Vídeo mostra artistas e jornalistas cubanos sendo jogados em caminhão de lixo

“Há um estado de terror insuportável em Cuba”: são os relatos dos protestos em Havana

Havana também registrou manifestações contra o governo cubano - Foto: YAMIL LAGE / AFP

Em cuba, a situação está tão confusa que os vídeos que estão sendo postados nas redes sociais vem com duas versões. A primeira versão mostra manifestantes cubanos jogando dentro de caminhão de lixo, supostos artistas e jornalistas que apoiam a ditadura comunista. Esse vídeo foi postado no Telegram @AcordaMeuBrasil.

Já a segunda versão é narrada pelo diretor de teatro cubano Yunior Garcia, um dos líderes do movimento 27N, nascido após uma manifestação inédita de artistas em 27 de novembro de 2020 para exigir mais liberdade de expressão em Cuba, e que foi preso no domingo (11/7), e libertado na tarde de segunda-feira (12/7).

Ele conta sua experiência nas redes sociais, explicando que viajou no domingo com um grupo de amigos ao Instituto Cubano de Rádio e Televisão (ICRT) para pedir para falar por 15 minutos diante das câmeras. “Mas uma horda de conservadores radicais e vários grupos de Resposta Rápida (forças de segurança à paisana) nos disseram não e fomos atropelados, arrastados à força e jogados em um caminhão, como sacos de entulho”, denunciou.

“Fomos tratados como lixo”, disse Garcia, explicando que havia sido transferido para o centro de detenção Vivca, em Havana, onde assistiu à “chegada de dezenas de jovens”.

De fato, o que vem acontecendo são os relatos de violência e prisões de participantes nos protestos históricos de domingo (11) em Cuba, os mais importantes desde o ‘maleconazo’, a gigantesca manifestação de 1994, estão se multiplicando. A RFI tenta entrevistar uma série de ativistas desde a manhã de terça-feira (13), mas com o corte da internet e da telefonia celular na ilha, além das numerosas prisões de opositores, o contato vem se tornando mais difícil.

“Terror insuportável”

“Há um estado de terror insuportável [em Cuba]”, disse outro cubano entrevistado anonimamente. “Os vídeos que aparecem nas redes são horríveis pelos níveis de repressão alcançados”, acrescentou. “Houve tiros, houve violência, houve repressão. É importante esclarecer que em Cuba as únicas armas disponíveis estão nas mãos da polícia e das Forças Armadas, portanto todos os tiros ouvidos só vieram da polícia “, informou uma outra fonte de Havana à RFI.

“O governo também pede que os membros do Partido Comunista de Cuba saiam para enfrentar o povo, de alguma forma para que se veja que esses protestos são confrontos entre os chamados revolucionários e aqueles que não estão satisfeitos”, acrescentou a mesma fonte. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, pediu ao governo cubano na segunda-feira (12) que “permita essas manifestações pacíficas e ouça as manifestações de descontentamento”.

A internet móvel, que chegou a Cuba no final de 2018 e permitiu a transmissão ao vivo de cerca de 40 protestos contra o governo em toda a ilha no domingo, foi cortada na segunda-feira, assim como boa parte da rede de telefonia celular. As ruas de Havana são constantemente vigiadas pela polícia e forças do exército.

Dezenas de pessoas, incluindo jornalistas cubanos independentes, foram presas e seus parentes compareceram a postos policiais na segunda-feira para procurá-los. Entre os detidos está a correspondente da rede ABC em Cuba, Camila Acosta, presa após reportar os protestos.

Da Redação (Com AFP)

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