
Mortes, desaparecimentos e um padrão perturbador envolvem pesquisadores ligados à NASA, ao MIT ((Instituto de Tecnologia de Massachusetts), ao Pentágono e a laboratórios de armas nucleares. O governo Donald Trump, o FBI e o Congresso americano tentam encontrar respostas que talvez alguém não queira que sejam encontradas
Quando um cientista desaparece, pode ser um acidente. Quando dois morrem em circunstâncias inexplicáveis, pode ser uma coincidência. Mas quando dez, onze, doze nomes acumulam-se em uma lista de mortos e desaparecidos, todos com acesso privilegiado aos segredos mais avançados dos Estados Unidos, nas áreas nuclear, aeroespacial e de propulsão, o que resta é uma pergunta que nenhuma autoridade conseguiu, ou quis, responder: quem está eliminando os cientistas americanos?
Desde 2023, uma série de mortes e desaparecimentos envolvendo pesquisadores e militares ligados a programas ultrassecretos do governo norte-americano transformou-se em uma das crises de segurança nacional mais inquietantes da história recente do país.
A pressão sobre as autoridades tornou-se tão intensa que o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes abriu uma investigação formal, o FBI confirmou publicamente que está à frente das apurações e a Casa Branca foi diretamente instada a se pronunciar. O presidente Donald Trump, ao ser questionado sobre o assunto, reconheceu que se trata de “coisa séria”.
O que une as vítimas é desconcertante: todos detinham credenciais de segurança elevadas, todos trabalhavam em áreas sensíveis como propulsão espacial, física de plasma, fusão nuclear e materiais avançados para mísseis. E todos morreram ou desapareceram sem que nenhuma explicação satisfatória fosse oferecida ao público.
A lista começa com Michael David Hicks, físico que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, JPL, sigla em inglês para Jet Propulsion Laboratory, de 1998 a 2022. Hicks era pesquisador principal em caracterização de asteroides e contribuiu diretamente para a missão DART, o experimento que testou a capacidade humana de desviar um asteroide de sua trajetória.
A mesma metodologia que ele desenvolveu foi usada como base para o sistema NEO Hunter, da Blue Origin, e para os lançamentos originais do Falcon 9, da SpaceX. Hicks morreu em julho de 2023, aos 59 anos. Nenhuma explicação pública foi emitida pela NASA.
Em julho de 2024, Frank Maiwald, especialista em pesquisa espacial e cientista principal do JPL, morreu em Los Angeles aos 61 anos. A NASA igualmente não emitiu qualquer nota sobre as circunstâncias do falecimento nem sobre os projetos em que ele trabalhava.
Sua morte foi seguida, em fevereiro de 2026, pela de Carl Grillmair, astrofísico do California Institute of Technology (Caltech), instituição que administra o JPL, encontrado baleado na varanda de sua casa em Llano, na Califórnia. Grillmair tinha 67 anos e era conhecido mundialmente por seus estudos sobre a busca de água em planetas fora do sistema solar. As autoridades prenderam um suspeito que, segundo a polícia, aparentemente não conhecia a vítima.
Ignorada pela imprensa
Em junho de 2025, Monica Reza, engenheira aeroespacial de 60 anos e diretora do Grupo de Processamento de Materiais do JPL, desapareceu durante uma caminhada em uma floresta no condado de Los Angeles. Sua busca foi amplamente ignorada pela grande imprensa nos meses que se seguiram.
O Comitê de Supervisão da Câmara revelou que Reza e o general William Neil McCasland haviam trabalhado juntos em um programa de pesquisa aeroespacial financiado pela Força Aérea americana no início dos anos 2000, envolvendo materiais avançados para veículos reutilizáveis.
McCasland, general aposentado da Força Aérea, comandou o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea na Base Wright-Patterson, uma das instalações mais secretas dos Estados Unidos, frequentemente associada a programas de aeronaves experimentais e pesquisas sobre fenômenos aéreos não identificados.
Em 27 de fevereiro de 2026, o general saiu a pé de sua casa em Albuquerque, no Novo México, deixando para trás seu celular, seus óculos de grau e seus dispositivos eletrônicos portáteis. Levou consigo apenas um revólver calibre 38. O FBI coordenou buscas, mas sem resultados.
No Novo México, o padrão se repete com uma regularidade que arrepia. Melissa Casias, de 53 anos, funcionária do Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL), instituição célebre por ter desenvolvido as primeiras armas nucleares durante o Projeto Manhattan, desapareceu em junho de 2025 após deixar o almoço para sua filha.
Imagens de câmeras de segurança mostram Melissa caminhando sozinha, mas nenhum rastro foi encontrado a partir daquele momento. Anthony Chavez e Steven Garcia, este último responsável pelo controle de ativos nucleares no Campus de Segurança Nacional de Kansas City, também desapareceram no Novo México nos meses seguintes, todos dentro de um intervalo de quatro meses.
Em Massachusetts, a tragédia tomou uma forma ainda mais dramática. Nuno F. G. Loureiro, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), físico especialista em fusão nuclear e plasma, e diretor do Centro de Ciência e Fusão de Plasma daquela universidade, foi assassinado em dezembro de 2025 com um tiro disparado por Claudio Neves Valente, um ex-colega de engenharia que o perseguia por ciúme profissional.
Um dia antes de matar Loureiro, Valente perpetrou um massacre no campus da Universidade Brown, matando dois estudantes e ferindo nove. O caso de Loureiro, embora elucidado do ponto de vista do suspeito, levantou questões sobre a vulnerabilidade de cientistas de ponta a ameaças que ninguém antecipou.
O enigma da antigravidade

Nenhum caso, porém, concentrou tanta atenção, e tanta controvérsia, quanto o de Amy Catherine Eskridge. Nascida em 19 de setembro de 1987, em Huntsville, Alabama, cidade conhecida como “Rocket City” pela sua histórica e intensa conexão com a NASA e a indústria aeroespacial, Eskridge era uma cientista fora do comum.
Amy formou-se pela Universidade do Alabama em Huntsville com dupla graduação em química e biologia, e depois expandiu seus domínios para a engenharia elétrica, a física, a engenharia genética e a nanotecnologia, uma amplitude intelectual raramente encontrada em um único indivíduo.
Eskridge cofundou o Instituto de Ciência Exótica, organização que ela própria descreveu como “uma persona pública para divulgar tecnologia de antigravidade”.
A pesquisa da cientista concentrava-se em propulsão eletrogravitacional, energia de ponto zero e sistemas experimentais de levitação que, se confirmados, teriam o potencial de tornar obsoleta a propulsão química convencional, os foguetes que até hoje são o único meio comprovado de transporte espacial.
Em uma entrevista gravada em 2020, Eskridge declarou que pretendia apresentar ao mundo suas descobertas fundamentais sobre antigravidade, mas que precisava de autorização prévia da NASA para fazê-lo.
Àquela altura, ela já admitia publicamente que as ameaças contra ela vinham escalando.
“Preciso divulgar em breve”, disse.
“Tenho que publicar porque só vai piorar até eu publicar”.
E acrescentou, com uma lucidez que hoje soa como profecia:
“Se você bota o pescoço para fora em público, pelo menos alguém percebe se sua cabeça é cortada”.
A cabeça foi cortada. Em 11 de junho de 2022, Amy Eskridge foi encontrada morta em Huntsville, com um ferimento de bala na cabeça. A morte foi oficialmente classificada como suicídio. Mas há elementos no caso que os investigadores e pessoas próximas a ela nunca conseguiram aceitar pacificamente.
Estado de pânico
Um mês antes de morrer, Eskridge enviou uma mensagem de texto a um amigo dizendo que jamais tiraria a própria vida.
“Se você vir qualquer relatório dizendo que eu matei outra pessoa, definitivamente não fiz”, escreveu, em uma mensagem que parecia antecipar a narrativa que seria construída sobre sua morte.
Ela também gravou um vídeo, que só ressurgiu publicamente em abril de 2026, no qual aparece em estado de pânico, com as mãos gravemente queimadas, afirmando estar sendo atacada por uma arma de energia direcionada.
Ela descreveu o dispositivo como um “emissor de banda-K de radiofrequência”, alimentado por cinco baterias de carro dentro de uma SUV estacionada nas proximidades. Um ex-oficial de inteligência britânico ouvido pela imprensa corroborou sua versão, afirmando que Amy temia pela própria vida e que sua morte era plausível como um assassinato planejado.
O argumento econômico para eliminar Eskridge é, segundo seus defensores, direto ao ponto.
Um ex-assessor de inteligência declarou à imprensa que, se uma jovem cientista aparece com um sistema de propulsão dramaticamente mais eficiente que os foguetes químicos, ela representa uma ameaça financeira concreta às indústrias bilionárias que dependem da tecnologia convencional.
“Você vai perder muito dinheiro”, disse o ex-assessor.
Nem a polícia nem os médicos legistas de Huntsville divulgaram qualquer relatório público de investigação sobre o caso. E o pai de Eskridge, Richard, que havia trabalhado com ela na pesquisa, sustenta que a morte da filha foi resultado de uma crise de saúde mental agravada por dor crônica, uma posição que a família mantém até hoje.
O caso voltou às manchetes em abril de 2026, quando o deputado Eric Burlison, republicano do Missouri, apresentou Amy Eskridge como o 11º nome em uma lista crescente de cientistas mortos ou desaparecidos em circunstâncias inexplicáveis ligadas a pesquisas secretas do governo americano.
Congresso age, Casa Branca observa
A pressão política tornou-se insustentável. O presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, James Comer, do Kentucky, e o deputado Eric Burlison enviaram cartas formais ao diretor do FBI, Kash Patel, ao administrador da NASA, Jared Isaacman, ao secretário de Energia, Chris Wright, e ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigindo explicações sobre as mortes e desaparecimentos e sobre os mecanismos de proteção dos segredos científicos americanos e do pessoal envolvido.
O FBI emitiu uma declaração confirmando que está “liderando o esforço para buscar conexões entre os cientistas desaparecidos e falecidos”, em colaboração com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e as forças policiais estaduais e locais.
Contudo, os investigadores mais próximos dos casos individuais admitiram, em conversas com a imprensa, que até o momento não encontraram vínculos concretos entre as vítimas. A geografia dos casos, no entanto, é eloquente por si mesma: quatro ocorrências na Califórnia, quatro no Novo México e duas em Massachusetts, todas em regiões que abrigam os mais sensíveis laboratórios e instalações de pesquisa dos Estados Unidos.
A ligação com os Objetos Voadores Não Identificados, OVNIs ou UAPs na sigla em inglês, surge inevitavelmente neste contexto. O general McCasland, cuja personalidade e trajetória são centrais no caso, era considerado por investigadores independentes como uma figura-chave nos programas classificados sobre fenômenos aéreos não identificados.
A conexão dele com Monica Reza, e de ambos com instalações ligadas a programas aeroespaciais de ponta, alimenta as especulações sobre uma rede de conhecimento que alguém, em algum lugar, deseja manter enterrada.
Fantasma de Nikola Tesla

Para entender o que pode estar acontecendo com os cientistas americanos do século XXI, é necessário olhar para um caso do século XX que nunca foi completamente encerrado: o de Nikola Tesla.
Tesla foi o mais transformador inventor da era elétrica. Criou o sistema de corrente alternada que até hoje alimenta o mundo inteiro, lançou as bases da comunicação sem fio, pesquisou a transmissão sem fio de energia elétrica e trabalhou em conceitos que décadas depois se tornariam radares, robótica e comunicações de rádio. Era um homem à frente do seu tempo, e essa condição teve um preço devastador.
Ao longo de sua vida, Tesla travou batalhas extenuantes contra interesses econômicos poderosos. Sua maior rivalidade foi com Thomas Edison, que defendia o sistema de corrente contínua e empregou todos os recursos à sua disposição para desacreditar o trabalho de Tesla.
Mais tarde, o financista J. P. Morgan, que havia financiado o ambicioso projeto da Torre Wardenclyffe, destinado a transmitir energia elétrica sem fio e de forma gratuita para o mundo inteiro, retirou o apoio ao perceber que um sistema de energia gratuita não tinha modelo de negócios. Sem financiamento, a torre foi demolida. O sonho de energia livre para toda a humanidade foi enterrado sob os imperativos do lucro.
Tesla morreu sozinho, em janeiro de 1943, em seu quarto no Hotel New Yorker, em Nova York, aos 86 anos, em profunda pobreza e relativo esquecimento. Ainda durante a noite da descoberta do corpo, antes mesmo que qualquer familiar pudesse ser notificado, representantes do Escritório de Propriedade Estrangeira do governo americano invadiram o quarto e apreenderam todos os documentos e pertences do inventor.
O FBI, então sob o comando do diretor J. Edgar Hoover, classificou o material de “altamente secreto”. A justificativa era a Segunda Guerra Mundial e o temor de que as pesquisas de Tesla, incluindo o projeto de uma arma de raios de partículas que ele chamava de “Raio da Morte”, caíssem em mãos inimigas.
Três semanas depois, um engenheiro elétrico do MIT, Dr. John G. Trump, tio do atual presidente Donald Trump, foi designado pelo governo para avaliar os papéis de Tesla e determinar se continham “ideias de valor significativo”. Sua conclusão oficial foi de que os documentos tinham “caráter primariamente especulativo, filosófico e promocional” e que não incluíam “novos princípios ou métodos sólidos e viáveis”.
No entanto, alguns arquivos de Tesla permanecem classificados até hoje. O FBI só liberou parcialmente seus arquivos sobre o inventor em 2016, após décadas de pressão pública, e uma segunda leva foi divulgada em 2018, ainda assim com lacunas que ninguém soube explicar satisfatoriamente.
A pergunta que persiste é incômoda: se os papéis de Tesla não tinham valor, por que continuam sendo guardados? Por que alguns arquivos ainda estão fora do alcance do público, mais de 80 anos após sua morte?
Dois séculos, a mesma sombra
A semelhança entre o destino de Tesla e o dos cientistas que hoje aparecem em listas de mortos e desaparecidos não é apenas poética.
A semelhança, na verdade, e estrutural. Em ambos os casos, o padrão que emerge é o de inventores ou pesquisadores que avançaram em direção a tecnologias capazes de subverter radicalmente os modelos econômicos dominantes, energia gratuita, propulsão sem combustível químico, materiais que tornariam obsoletos sistemas bélicos e industriais inteiros, e que, ao se aproximar demais da divulgação pública de suas descobertas, encontraram obstáculos que iam muito além do ceticismo científico.
Amy Eskridge usou as mesmas palavras que Tesla poderia ter usado.
“Tenho que publicar porque só vai piorar até eu publicar”. Tesla disse: “O presente é deles. O futuro, para o qual realmente trabalhei, é meu”.
Ambos sabiam que estavam cercados. Ambos pagaram um preço desproporcional.
O que diferencia os casos é o contexto institucional. Tesla vivia em uma era em que governos agiam com menos escrutínio público. Hoje, com o Congresso dos Estados Unidos exigindo respostas, com o FBI obrigado a confirmar suas investigações em comunicados oficiais e com a imprensa global cobrindo cada novo desaparecimento, a supressão, caso exista, opera de forma mais sofisticada. Não elimina apenas o cientista, mas o contexto, o arquivo, a evidência, a narrativa.
A morte de uma pesquisadora de antigravidade é classificada como suicídio sem relatório público de investigação. O desaparecimento de um general que comandou os programas mais secretos da Força Aérea é tratado como uma busca de pessoa desaparecida.
A morte de um físico especialista em fusão nuclear é enquadrada como um crime de ciúme. Cada caso, individualmente, pode ter uma explicação. O conjunto, porém, desafia qualquer tentativa de racionalização.

O direito ao progresso
O debate público que emergiu nos Estados Unidos a partir de abril de 2026 é, em sua essência, uma disputa sobre o direito da humanidade ao progresso.
Se tecnologias como a propulsão antigravitacional, a transmissão de energia sem fio ou a fusão nuclear limpa existem em estágio avançado de desenvolvimento, então o desaparecimento sistemático dos cientistas que as estudam não é apenas uma tragédia individual. É um crime contra o futuro coletivo.
Tesla morreu sem ter visto sua visão de energia gratuita para todos se concretizar. Suas patentes foram diluídas, seus projetos abandonados, sua memória durante décadas transformada em curiosidade histórica.
Amy Eskridge morreu sem ter conseguido apresentar à NASA, e ao mundo, o que dizia ter descoberto. Outros onze nomes, e possivelmente mais, foram encerrados antes de terem a oportunidade de revelar o que sabiam.
A investigação do FBI e do Congresso americano pode produzir respostas. Pode também produzir mais silêncio.
O que nenhuma instituição conseguirá apagar é a pergunta que agora ecoa em laboratórios, universidades e comissões parlamentares dos dois lados do Atlântico: quantos gênios ainda precisarão desaparecer antes que o mundo decida que saber é um direito que não se negocia?










