
A realidade da educação no interior do Amazonas ganha um capítulo alarmante que mistura falhas estruturais históricas e prejuízo direto ao aprendizado dos estudantes. O Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça de Humaitá, instaurou um inquérito civil para apurar a necessidade urgente de reforma no telhado da Escola Estadual Professora Cândida Areal Souto. A medida foi consolidada após uma fiscalização técnica confirmar que a estrutura do colégio não suporta o inverno amazônico.
A intervenção da promotoria ocorreu após a conversão de uma notícia de fato anterior em procedimento oficial. O objetivo da mudança é aprofundar a coleta de dados e exigir soluções definitivas do poder público, superando o histórico de remendos provisórios que apenas mascaram os problemas crônicos da edificação.
Falhas encontradas
O procedimento oficial foi assinado pelo promotor de Justiça Sylvio Henrique Lorena Duque Estrada e detalha o nível de deterioração física do espaço que deveria servir de refúgio para o conhecimento.
- Goteiras constantes: Infiltrações severas foram identificadas espalhadas por diversos ambientes da unidade de ensino.
- Pintura danificada: Umidade excessiva acumulada nas paredes gerou estragos visíveis e descascamentos na estrutura interna.
- Sem identificação: Fachada do prédio público apresenta ausência total de uma placa de identificação institucional.
- Aulas interrompidas: Alunos enfrentam a suspensão das atividades pedagógicas em dias de chuva, sendo dispensados antes do horário previsto devido aos alagamentos.
Histórico inadequado
O documento técnico revela um ponto crítico na gestão do patrimônio público. Apesar de o Estado ter realizado intervenções anteriores na estrutura, os serviços executados pela administração se restringiram à substituição do forro das salas. O telhado, que é a verdadeira origem do problema, permaneceu intocado, o que acabou comprometendo a segurança física de estudantes e de profissionais da educação que atuam diariamente no local.
A inspeção ministerial foi motivada por um grande alagamento registrado no início do ano. O colapso da cobertura expôs uma falha grave de planejamento que se arrasta há quase uma década na calha do rio Madeira.
“Apesar da adoção de algumas soluções paliativas, verificou-se que a instalação do telhado fora originalmente feita com telhas com características inapropriadas, no ano de 2018, o que tem trazido problemas recorrentes para a escola”, detalhou o promotor Sylvio Henrique Lorena Duque Estrada ao apontar a fragilidade do projeto inicial.
Cobrança oficial
Com o inquérito civil formalizado, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) requisitou de forma oficial à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) a reforma completa e definitiva do telhado da instituição. A cobrança visa sanar de vez as infiltrações e restabelecer a dignidade e a segurança no ambiente escolar de Humaitá.
A sociedade aguarda que os investimentos saiam do papel para que a meteorologia local deixe de ditar o calendário de aulas dos jovens da região.
Fonte: ASCOM | Orlando Menezes










