
Na última sexta-feira, 24 de abril, Manaus sediou um movimento estratégico que pode redefinir os rumos da economia regional. A 2ª Oficina Propositiva do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade do Amazonas (Cetur-AM), realizada na Fecomercio-AM, não foi apenas mais uma reunião setorial.
O encontro marca a consolidação de um documento técnico rigoroso que será entregue aos candidatos às Eleições de 2026, com o objetivo de inserir as dores e as potencialidades do Amazonas na agenda dos futuros governantes e da Presidência da República.
A iniciativa integra o programa “Vai Turismo”, uma aliança entre a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Sebrae. O foco é transformar o turismo em um vetor de desenvolvimento socioeconômico real, retirando-o da margem dos debates e colocando-o como protagonista da matriz econômica do estado, ao lado da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Eixos da mudança
Para garantir que as propostas não sejam apenas desejos abstratos, a metodologia aplicada na oficina focou em nove pilares fundamentais. A técnica da Suframa, Rosângela Alanís, destacou que as expectativas do trade local precisam estar alinhadas com as políticas públicas nacionais para que o investimento chegue à ponta.
Os eixos debatidos incluíram:
- Acessibilidade e Mobilidade.
- Criatividade e Inovação.
- Governança e Sustentabilidade.
- Marketing, Tecnologia e Segurança.
Gargalo da aviação
Um dos pontos mais críticos apresentados nas oficinas é a precariedade da malha aérea regional. Em um estado de dimensões continentais, a conectividade não é um luxo, mas uma necessidade básica de sobrevivência para o mercado.
As propostas prioritárias incluem a modernização de aeródromos em destinos isolados e a criação de incentivos fiscais e operacionais. O objetivo é claro: reduzir os custos de operação para aumentar a competitividade do destino Amazonas frente ao mercado global.
Infraestrutura básica
Além da logística de transporte, o conselho identificou que o turismo não sobrevive sem serviços essenciais qualificados. Não adianta atrair o visitante se o território não oferece segurança pública, saúde, energia estável e saneamento.
A proposição exige que territórios com potencial turístico recebam cobertura prioritária desses serviços, criando condições dignas tanto para o desenvolvimento local quanto para a experiência do viajante.
União de forças
A representatividade do Cetur-AM é um dos seus maiores trunfos. A Suframa compõe o conselho efetivo ao lado de instituições de peso como Fieam, Sebrae-AM, ABIH-AM e Abrasel-AM. No braço consultivo, entidades como Amazonastur, Iphan e Manauscult garantem que a visão técnica e histórica também seja preservada.
O que se viu nesta oficina foi a construção de um escudo para o turismo amazonense. Ao entregar essas diretrizes aos candidatos de outubro, o trade turístico deixa de ser um espectador para se tornar o arquiteto das políticas que virão. Resta agora saber quais candidatos terão o compromisso intelectual e político de transformar esses eixos em realidade a partir de 2027.










