
A realidade de quem depende das estradas vicinais e ramais no Amazonas tem sido marcada por severas dificuldades. Em uma denúncia recente feita por moradores da comunidade Alto Crato, localizada na zona rural de Humaitá, a pouquíssimos quilômetros da sede municipal, a falta de manutenção adequada transformou trajetos curtos em verdadeiras jornadas de risco. Crateras profundas, lamaçais densos e pontos completamente intrafegáveis isolam famílias inteiras.
Esse cenário de abandono atinge diretamente o cotidiano da população, prejudicando gravemente o acesso a direitos fundamentais. Crianças enfrentam barreiras intransponíveis para chegar até as escolas devido à falta de condições para os ônibus escolares trafegarem, e pacientes sofrem com a total impossibilidade de socorro ou atendimento médico ágil em casos de urgência.
O impacto econômico do descaso rodoviário atinge o coração da agricultura familiar regional. A comunidade Alto Crato vê o sustento de dezenas de famílias ameaçado pela impossibilidade de escoar os produtos de maneira segura e competitiva para a sede do município.
Muitas vezes, os produtores precisam se arriscar enfrentando atoleiros extremos para evitar que o trabalho de meses seja totalmente perdido. Apesar de orçamentos anuais que destinam milhões de reais para planos de recuperação de vias secundárias, a aplicação prática desses recursos permanece invisível para os trabalhadores do campo, gerando prejuízos financeiros imensos e desvalorizando o setor primário.

Embora o Governo do Amazonas tenha divulgado ações estruturadas no passado por meio do programa “SOS Vicinais”, moradores locais apontam que o benefício não contemplou as vias essenciais do sul do estado.
Atualmente, existe um impasse constante entre as atribuições da Prefeitura de Humaitá e da Secretaria de Estado de Infraestrutura (SEINFRA) sobre quem deve assumir a responsabilidade direta pelas obras de recuperação.
Para quem vive a crise na pele, a burocracia e a divisão de competências institucionais não resolvem a falta de trafegabilidade.
“A nossa população da zona rural pede socorro e clama por dignidade, por acesso a direitos sociais básicos assegurados no art 6º da Constituição Federal”, afirma o autor da denúncia ao cobrar compromisso prático das autoridades competentes.
Como o cenário político se desenha para os próximos meses, as pautas ligadas à infraestrutura rodoviária e ao fortalecimento da agricultura familiar devem se consolidar como temas decisivos para a avaliação da administração pública regional nas eleições de outubro.










