
Por Estagiário de Lara (*)
Não poderia haver data mais sugestiva para o cenário político. Nesta sexta-feira 13, o ministro André Mendonça assumiu oficialmente o maior “abacaxi” jurídico e financeiro da temporada. Ele recebeu com a tal “serenidade” monástica a missão de relatar as investigações sobre o Banco Master. A postura zen contrasta com o tamanho do buraco, um rombo de R$ 40 bilhões e uma trama que mistura banqueiros, políticos e mensagens de celular que fariam qualquer um perder o sono.
Mendonça entra em cena porque Dias Toffoli saiu. Ou melhor, foi convidado a se retirar pelos colegas de toga, embora a nota oficial jure de pés juntos que estava tudo ótimo. É aquela velha história de Brasília, você sai porque a situação ficou insustentável, mas ganha um tapinha nas costas e um atestado de idoneidade para levar para casa.
A saída à francesa de Toffoli
A troca de cadeiras no Supremo Tribunal Federal (STF) foi um espetáculo de contorcionismo retórico. A Polícia Federal (PF) encontrou citações a Toffoli no celular de Vorcaro, o dono do banco. O clima na Corte ficou pesado e o ministro se viu isolado. A solução foi passar o bastão.
O mais curioso é o malabarismo da nota oficial. Os dez ministros disseram que não havia motivo para suspeição, validaram todos os atos anteriores de Toffoli, mas aceitaram a saída dele para evitar “desgastes”. Traduzindo para o português das ruas, não tem nada errado, mas é melhor você ir embora antes que pareça que tem.
O milagre que virou pó
Para quem chegou agora, o caso Master é o clássico conto do vigário com verniz de Faria Lima. O banco oferecia CDBs com lucros que desafiavam a lógica matemática e o bom senso. Era um retorno tão alto que faria agiota corar de vergonha.
Para pagar essa farra, a instituição pedalava nos balanços e assumia riscos suicidas. O Banco Central (BC) puxou a tomada em novembro de 2025, levando junto o Letsbank e o Will Bank. Agora, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) está desembolsando a bagatela de R$ 40,6 bilhões para cobrir o prejuízo. E adivinha quem paga essa conta no final da linha através das taxas bancárias? Pois é.
Serenidade via Zoom
Enquanto o circo pega fogo, Mendonça prefere a distância segura. Ele participa da reunião decisiva com a Polícia Federal hoje por vídeo, direto de São Paulo. A estratégia é clara, manter a discrição e ficar longe dos holofotes e do calor, literal e metafórico, da capital federal.
O teste de fogo para essa serenidade toda será o pedido do senador Carlos Viana (Podemos-MG). O presidente da CPMI do INSS quer acesso aos documentos sigilosos. Se Mendonça abrir a caixa-preta do celular de Vorcaro para o Congresso, a “serenidade” pode dar lugar a uma tempestade política que nem reza brava segura.
Por enquanto, Mendonça segura a caneta e a pose de calmo. Mas com R$ 40 bilhões em jogo e nomes poderosos na mira, essa paz tem prazo de validade curto.
(*) Jornalista Independente










