dados legítimos Fraudes são estruturadas a partir da combinação de acessos autorizados para burlar sistemas de vigilância internos.
Para o CEO global da Stefanini Cyber, unidade de cibersegurança do Grupo Stefanini, Leidivino Natal, o mercado vive uma mudança estrutural profunda.

“O mercado já não lida mais com ofensivas isoladas ou genéricas. Estamos falando de ataques construídos com base em comportamento, contexto e inteligência artificial. Isso exige uma mudança completa de abordagem: não basta reagir, é preciso antecipar”, afirma o executivo Leidivino Natal ao apontar a necessidade de controle preditivo.
Monitoramento em tempo real
Diante desse ecossistema complexo, as soluções corporativas passam a exigir ferramentas que consigam correlacionar dados internos e externos com velocidade superior aos métodos de análise tradicionais. O monitoramento da cadeia de suprimentos evolui para um formato automatizado e orientado por algoritmos inteligentes, focando na detecção de sinais de preparação de invasões ainda em andamento.
“A diferença agora é que conseguimos analisar se há um ataque sendo arquitetado, seja usando terceiros como ponto de entrada e antes mesmo de ele acontecer. Esse é o novo patamar da cibersegurança: sair do tempo real e avançar para o controle preditivo”, explica Leidivino Natal.
O especialista ressalta que muitas companhias ainda cometem o erro estratégico de focar os investimentos apenas em seus próprios ambientes digitais, esquecendo-se de exigir o mesmo nível de blindagem das empresas parceiras conectadas à sua rede.
Ecossistema integrado
A cadeia de suprimentos deixa de ser apenas um elemento operacional para ocupar papel central no planejamento estratégico das grandes marcas. As corporações que conseguem migrar para modelos contínuos de verificação ganham agilidade e escala, transformando a proteção de dados em um diferencial competitivo de mercado.
“O risco deixou de ser estático. Ele se transforma continuamente e, muitas vezes, é criado pelo próprio atacante a partir de combinações de dados e acessos legítimos. Por isso, a segurança precisa acompanhar essa dinâmica com inteligência e automação”, conclui o executivo Leidivino Natal.
Atuação global
O Grupo Stefanini atua como uma consultoria tecnológica global focada no desenvolvimento de soluções sob medida para a jornada digital de seus clientes. A instituição financeira possui presença comercial ativa em 46 países e conta com mais de 35 mil colaboradores espalhados por cinco continentes.
A estrutura de serviços da multinacional é dividida em sete unidades de negócios independentes, cobrindo as áreas de tecnologia, cibersegurança, dados, ferramentas financeiras, operações de mercado, marketing e manufatura industrial. O ecossistema desenvolve plataformas próprias por meio da suíte “Stefanini Artificial Intelligence” (SAI), acumulando reconhecimentos acadêmicos internacionais pelo desenvolvimento de estratégias de inovação integradas.
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